_ Gus!
Marianna disse num misto de felicidade surpresa pelo esbarrão que recebeu do melhor amigo.
_ Mari, desculpe, eu…_ o rapaz respirou fundo e olhou para trás.
_ Que isso, campeão, quase atropelou sua namorada. Bela moça. _ Alex Hamilton apareceu como num passe de mágica. _ Alex Hamilton, muito prazer. _ Pegou a mão da menina e beijou.
Diferente das moças a qual Alex já foi apresentado, ou se apresentou, Marianna não esboçou sorriso algum, ao contrário, respirou de forma impaciente e recolheu a mão rapidamente.
_ Prazer. _ Respondeu de forma robótica.
_ Vamos, Mari. _ Gustavo pegou sua amiga pela mão e começou a caminhar.
_ Ué, mas não vai ter comemoração?
O adversário do Smith falou com um sorriso no rosto, que se desmanchou quando os dois já estavam distantes o bastante para não o ver.
_ Gus, agora você precisa me explicar o que aconteceu.
Depois que Gustavo se apressou e levou-a junto, ficou impossível para Marianna não pensar que havia algo de errado.
_ Eu não posso contar. _ O rapaz não hesitou em proteger a ruiva.
_ Como assim? _ Marianna respirou fundo com tamanha confusão.
_ Vai por mim, é melhor você não saber.
_ Tudo bem, vou respeitar sua decisão. _ A ruiva se lembrou das coisas que também não poderia relatar a Gustavo.
Os dois continuaram caminhando até que Gustavo tocou em um assunto inacabado.
_ E, então, conseguiu descobrir mais alguma coisa sobre seus pais?
_ Não, na verdade, essa semana não consegui me concentrar em quase nada.
_ Mas, por quê? Quer dizer, se não quiser falar, tudo bem.
_ Foi por causa da gente. Ou melhor, por causa dessa distância. Costumava ter mais paciência, mas agora eu simplesmente não consigo não pensar sobre isso, sobre nós.
_ Sobre nós? _ Gustavo parou de caminhar na mesma hora.
_ Eu não parei de pensar naquela declaração que você fez e no quanto isso é real para mim também. _ Marianna não controlou mais o que iria falar, decidiu contar o que a afligia naquele momento. _ Gus, eu nunca te achei infantil, eu só não posso te contar agora tudo o que aconteceu de verdade. Eu falei aquilo porque estava com medo…_ a ruiva parou para respirar, parecia tirar o peso de suas costas.
_ Espera, o que disse? Medo? Mas, medo de quê? _ O garoto sentiu-se perdido.
_ Medo de aceitar o que eu sinto, medo do que pode acontecer se assumir os meus sentimentos, medo do futuro.
_ Assumir seus sentimentos? O que você quer dizer com isso, Mari? _ De repente, Gustavo sentiu seu coração acelerar.
_ Eu também gosto de você, Gustavo, não só como amigo. Não sei como ou quando aconteceu, só sei que sinto mesmo e não quero mais esconder.
_ Eu…
No mesmo instante, Gustavo começou a sorrir, e a rir, e de uma hora para outra ele passou a ter uma crise de risos. Marianna, já conhecendo o melhor amigo, acompanhou-o dando boas risadas. Ela também estava nervosa, não sabia como as coisas seriam dali para frente. Gustavo foi reduzindo a risada até que conseguiu controlar as suas emoções. Com isso, ele olhou em seus olhos e decidiu dizer:
_ Temos o costume de, antes de namorar, orar juntos. O casal, no caso. Alguns casais demoram meses orando, outros, anos. Podemos ir aos poucos, se você quiser.
_ Eu aceito, mas você vai precisar me ensinar como isso funciona.
Marianna sorriu de forma tímida e Gustavo abraçou-a de lado. Decidiram que esperariam até o dia seguinte para comunicar aos pais a decisão. Pela primeira vez, a ruiva não teve medo da reação de seu padrasto.