CAPÍTULO ONZE- O NOIVADO DE ANGEL

1142 Palavras
_ Esses arranjos vão ficar na parte esquerda da mesa. _ Leandra diz para os funcionários que foram contratados para o jantar de noivado de sua filha, Angel. A jovem estava no andar de cima, no seu quarto, se arrumando para receber os convidados. A filha mais velha dos Smith tinha um sorriso genuíno no rosto e esse sorriso contagiou suas amigas. As três a olharam com admiração. Angeline suspirou aliviada quando recebeu a informação de que seu noivo, Logan Kastiff, estava chegando. Ele não estava sozinho, estava indo com a irmã e a mãe, as únicas pessoas de sua família com quem ele tinha convívio e contato. O sorriso de Angel ameaçou sumir quando Logan lhe informou que o pai dele não faria parte desse momento. Ela sabia o quão difícil seria para o futuro marido voltar a ter aproximação depois do histórico de vida dos dois. Marianna sentiu como se estivesse invadindo a privacidade do casal, por isso, chamou suas amigas, Natália e Bia, para sair do quarto e deixar Angel ao telefone com o noivo. No andar de baixo, Marianna perguntou a Leandra o que poderia fazer para ajudar e ela lhe respondeu que tudo já estava praticamente encaminhado, apenas faltava os irmãos Smith descer. A estudante de T.I se dispôs a chamar os dois e recebeu um olhar de gratidão em troca. A moça subiu as escadas animada para chamar Angeline, mas a encontrou sentada na cama com uma expressão pensativa. Mari deu dois toques na porta para chamar a atenção da melhor amiga, o que teve como resposta foi a noiva saindo de um aparente transe e abrindo um sorriso. _ Quer conversar? _ Marianna Alves disse, com sinceridade. _ Tá muito aparente? _ Angel perguntou e a amiga balançou a cabeça. Suspirando, a estudante de pedagogia continuou: _ É que me intriga Logan não conseguir perdoar o pai, não quero ter que começar uma família com problemas m*l resolvidos. _ Talvez seja difícil para ele ter que fazer isso, deixar o passado para trás é sempre um grande passo. Conversou com ele a respeito disso? _ Sim, eu conversei e até entendo, só que me sinto dividida, não acho certo iniciar um relacionamento assim, mas não quero terminar com ele. _ Por qual motivo você não quer terminar? _ Porque eu o amo, Mari. Eu nunca havia me sentido dessa forma, sinto que era para ser desde que nós nos vimos pela primeira vez. _ Então o que te impede de levar essa certeza para o altar? _ Às vezes, sinto que ouço a voz dele com mais frequência do que a voz do meu pai. _ Não entendi. O que o senhor Lorenzo tem a ver com a história? _ Não, amiga, estava falando de Deus. Costumo chamá-lo assim. _ Então você quer dizer que é mais fácil querer ouvir o Logan do que é Deus, é isso? _ Sim, Mari, mas acho que deve ser impressão minha. _ Por que você não tira essa dúvida, tipo, orando? Sei lá pergunta para Ele. _ Meninas, vamos? Gustavo apareceu no quarto de sua irmã, deixando as duas de boca aberta. _ Uau, maninho, você está um gato, não é, Mari? _ Angel segurou a risada quando reparou que os dois se olharam timidamente. _ Você está muito bonito, Gus… Gustavo. _ Marianna se interrompeu e preferiu usar o nome de seu amigo ao invés do apelido. _ Você está linda, Mari! E você, maninha, está ótima! Seu senso de humor nunca morre, não é? _ Gustavo deu uma olhada séria para irmã. _ O que foi? Não disse nada demais. _ A irmã de Gustavo deu de ombros. _ Sei. Vamos, os convidados devem estar aguardando você. _ Tem razão, vamos. _ Meu Deus, eu já estava indo atrás de vocês! _ Leandra exclamou, nervosa pela demora. _ Me desculpe, fui buscá-los e acabei ficando. _ Marianna se sentiu m*l pelo ocorrido. _ Está tudo bem, querida. Desculpe, eu estou um pouco nervosa. _ A mãe de Angel reparou. _ Tudo bem. O jantar foi servido, não antes que Logan Kastiff, noivo de Angel, fizesse um pedido de casamento oficialmente. Após a moça dizer "sim”, todos aplaudiram e puderam degustar da refeição. Natália, Bia e Mari ficaram sentadas em uma mesma mesa e foram logo servidas pelos funcionários contratados. Ao olhar para a mesa dos pais de Angel, Marianna se deparou com a mesma moça que viu nos cultos que participou. Lembrou o nome da moça com certa rapidez. Anna. Anna Rodrigues. Apesar de ter sido recebida com simpatia por Anna desde a primeira vez que a viu, a aproximação de Gustavo e a garota a incomodou. Quando Anna sorriu com um comentário feito pelo irmão de Angel, Marianna decidiu que era o momento perfeito para sair da sala de jantar. Ela correu até o quintal, onde já havia pessoas conversando e uma música lenta tocava. _ Está tudo bem? _ Marianna foi pega de surpresa por Gustavo. _ Sim, eu, eu só vim pegar um pouco de ar fresco. _ Ah, sim, entendi. Falei com a Anna que ia começar a chamar as pessoas para tirar as fotos. Pensei em começar pela família dos noivos e vocês, as amigas. _ E ela? Responder o quê? _ A jovem suspirou, aparentemente irritada. _ Nada, apenas comuniquei porque ia sair da mesa…está tudo bem mesmo? Você parece brava. _ Será que eu não tenho motivos para ficar brava? Você, a uma semana, me evitando não é motivo suficiente para ficar brava? E não venha me dizer que está ocupado, eu sei que está me evitando, Gus… _ Me desculpa, eu não achei que fosse te deixar m*l, ou brava, eu só precisava reorganizar a minha mente. _ Achei que fossemos melhores amigos. _ A garota sorriu, triste. _ E somos! _ A voz de Gustavo soou incerta. _ Melhores amigos podem olhar no olho um do outro e dizer o que há de errado. _ Marianna se aproximou. _ Eu ainda não superei, desculpa. _ Gustavo falou nas entrelinhas, mas sua melhor amiga entendeu. Olhando nos olhos um do outro, Marianna e Gustavo pareciam dizer mais do que as palavras poderiam expressar. A jovem compreendeu que a ausência dele doía em ambos, mas que seria necessário esse tempo distante para que as coisas se acertassem. _ Terei paciência. Quando sua mente estiver organizada, estarei esperando. Gustavo abriu um sorriso e balançou a cabeça, feliz pela compreensão da melhor amiga. _ Obrigada, Mari. _ Gustavo abriu os braços e Mari se aninhou neles. _ Ei, vocês estão aí! Venham, hora da foto! Leandra apareceu no momento exato que o Gustavo saiu do abraço e olhou Marianna nos olhos. Os dois se afastaram, sem jeito, e caminharam para o lado de dentro até a sala de jantar.
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