Capítulo 10

1037 Palavras
Não vou dar detalhes de como começa a nossa hospedagem aqui no refúgio para humanos comuns. Nós nos organizamos no apartamento, quem dormiria onde. Depois descemos e levamos uma peça de roupa, pois, alguém havia aparecido lá para dizer que em duas horas a gente iria tomar banho, era uma processo demorado. A gente usou a água do tanque que é enchido todos os dias com a água do poço, e compartilhado para dois banheiros. Agora são 72 condôminos. A gente toma banho um dia sim, um dia não. Melhor do que esfregar lenços umedecidos passados da validade no corpo todo, ou esperar a chuva chegar. Ah! A chuva. O momento que mais esperamos. Principalmente quando tem tempestade, pois, deixa os amareles loucos. Eles ficam desnorteados por causa do barulho em toda parte, já que são muito atraídos pelo som. Fora que a chuva traz água para nós. A chuva é um ótimo momento para despistarmos os amareles, e gostamos mais ainda quando uma árvore cai em cima de alguns, já que eles não tem noção de perigo, ou quando uma enxurrada leva outros para longe. Infelizmente eles não morrem afogados como nós, ou asfixiados como nós. Podem ficar dias sem oxigênio, até mesmo com água no pulmão. Malditos sejam. Mas vou voltar ao assunto. Depois do banho, voltamos para o nosso AP. Não nos separamos nenhum momento... Daquele dia. O capanga do começo, aquele que "flertou" com Adam, o motivo do ranço de Túlio, aparece a dizer que seriam acordados amanhã às 7:00 horas da manhã, o prefeito tem alguns serviços que precisam ser realizados, e nós não podemos ter regalias, todos precisam ajudar. Acho justo. De qualquer maneira, o capanga diz que eu não preciso, sou muito jovem e frágil, devo ficar em casa. Não posso dizer que me agrado disto. Cansado de ser taxado como tal. Vou dormi às 21:00 horas da noite à luz de velas no sofá da sala, tudo o que ainda me lembro é de que alguém me forrou com um lençol, aposto que foi o Adam. Como fui o único a ficar de vigia naquela madrugada, estava exausto. *** Me vejo só ao acordar. Estou muito grogue. Provavelmente já são mais que sete da manhã, a casa está vazia. Eu começo a perambular sem ter o que fazer, para conhecer mais o ambiente e também para sair deste sentimento de torpor. Vou à cozinha na esperança de encontrar comida e dou graça que encontro. É pão fresco, e café. Meu Deus. Devoro como se nunca mais fosse comer de novo. Acho que eles têm uma padaria aqui. É provável que usam fogão a lenha, ou fogão a gás metano, quem sabe. Tenho certeza que não usam eletricidade para nada. Depois de comer, vou ler os meus livros, José de Alencar vai me esperar mais um pouquinho para eu lê-lo novamente. Tenho livros didáticos que podem me ajudar a eu me intitular professor. O mais jovem do mundo. Sonhar não paga. Tudo o que eu preciso é de um caderno agora. Creio que o Doutor Ferdinando tenha, mas tenho medo de sair sozinho, e quando os meninos chegarem, não poderei mais sair, estamos de quarentena pela suspeita de sermos infectados. *** As horas se passam, o céu escurece aos poucos e os meninos chegam com algumas coisas nas mãos. Eu fico muito feliz. Atrás deles está um dos capangas, aquele de sempre, o reconheço mesmo de máscara, e tranca a porta do lado de fora. Parece que ele é o responsável por nos manter afastado dos demais durante a noite. Os meninos se jogam no sofá, parece que trabalharam pesado. — Estou morto — diz Lucas bastante esbaldado no sofá. Adam vai até a parede e pendura um relógio que aporta para as 18:05 horas da noite. E já nos trancaram? Nem vou falar sobre isso. — Como foi o seu dia, Prego? — pergunta Adam a se jogar no sofá ao lado de Túlio que o abraça como se ele fosse o propriedade dele. — Um tédio — digo —, queria descer para ficar com vocês. — De jeito nenhum — diz Estêvão. — Por quê? Eu aguento trabalhar, gente. — Este não é o problema, Prego. Esse povo daqui é muito p********o. — Eu não aguentava mais me perguntarem se eu era parente do Doutor Ferdinando — diz Túlio —, e se eu topava fazer um ménage com ele. — A todo lugar que eu ia, aparecia alguém dizendo que quando eu saísse da quarentena que eu seria levado para a Noite da Orgia, e que eu seria o Prato Principal — diz Estêvão como se estivesse hipnotizado. — Incrível, todos falaram a mesma coisa. — Já comigo — é a vez de Adam —, tinha um rapaz que não saía do meu pé, encheu o meu saco me chamando para ir atrás do bloco 5 que era o mais desabitado, queria me fazer um o**l e não se importava se eu fosse contaminado ou não, queria morrer pendurado no meu pênis. — Se eu tivesse visto, poria ele no lugar dele — ameaça Túlio. De repente, todos olhamos para o Lucas. Ele está a cutucar as unhas das mãos. — O que foi? — questiona ele. — E você, não foi assediado? — pergunto. — Fui, horrores — ele responde na maior naturalidade o que me faz rir. — Você acha isso normal? — Isso aqui é o paraíso, se eu não fosse casado, eu é quem estaria assediando os outros. — Você é muito s****o — diz Estêvão a brincar e bate no rosto de Lucas suavemente. — Ai! — Lucas geme da maneira mais lasciva que eu já vi, porém, engraçada. — Bate mais forte que eu gosto — ele beija a boca de Estêvão e morde o seu beiço. Todos rimos, Lucas é muito divertido, mas não deixa de ser ousado e p********o. Provavelmente é o garoto mais bonito aqui, e o seu estilo engomadinho revela que ele não deixa de se comportar com um filhinho de papai burguês. — Quando essa quarentena acabar, espero estar bem longe daqui — comenta Adam por fim. Eu concordo em gênero e em número.
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