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1130 Palavras
Meses depois... Os mais velhos dizem que ficar lembrando de quem já se foi e ficar chorando a todo momento pelo falecimento da pessoa só faz m*l, tanto para nós, quanto para essa pessoa. Eu tento não lembrar, tento pensar que ele deve estar em um bom lugar, que com certeza é melhor que o que eu vivo, só que é foda.. muito f**a! Tô vivendo maior perrengue, uma luta e é o que me faz pensar mais ainda nele po. Penso que se ele estivesse aqui, eu não estaria passando por nada disso, sabe? Certeza que ele estaria ao meu lado me segurando nessa barra. Papo reto, minha relação com o marido da minha irmã e ela de tabela nunca foram fáceis, mas nada que fosse nesse extremo, nada que me fizesse achar que ela faria isso comigo por ele! Jeferson sempre teve birra com eles dois, nunca se deram bem e eu sempre dizendo que quem não prestava era ele, que ela era só doida, mas hoje vejo que me enganei. Tirar tudo da própria irmã? Me deixar na casa oca passando fome? Deus é mais! Que irmã é essa? Como é que faz isso comigo nesse momento? Rebecca: Sou eu, mona! Abre aqui. - gritou da rua enquanto batia no meu portão. Levantei e abri a porta, mona nem esperou eu mandar ela entrar, já foi entrando com duas sacolas em mãos e abrindo as janelas todas daqui de casa. Rebecca: Tá maluca pra ficar no escuro com um sol desses c*****o? Para com isso! - falou bolada. Dandara: Eu ia abrir, cara. Rebecca: Ia abrir minha b****a! - falou e eu rir. - Toda vez que eu venho aqui tú fala isso, mona! Não entro nesse golpe. - falou p**a. - Mas ó, trouxe aí pra você. - me entregou duas quentinhas. Dandara: Valeu! - tirei da sacola e comecei a comer. To vivendo assim... papo de doação mesmo. Quando a mãe do Jeferson não me busca pra ficar lá com ela ou me manda almoço, é a vizinha que me dá. Rebecca também me traz almoço, as vezes me leva pra almoçar lá na casa dela e quando não acontece nada disso eu passo fome real. Tenho maior vergonha de pedir, quando me dão tá ok, mas pra eu ficar pedindo de porta em porta eu não vou não! Vizinha no outro dia me perguntando se eu não tinha alguém pra me ajudar, algum parente ou um tia pra me dar uma força e eu só fiz chorar pq não tenho mais ninguém por mim! Era eu e eu mesmo. Olha, é f**a! Todo santo dia tento ser forte, mas é muito complicado... Não consigo um estágio, um menor aprendiz ou um serviço, nada. Nego fala na maior tranquilidade que não trabalha quem não quer, mas sai aí fora você pra procurar pra ver se tu consegue algo. Consegue nada! Hoje em dia é só indicação, é só porque conhece fulano ou foi ciclano que indicou. Quem não tem indicação de ninguém e não tem padrinho nunca acha nada, é só não na cara. Outro dia fiquei na maior felicidade quando através da mãe do Jeferson consegui um serviço pra olhar uma criança, já tava tudo certo até. Pprt, eu na maior alegria a mona vem e me liga um dia antes de eu começar falando que tinha encontrado outra pessoa que morava mais perto e daí ia me dispensar! Fiquei chateada, bateu maior revolta e na minha cabeça se passa só bobagem... Eu to vendo a hora de fazer qualquer merda com a minha vida e parar com esse sofrimento. Rebecca: Hã? Dandara: Tô perguntando se não vai rolar nenhuma festa em sítio dessas que tu vai, nada disso por esses dias pô... - ela me encarou incrédula. Rebecca: Não, não! Inventa não, cara. Quero essa culpa nas minhas costas não de falarem que eu que te levei pro mau caminho. Rebecca colava nessas festas em sítio, muitas era papo de orgia mesmo. Rolava dinheiro, drogas e sexo mas tudo restrito, eu só sabia porque ela me contava porém nunca me disse onde era ou com quem era! Papo reto, tinha vezes que ela passava final de semana fora, sumia do mapa e nem no celular mexia porque não podia usar em certos eventos. Mas também quando voltava era cheia do malote, se montou toda nesse ritmo e com e com a mãe do lado, já que ela também vai! Dandara: Eu quero ir por conta própria, não tem essa de você me colocar em caminho errado não. Sei o que tô fazendo, tenho mais nada a perder não. - falei convicta. - E aí? Rebecca: Pensa bem no que tu quer, Dara... As coisas não são as mil maravilhas, ganho dinheiro, mas também passo por muito aperto que tu nem sabe po, não é um morango não. - falou me encarando. - Ppprt po... É muito macho nojento e escroto que eu tenho que aturar! Muito mesmo! É velho barrigudo da piroca murcha, gordo, novo, o c*****o todo... o que pagar mais alto eu tô indo e nem sempre vale o dinheiro que ganho. Porque tem f**a que não vale nem o que rende tendo que ser humilhada por aqueles macho escroto. - falou serinha. Ela sempre me contou as coisas por alto, contava algumas babados que fazia mais só com quem valia a pena, sabe? Ela nunca citou o lado podre daquilo, nunca falou das vezes que teve que ir com velho, com gordo, com macho sujo e tantas outras coisas mais... Quando ela passou a falar, eu só sabia sentir nojo de certas coisas, fiquei enojada real. Pensei em recuar e até recuei pois cheguei a mudar de ideia. Tirei isso da mente por dias, mas quando eu vi o cerco se fechar mais ainda pra mim não tive jeito, tive que ir! Tava em uma chácara, resenha sexta à noite com umas 20 pessoas. Tinha umas monas e uns caras que eu nunca tinha visto na vida e graças a Deus por isso! Se tivesse gente conhecida aqui eu morreria de vergonha, na verdade minha vergonha seria ainda maior. Dandara: Aquele ali? - olhei na direção que ela deu. - c*****o, aquele velho é maior esculacho. - falei indignada. Rebecca: Mona, não vai achar sempre um Caio Castro aqui nao! - disse debochando. Dandara: Ele é nojento! - falei serinha. Rebecca: Quer o macete? É só sentar de costas pra não ver a cara po. Vai querer ou não? Ele gostou de você, quer dar 700 que o amigo já me deu o papo. Fiquei relutante de início, mas por fim aceitei ne? Só que quando entrei no quarto com esse velho quis desistir na hora, mas infelizmente não deu...
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