📖 Capítulo 12 – O Contra-Ataque

869 Palavras
📖 Narrado pelo Pai da Olivia Eles acham que me conhecem. Que sabem do que sou capaz. Mas ninguém sobrevive tanto tempo nesse mundo sem aprender a pisar firme, a calar quem atrapalha, a construir um império que respira medo e obediência. Cada palavra minha era lei. Cada gesto meu tinha peso, cada olhar impunha silêncio. Olivia… para mim, ela sempre foi só mais uma peça do meu jogo, assim como a mãe dela foi. Um peão que, se obedecesse, garantiria a ordem que construí com sangue, suor e medo. Até que ela começou a desobedecer. — Não é mais aquela menina assustada. Tá diferente — falei, entre dentes, para um dos capangas que se atreveu a comentar sobre ela. Ela queria voz, queria sair da linha, queria desafiar tudo que eu mandei construir. No começo, achei que fosse a perda da mãe mexendo com a cabeça dela, mas quando voltou daquela viagem, diferente, com o olhar firme e a postura de quem viu demais, soube que havia algo — ou alguém — interferindo. Fui atrás. Um nome retornava sempre, ecoando nas bocas dos meus informantes: Kael. — Quem esse tal Kael pensa que é pra se meter com a minha filha? — gritei para o capanga que me trouxe a informação, a voz carregada de raiva e desprezo. — Ex-presidiário, chefe. Dono de morro. Perigoso. Mas pode acabar com ele, como você mandar — respondeu ele, tentando não demonstrar medo. — Quero que acabe com ele devagar. Que ele veja tudo ruir primeiro. Que sinta o medo que eu sinto quando alguém me desafia — ordenei, frio, calculando cada palavra. — E se vacilar, a lição será dolorosa. Subestimei dois fatores. A filha que criei no medo e o homem que não tinha nada a perder. Kael não era apenas forte; ele era determinado. E ele não se intimidava com o poder ou com o passado. Dois dias depois, saindo do prédio, senti a sombra antes de ouvir a voz. — A gente precisa conversar — disse ele, descendo do carro com uma calma que parecia dominar aquele pedaço de asfalto. Por um instante, a única coisa que consegui pensar foi na morte — a minha. Antes que pudesse me mover, três dos capangas dele surgiram, cercando o local. O silêncio era denso, quase sufocante. — Toca na Olivia de novo, e não vai ter hospital que te conserte — falou ele, firme, sem levantar a voz, mas fazendo o mundo ao redor parar. Tentei recuperar o controle, mas minha própria arrogância vacilou diante da presença dele. — Você não sabe com quem está lidando — disse, tentando soar maior do que sentia, mas a voz traiu meu medo. Ele me encarou nos olhos, sem um pingo de temor. — Eu sei exatamente. Você é só um covarde com terno caro e sangue podre. Aqui, você não mete medo. Ele me expôs para minha própria gente. Mostrou provas, denúncias, ameaças. Deixou claro que meu império estava rachando, que o medo que eu cultivava havia sido desafiado. E quando ele se afastou, aquela frase ecoou: — A diferença entre nós é que eu protejo quem amo. Você destrói. E agora, vai cair sozinho. E naquele momento, pela primeira vez em muito tempo… senti medo. Não de morrer, mas de perder o controle. 📖 Narrado por Kael Quando olhei nos olhos dele, vi tudo que Olivia havia suportado durante anos: medo, abuso, manipulação — o tipo de covardia que corrói a alma, que faz a criança aprender a calar-se, a obedecer e a viver com medo. Não queria apenas amedrontá-lo. Queria que ele entendesse que o tempo do silêncio havia acabado, que a vida dela não seria mais usada como moeda de chantagem, que ele não teria mais controle. Deixei que ele visse os rostos das pessoas que ameaçava, que sentisse o pavor no olhar dos aliados dele. Deixei que entendesse que, agora, ele era caçado. Não por vingança, mas por justiça, por proteção. Voltei para o carro e respirei fundo. Precisava que Olivia soubesse que ela não estava mais sozinha. Peguei o celular e disquei. — Tá tudo certo agora — falei quando ela atendeu, a voz firme mas suave. — Ele não vai tocar mais em você. Nunca mais. — As palavras saíram sem esforço, mas carregadas de uma promessa silenciosa. A voz dela tremeu. — Você fez isso por mim? — perguntou, surpresa, com a mistura de medo e esperança na voz. — Não só por você, princesa. Fiz por tudo que você nunca mereceu viver. — Permiti que o silêncio respondesse às lágrimas dela. Naquele dia, não venci apenas uma guerra física. Livrei o mundo dela do monstro que habitava dentro de casa, e, pela primeira vez, pude sentir que nossa batalha conjunta tinha valido cada risco. Olivia não era mais refém do medo; agora, ela tinha escolha, força e alguém disposto a lutar por ela, sempre. Cada detalhe da operação, cada movimento calculado, cada ameaça revertida, havia se tornado uma lição de poder, lealdade e coragem. E eu sabia: proteger Olivia era mais do que obrigação — era compromisso, e nada, nem mesmo os fantasmas do passado dela ou do meu presente, poderia me impedir.
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