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2816 Palavras
CHRISTOPHER Uckermann pov's No dia seguinte, eu acordei um pouco quebrado. Algumas partes do meu corpo estavam doloridas e marcadas. Não imaginei que Dulce iria marcar a minha pele como se estivesse marcando território, mas foi basicamente o que ela fez. Também não imaginei que iria gostar da submissão, mas por mais difícil que seja para mim admitir, eu havia gostado.  Trabalhei apenas até o horário do almoço, aproveitando que meu pai voltou mais cedo e poderia segurar as pontas no escritório sozinho. Naquela tarde, ficar sem fazer nada pareceu ser a melhor opção para o meu corpo derrotado. Enquanto via TV, peguei meu celular para checar as notificações, percebendo uma mensagem enviada por Alfonso poucos minutos atrás.  A - Strip club hoje?  C - Poncho, hoje é terça. A - Eu sei. Então, strip club hoje?  Revirei os olhos e respirei fundo. Qual era o dia da semana? Se eu ia trabalhar no dia seguinte? Isso não importava para ele e eu não o culpava por pensar assim. Fui desligado como Alfonso por muito tempo. Não importasse o dia, a minha agenda ou que horas eram, para mim sempre era hora de encher a cara e t*****r com alguém. Agora essa vidinha miserável parecia bem desgastante. C - Não vai dar. A - Vai sair com a sua médica particular?  C - Não, só não tô disposto. A - Que diabos está acontecendo com você? E  daí que hoje é terça? Para com a frescura e fala que horas eu passo aí pra te buscar. C - Vai me obrigar a sair de casa? A - Talvez.  C - Tenta. Alfonso não respondeu mais e eu sabia que ele estava vindo até a minha casa tentar me convencer a ir com ele para esse strip club. Foi questão de tempo até o porteiro interfonar avisando que ele estava lá. Permiti a entrada e quando a minha campainha tocou, ele já entrou falando sem parar.  — Eu realmente acho que você está mudando pra pior. Onde já se viu recusar uma ida a um strip club? A gente só vai beber e ver algumas garotas dançando nuas, não vai ser nada como as nossas farras tradicionais. Além disso, o Christian vai estar lá.  — Por que não chama o Charles pra ir no meu lugar? — me joguei no sofá e ele sentou na poltrona. — Eu estou tentando evitar o Charles, não é nada pessoal.  — Você tá querendo t*****r com a Anahi, não tá? — cerrei os olhos.  — Em minha defesa...  — Alfonso, por que não vai atrás de uma das suas fixas? Sério, desnecessário criar intriga com o Charles por causa de uma mulher. — Eu não estava de olho na Anahi, mas ela veio dar em cima de mim. Você quer que eu ignore? Eu não posso ignorar.  — Por que ela daria em cima de você? Ela te conhece desde o colégio, sabe que você não presta.  — Obrigado pela parte que me toca. — ironizou. — Mas a Anahi não quer nada sério, ela só quer se divertir e isso é ótimo.  — Achei que ela estivesse se divertindo com o Charles.  — Ele é nosso amigo, mas é sensível demais. Certeza que está sugerindo um relacionamento e a Anahi não quer isso. Eu posso dar o que ela quer. — sorriu.  — O Charles sensível? — franzi a testa.  — Não se surpreenda, você está começando a entendê-lo. — piscou.  — Eu? — continuei com a testa franzida.  — Desde que começou a t*****r com a Dulce Lo... Com a Dulce — corrigiu. — Você tem dado pouca atenção ao que antes era importante pra você.  — Não tem nada a ver com a Dulce, eu só estou cansado. — bufei impaciente. — Não aguentei nem ficar em um escritório trabalhando, acha que vou ficar bebendo a noite toda?  — Não é a noite toda. — revirou os olhos. — Pra ela você sempre está disposto e sempre tem tempo, mas para os seus melhores amigos não? Essa garota está te colando rédeas sem você nem perceber!  — Ela não está... — bufei mais uma vez, esfregando meu rosto com as mãos. — Quer saber? Espera aqui vinte minutos. Vamos até a p***a desse strip club se você prometer que vai parar de choramingar por atenção. — fiquei de pé.  — Prometo. — riu.  Tomei um banho rápido enquanto Alfonso me esperava e depois de me arrumar, nós saímos e passamos na casa de Christian. Chegamos ao strip club e sentamos em uma das mesas, que tinha uma bela garota fazendo pole dance. Ela estava vestindo uma lingerie minúscula e os lábios eram tão vermelhos quanto a fina renda que cobria seus s***s. Ela piscou para mim assim que tomei o meu lugar e eu piquei de volta só por diversão.  — Qual é seu nome, meu anjo? — Alfonso perguntou para ela.  — Você pode me chamar de paraíso, se quiser. — ela disse aproximando-se dele.  — Tem um amigo meu que prefere chamar de doutora. — Alfonso zombou de mim, me dando uma cotovelada em seguida.  Christian riu da piada e eu intercalei o olhar entre os dois de forma séria.  — Nesse caso... — a garota sentou na mesa bem na minha frente e abriu as pernas. — Doutora paraíso. — sibilou de forma sexy.  — Que brega. — falei naturalmente.  A garota franziu a testa olhando para mim como se eu fosse algum esquisito. Christian riu ainda mais e depois puxou sua carteira, tirando de lá uma nota de cem e a colocando na barra da calcinha da stripper.  — Vai dançar, querida. — deu um tapinha na perna dela antes que ela levantasse e voltasse ao pole dance. — Christopher, que p***a foi essa? — perguntou olhando para mim.  — Eu só não gostei do apelido, qual o problema? — suspirei e dei um gole na minha cerveja.  — O problema é você não se lembrar de que essas mulheres sempre falam coisas bregas e que a gente sempre tem que sorrir e dizer que adorou.  — Esquece, Christian, esse aí tá bem avoado. — Alfonso comentou.  — Eu disse que estava cansado. — expliquei.  — Você tá é frouxo. — mais uma cotovelada de leve e dessa vez em uma das partes doloridas do meu corpo.  Fiz careta e coloquei a mão sobre a costela, o que foi suficiente para Alfonso notar que eu estava com algum machucado.  — O que aconteceu? — perguntou com um tom preocupado.  — Nada. Eu só me exercitei demais ontem. — menti.  — Deixa eu ver. — tentou afastar a minha jaqueta, mas eu empurrei sua mão.  — Está tudo bem.  — Christopher, eu estou começando a ficar preocupado de verdade. Você não age assim.  — Agora eu ajo assim. O que vai fazer sobre isso? — fui grosso. — p***a, eu aceitei sair, não aceitei? Cala a boca e presta atenção nela. — acenei com a cabeça em direção à stripper que tinha acabado de retirar o seu sutiã, deixando seus enormes s***s à mostra. Meus dois amigos trocaram olhares desconfortáveis e eu fingi que não reparei. Pelo menos eles pararam de falar sobre mim e como eu estava diferente.  A noite foi passando e eu comecei a me permitir beber um pouco mais do que planejei. O clima pesado havia passado completamente e agora estávamos rindo, relembrando os velhos tempos e em um momento posterior, discutindo sobre beisebol. Reparei em Alfonso tentando flertar com uma das garçonetes que passou por nós e notei que o momento tarado dele já havia sido acendido pelo álcool.  — Tem uma peculiaridade sobre essas meninas. — ele falou se aproximando de nós. — Nós não podemos oferecer dinheiro por sexo, mas se uma delas gostar de um de nós, ela pode oferecer esses serviços por um preço bem justo.  — Eu já estou de olho em uma. Ela não para de me encarar. — Christian falou, sorrindo.  — Eu não saio com prostitutas. — deixei claro.  — Não são prostitutas. São strippers com um combo. — Alfonso disse.  — Ok, vou reformular a frase. — pigarreei. — Eu não saio nem com prostitutas e nem com strippers.  — Quer saber? Eu vou descer de nível. — Poncho pareceu se irritar. — Você está apaixonado.  — Como é? — comecei a rir.  — Eu não sei o que tem no mel daquela b****a com doutorado, mas você se apaixonou por ela!  — Poncho, você está começando a me irritar de verdade. — pressionei o maxilar. — Christian fala pra ele que ele está passando dos limites.  — Olha, eu acho que o Poncho pode estar certo. E antes que você fique puto comigo também, é só pensar um pouco que vai se dar conta de que você só mudou depois que começou a ficar com a Dulce.  — Vocês acham que eu estou apaixonado? — perguntei como se aquilo fosse absurdo.  — Sim! — os dois responderam em uníssono.  — Eu sou o último de vocês que se apaixonaria por alguém! — bebi o meu uísque em um só gole e fiquei de pé.  — O que vai fazer? — Poncho perguntou.  — Mostrar que estão mais do que errados!  Me afastei da mesa e andei em direção à primeira stripper que avistei. Era uma morena que usava uma mini-saia dourada brilhante e um biquíni com o mesmo material. Ela estava sentada sobre uma mesa, bebendo um drink enquanto observava o lugar. Quando viu que eu me aproximava, sorriu daquela forma atrevida que era típica de qualquer stripper.  — Oi, gatinho, o que posso fazer por você hoje? — perguntou assim que parei em sua frente.  — Eu vou ser bem direto com você. — apoiei uma das mãos na mesa e aproximei meu rosto do dela. — Não costumo fazer isso nesses lugares, mas você é mesmo a garota mais gostosa daqui. Posso te levar às alturas por qualquer preço que quiser. — a olhei intensamente, do jeito que fazia quando costumava dar em cima de alguém.  — Sabe, gatinho... — ela dedilhou a minha jaqueta, observando o meu peitoral e depois tornando a olhar em meus olhos. — Geralmente nós somos instruídas a não ceder quando nos pedem esse tipo de serviço, mas eu posso abrir uma exceção pra você.  — Pode? — ergui a sobrancelha.  — Sim. E sabe de mais uma coisa? — começou a sussurrar em meu ouvido. — Eu não vou cobrar nada. Minha recompensa vai ser você me fazendo gozar.  — Pode apostar que eu vou. — sussurrei de volta.  Sem perder tempo, eu a beijei, subindo minhas mãos por suas pernas e fazendo ela descruza-las, abrindo para que eu me encaixasse entre elas. A garota tinha um gosto forte de álcool e bala de cereja e sua língua parecia ser experiente no que fazia. E mesmo que o beijo estivesse ótimo e que eu me concentrasse muito, minha mente vagou até Dulce.  Por uma fração de segundos, eu senti um leve remorço em meu peito e pensei em parar com aquilo, sair daquele lugar e ir para casa. Logo afastei esses pensamentos e segurei o rosto da garota que eu beijava entre minhas mãos, aprofundando mais aquele beijo e proibindo a mim mesmo de pensar em qualquer outra coisa.  Eu não estou apaixonado. Eu não estou apaixonado. Eu não estou apaixonado.  — Aí, seu babaca!  A palavra babaca me fez soltar a garota no mesmo instante e me afastar dela. Quando ela olhou por cima do meu ombro, eu virei e vi que estava sendo encarado por um cara que eu nunca vi na vida, mas com certeza estava puto e bêbado o suficiente para colocar a raiva para fora.  — O que p***a está fazendo!? — me deu um empurrão forte que me fez andar um passo para trás.  — O que p***a você está fazendo!? — o empurrei de volta, tão forte quanto.  — Eu estava com essa garota! Não viu que ela estava quietinha? É porque já tinha companhia! — chegou perto de mim.  Alguns metros atrás dele, Alfonso e Christian ficaram de pé e olharam seriamente para nós, ficando em uma posição de alerta que indicava que os dois avançariam caso eu precisasse de ajuda.  — Você precisa vigiar a comida se estiver guardando pra mais tarde. — sorri de canto, o provocando.  — Acha engraçado? E se eu quebrar a sua cara? Vai ser engraçado?  — Com a sua falta de atenção, duvido que acerte a minha cara. — alfinetei novamente.  Meu comentário foi o suficiente para ele erguer o punho e tentar acertar o meu rosto, sem sucesso já que eu me esquivei. Quando vi que ele tentaria novamente, dei um soco certeiro bem no nariz e ele caiu sobre uma das mesas, obrigando as pessoas que estavam nela a levantarem.  Olhei para a stripper que beijei anteriormente e reparei que ela continuava sentada no mesmo local, tomando o seu drink e sorrindo para mim como quem diz "você é o escolhido". Sorri para ela maliciosamente e essa distração foi suficiente para o cara levantar e me pegar de surpresa.  Ele agarrou a gola da minha jaqueta e por mais que eu tivesse tentado me defender, ele me empurrou contra as prateleiras de bebida, fazendo a maior parte cair e se estilhaçar. Fechei meus olhos temendo ser cortado por algum caco de vidro ao mesmo tempo que tentava afastá-lo de mim. Nesse momento, Alfonso e Christian vieram correndo e agarraram os braços do cara, o tirando de cima de mim.  Mais rápido do que eu pude perceber, os seguranças vieram e colocaram todos nós para fora. Os amigos do outro cara também saíram e o arrastaram para dentro de um carro assim que ele começou a me xingar no estacionamento, ameaçando quebrar a minha cara ali mesmo.  — Cara, você tem merda na cabeça? — Poncho me deu um tapa na nuca. — Não viu que a garota estava parada esperando alguém?  — A v***a se ofereceu pra mim! Como eu ia adivinhar que já tinha se oferecido pra alguém antes?  — Christopher, são strippers que se prostituem! Elas sempre estão esperando por alguém! — outro tapa.  — Você queria provar que não está apaixonado e quase recebeu uma garrafada na cabeça. Parabéns! — Christian debochou.  — Vamos sair daqui. Você precisa tirar os restinhos de vidro do seu cabelo. — Poncho bagunçou o meu cabelo e depois começou a andar até o seu carro, sendo seguindo por mim e por Christian.  DULCE Saviñon pov's Já era sexta de manhã e o aniversário da vovó aconteceria em poucas horas. Finalmente decidi tudo com o meu sócio e eu era oficialmente independente no meu negócio. Já estava maquinando uma expansão da clínica psiquiátrica, pensando em contratar novos médicos e enfermeiros e aumentar o número de internações.  Para comemorar a minha conquista, preparei um bom café da manhã e combinei de fazer uma vídeo chamada com meu primo Hart para contar mais sobre a novidade.  — Oi! — sorri quando ele apareceu na tela, mas parei de sorrir assim que prestei mais atenção nele. — Ah, meu Deus, o que aconteceu com o seu rosto? — arregalei os olhos.  — Briguei com um filho da p**a em um strip club na terça-feira.  — E qual mentira vai contar quando os Saviñon quiserem saber o que aconteceu?  — Que uma garota estava sendo assediada em uma balada comum e que eu a defendi. — riu.  — Esperto. — assenti positivamente. — Mas sério, toma cuidado quando for a lugares assim, não arranja problema com ninguém. Você poderia ter se dado m*l.  — Eu estou bem, relaxa. Da próxima vez não vou beber tanto e acabar dando em cima de uma stripper.  — Que declínio. — debochei, negando com a cabeça.  — Mas vamos falar de você. Animada com os novos rumos da sua carreira?  — Super! Eu vou muito longe com esse novo projeto e se eu chegar a fazer contratações suficientes, posso trabalhar menos e usar o meu tempo livre em hospitais comunitários ajudando pessoas que não podem pagar por um plano de saúde.  — Você sempre sonhou com isso, não é? — sorriu.  — Sim. Um dia eu quero parar de trabalhar para o dinheiro e fazer o dinheiro trabalhar pra mim.  — Tia Blanca vai surtar.  — Não vai não. Você soube que eu estou namorando?  — Sim, ela contou pra família toda. — riu.  — Eu imaginei. — sorri de canto. — Vou apresentar o meu namorado pra vocês hoje à noite e a minha mãe vai estar tão distraída aprovando o meu namorando empresário que nem vai se importar quando eu disser que expandi as minhas responsabilidades profissionais.  — Você se apaixonou na hora certa afinal.  — É. Acho que foi o destino.
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