CHRISTOPHER Uckermann pov's
No dia seguinte, eu acordei um pouco quebrado. Algumas partes do meu corpo estavam doloridas e marcadas. Não imaginei que Dulce iria marcar a minha pele como se estivesse marcando território, mas foi basicamente o que ela fez. Também não imaginei que iria gostar da submissão, mas por mais difícil que seja para mim admitir, eu havia gostado.
Trabalhei apenas até o horário do almoço, aproveitando que meu pai voltou mais cedo e poderia segurar as pontas no escritório sozinho. Naquela tarde, ficar sem fazer nada pareceu ser a melhor opção para o meu corpo derrotado. Enquanto via TV, peguei meu celular para checar as notificações, percebendo uma mensagem enviada por Alfonso poucos minutos atrás.
A - Strip club hoje?
C - Poncho, hoje é terça.
A - Eu sei. Então, strip club hoje?
Revirei os olhos e respirei fundo. Qual era o dia da semana? Se eu ia trabalhar no dia seguinte? Isso não importava para ele e eu não o culpava por pensar assim. Fui desligado como Alfonso por muito tempo. Não importasse o dia, a minha agenda ou que horas eram, para mim sempre era hora de encher a cara e t*****r com alguém. Agora essa vidinha miserável parecia bem desgastante.
C - Não vai dar.
A - Vai sair com a sua médica particular?
C - Não, só não tô disposto.
A - Que diabos está acontecendo com você? E daí que hoje é terça? Para com a frescura e fala que horas eu passo aí pra te buscar.
C - Vai me obrigar a sair de casa?
A - Talvez.
C - Tenta.
Alfonso não respondeu mais e eu sabia que ele estava vindo até a minha casa tentar me convencer a ir com ele para esse strip club. Foi questão de tempo até o porteiro interfonar avisando que ele estava lá. Permiti a entrada e quando a minha campainha tocou, ele já entrou falando sem parar.
— Eu realmente acho que você está mudando pra pior. Onde já se viu recusar uma ida a um strip club? A gente só vai beber e ver algumas garotas dançando nuas, não vai ser nada como as nossas farras tradicionais. Além disso, o Christian vai estar lá.
— Por que não chama o Charles pra ir no meu lugar? — me joguei no sofá e ele sentou na poltrona.
— Eu estou tentando evitar o Charles, não é nada pessoal.
— Você tá querendo t*****r com a Anahi, não tá? — cerrei os olhos.
— Em minha defesa...
— Alfonso, por que não vai atrás de uma das suas fixas? Sério, desnecessário criar intriga com o Charles por causa de uma mulher.
— Eu não estava de olho na Anahi, mas ela veio dar em cima de mim. Você quer que eu ignore? Eu não posso ignorar.
— Por que ela daria em cima de você? Ela te conhece desde o colégio, sabe que você não presta.
— Obrigado pela parte que me toca. — ironizou. — Mas a Anahi não quer nada sério, ela só quer se divertir e isso é ótimo.
— Achei que ela estivesse se divertindo com o Charles.
— Ele é nosso amigo, mas é sensível demais. Certeza que está sugerindo um relacionamento e a Anahi não quer isso. Eu posso dar o que ela quer. — sorriu.
— O Charles sensível? — franzi a testa.
— Não se surpreenda, você está começando a entendê-lo. — piscou.
— Eu? — continuei com a testa franzida.
— Desde que começou a t*****r com a Dulce Lo... Com a Dulce — corrigiu. — Você tem dado pouca atenção ao que antes era importante pra você.
— Não tem nada a ver com a Dulce, eu só estou cansado. — bufei impaciente. — Não aguentei nem ficar em um escritório trabalhando, acha que vou ficar bebendo a noite toda?
— Não é a noite toda. — revirou os olhos. — Pra ela você sempre está disposto e sempre tem tempo, mas para os seus melhores amigos não? Essa garota está te colando rédeas sem você nem perceber!
— Ela não está... — bufei mais uma vez, esfregando meu rosto com as mãos. — Quer saber? Espera aqui vinte minutos. Vamos até a p***a desse strip club se você prometer que vai parar de choramingar por atenção. — fiquei de pé.
— Prometo. — riu.
Tomei um banho rápido enquanto Alfonso me esperava e depois de me arrumar, nós saímos e passamos na casa de Christian. Chegamos ao strip club e sentamos em uma das mesas, que tinha uma bela garota fazendo pole dance. Ela estava vestindo uma lingerie minúscula e os lábios eram tão vermelhos quanto a fina renda que cobria seus s***s. Ela piscou para mim assim que tomei o meu lugar e eu piquei de volta só por diversão.
— Qual é seu nome, meu anjo? — Alfonso perguntou para ela.
— Você pode me chamar de paraíso, se quiser. — ela disse aproximando-se dele.
— Tem um amigo meu que prefere chamar de doutora. — Alfonso zombou de mim, me dando uma cotovelada em seguida.
Christian riu da piada e eu intercalei o olhar entre os dois de forma séria.
— Nesse caso... — a garota sentou na mesa bem na minha frente e abriu as pernas. — Doutora paraíso. — sibilou de forma sexy.
— Que brega. — falei naturalmente.
A garota franziu a testa olhando para mim como se eu fosse algum esquisito. Christian riu ainda mais e depois puxou sua carteira, tirando de lá uma nota de cem e a colocando na barra da calcinha da stripper.
— Vai dançar, querida. — deu um tapinha na perna dela antes que ela levantasse e voltasse ao pole dance. — Christopher, que p***a foi essa? — perguntou olhando para mim.
— Eu só não gostei do apelido, qual o problema? — suspirei e dei um gole na minha cerveja.
— O problema é você não se lembrar de que essas mulheres sempre falam coisas bregas e que a gente sempre tem que sorrir e dizer que adorou.
— Esquece, Christian, esse aí tá bem avoado. — Alfonso comentou.
— Eu disse que estava cansado. — expliquei.
— Você tá é frouxo. — mais uma cotovelada de leve e dessa vez em uma das partes doloridas do meu corpo.
Fiz careta e coloquei a mão sobre a costela, o que foi suficiente para Alfonso notar que eu estava com algum machucado.
— O que aconteceu? — perguntou com um tom preocupado.
— Nada. Eu só me exercitei demais ontem. — menti.
— Deixa eu ver. — tentou afastar a minha jaqueta, mas eu empurrei sua mão.
— Está tudo bem.
— Christopher, eu estou começando a ficar preocupado de verdade. Você não age assim.
— Agora eu ajo assim. O que vai fazer sobre isso? — fui grosso. — p***a, eu aceitei sair, não aceitei? Cala a boca e presta atenção nela. — acenei com a cabeça em direção à stripper que tinha acabado de retirar o seu sutiã, deixando seus enormes s***s à mostra.
Meus dois amigos trocaram olhares desconfortáveis e eu fingi que não reparei. Pelo menos eles pararam de falar sobre mim e como eu estava diferente.
A noite foi passando e eu comecei a me permitir beber um pouco mais do que planejei. O clima pesado havia passado completamente e agora estávamos rindo, relembrando os velhos tempos e em um momento posterior, discutindo sobre beisebol. Reparei em Alfonso tentando flertar com uma das garçonetes que passou por nós e notei que o momento tarado dele já havia sido acendido pelo álcool.
— Tem uma peculiaridade sobre essas meninas. — ele falou se aproximando de nós. — Nós não podemos oferecer dinheiro por sexo, mas se uma delas gostar de um de nós, ela pode oferecer esses serviços por um preço bem justo.
— Eu já estou de olho em uma. Ela não para de me encarar. — Christian falou, sorrindo.
— Eu não saio com prostitutas. — deixei claro.
— Não são prostitutas. São strippers com um combo. — Alfonso disse.
— Ok, vou reformular a frase. — pigarreei. — Eu não saio nem com prostitutas e nem com strippers.
— Quer saber? Eu vou descer de nível. — Poncho pareceu se irritar. — Você está apaixonado.
— Como é? — comecei a rir.
— Eu não sei o que tem no mel daquela b****a com doutorado, mas você se apaixonou por ela!
— Poncho, você está começando a me irritar de verdade. — pressionei o maxilar. — Christian fala pra ele que ele está passando dos limites.
— Olha, eu acho que o Poncho pode estar certo. E antes que você fique puto comigo também, é só pensar um pouco que vai se dar conta de que você só mudou depois que começou a ficar com a Dulce.
— Vocês acham que eu estou apaixonado? — perguntei como se aquilo fosse absurdo.
— Sim! — os dois responderam em uníssono.
— Eu sou o último de vocês que se apaixonaria por alguém! — bebi o meu uísque em um só gole e fiquei de pé.
— O que vai fazer? — Poncho perguntou.
— Mostrar que estão mais do que errados!
Me afastei da mesa e andei em direção à primeira stripper que avistei. Era uma morena que usava uma mini-saia dourada brilhante e um biquíni com o mesmo material. Ela estava sentada sobre uma mesa, bebendo um drink enquanto observava o lugar. Quando viu que eu me aproximava, sorriu daquela forma atrevida que era típica de qualquer stripper.
— Oi, gatinho, o que posso fazer por você hoje? — perguntou assim que parei em sua frente.
— Eu vou ser bem direto com você. — apoiei uma das mãos na mesa e aproximei meu rosto do dela. — Não costumo fazer isso nesses lugares, mas você é mesmo a garota mais gostosa daqui. Posso te levar às alturas por qualquer preço que quiser. — a olhei intensamente, do jeito que fazia quando costumava dar em cima de alguém.
— Sabe, gatinho... — ela dedilhou a minha jaqueta, observando o meu peitoral e depois tornando a olhar em meus olhos. — Geralmente nós somos instruídas a não ceder quando nos pedem esse tipo de serviço, mas eu posso abrir uma exceção pra você.
— Pode? — ergui a sobrancelha.
— Sim. E sabe de mais uma coisa? — começou a sussurrar em meu ouvido. — Eu não vou cobrar nada. Minha recompensa vai ser você me fazendo gozar.
— Pode apostar que eu vou. — sussurrei de volta.
Sem perder tempo, eu a beijei, subindo minhas mãos por suas pernas e fazendo ela descruza-las, abrindo para que eu me encaixasse entre elas. A garota tinha um gosto forte de álcool e bala de cereja e sua língua parecia ser experiente no que fazia. E mesmo que o beijo estivesse ótimo e que eu me concentrasse muito, minha mente vagou até Dulce.
Por uma fração de segundos, eu senti um leve remorço em meu peito e pensei em parar com aquilo, sair daquele lugar e ir para casa. Logo afastei esses pensamentos e segurei o rosto da garota que eu beijava entre minhas mãos, aprofundando mais aquele beijo e proibindo a mim mesmo de pensar em qualquer outra coisa.
Eu não estou apaixonado. Eu não estou apaixonado. Eu não estou apaixonado.
— Aí, seu babaca!
A palavra babaca me fez soltar a garota no mesmo instante e me afastar dela. Quando ela olhou por cima do meu ombro, eu virei e vi que estava sendo encarado por um cara que eu nunca vi na vida, mas com certeza estava puto e bêbado o suficiente para colocar a raiva para fora.
— O que p***a está fazendo!? — me deu um empurrão forte que me fez andar um passo para trás.
— O que p***a você está fazendo!? — o empurrei de volta, tão forte quanto.
— Eu estava com essa garota! Não viu que ela estava quietinha? É porque já tinha companhia! — chegou perto de mim.
Alguns metros atrás dele, Alfonso e Christian ficaram de pé e olharam seriamente para nós, ficando em uma posição de alerta que indicava que os dois avançariam caso eu precisasse de ajuda.
— Você precisa vigiar a comida se estiver guardando pra mais tarde. — sorri de canto, o provocando.
— Acha engraçado? E se eu quebrar a sua cara? Vai ser engraçado?
— Com a sua falta de atenção, duvido que acerte a minha cara. — alfinetei novamente.
Meu comentário foi o suficiente para ele erguer o punho e tentar acertar o meu rosto, sem sucesso já que eu me esquivei. Quando vi que ele tentaria novamente, dei um soco certeiro bem no nariz e ele caiu sobre uma das mesas, obrigando as pessoas que estavam nela a levantarem.
Olhei para a stripper que beijei anteriormente e reparei que ela continuava sentada no mesmo local, tomando o seu drink e sorrindo para mim como quem diz "você é o escolhido". Sorri para ela maliciosamente e essa distração foi suficiente para o cara levantar e me pegar de surpresa.
Ele agarrou a gola da minha jaqueta e por mais que eu tivesse tentado me defender, ele me empurrou contra as prateleiras de bebida, fazendo a maior parte cair e se estilhaçar. Fechei meus olhos temendo ser cortado por algum caco de vidro ao mesmo tempo que tentava afastá-lo de mim. Nesse momento, Alfonso e Christian vieram correndo e agarraram os braços do cara, o tirando de cima de mim.
Mais rápido do que eu pude perceber, os seguranças vieram e colocaram todos nós para fora. Os amigos do outro cara também saíram e o arrastaram para dentro de um carro assim que ele começou a me xingar no estacionamento, ameaçando quebrar a minha cara ali mesmo.
— Cara, você tem merda na cabeça? — Poncho me deu um tapa na nuca. — Não viu que a garota estava parada esperando alguém?
— A v***a se ofereceu pra mim! Como eu ia adivinhar que já tinha se oferecido pra alguém antes?
— Christopher, são strippers que se prostituem! Elas sempre estão esperando por alguém! — outro tapa.
— Você queria provar que não está apaixonado e quase recebeu uma garrafada na cabeça. Parabéns! — Christian debochou.
— Vamos sair daqui. Você precisa tirar os restinhos de vidro do seu cabelo. — Poncho bagunçou o meu cabelo e depois começou a andar até o seu carro, sendo seguindo por mim e por Christian.
DULCE Saviñon pov's
Já era sexta de manhã e o aniversário da vovó aconteceria em poucas horas. Finalmente decidi tudo com o meu sócio e eu era oficialmente independente no meu negócio. Já estava maquinando uma expansão da clínica psiquiátrica, pensando em contratar novos médicos e enfermeiros e aumentar o número de internações.
Para comemorar a minha conquista, preparei um bom café da manhã e combinei de fazer uma vídeo chamada com meu primo Hart para contar mais sobre a novidade.
— Oi! — sorri quando ele apareceu na tela, mas parei de sorrir assim que prestei mais atenção nele. — Ah, meu Deus, o que aconteceu com o seu rosto? — arregalei os olhos.
— Briguei com um filho da p**a em um strip club na terça-feira.
— E qual mentira vai contar quando os Saviñon quiserem saber o que aconteceu?
— Que uma garota estava sendo assediada em uma balada comum e que eu a defendi. — riu.
— Esperto. — assenti positivamente. — Mas sério, toma cuidado quando for a lugares assim, não arranja problema com ninguém. Você poderia ter se dado m*l.
— Eu estou bem, relaxa. Da próxima vez não vou beber tanto e acabar dando em cima de uma stripper.
— Que declínio. — debochei, negando com a cabeça.
— Mas vamos falar de você. Animada com os novos rumos da sua carreira?
— Super! Eu vou muito longe com esse novo projeto e se eu chegar a fazer contratações suficientes, posso trabalhar menos e usar o meu tempo livre em hospitais comunitários ajudando pessoas que não podem pagar por um plano de saúde.
— Você sempre sonhou com isso, não é? — sorriu.
— Sim. Um dia eu quero parar de trabalhar para o dinheiro e fazer o dinheiro trabalhar pra mim.
— Tia Blanca vai surtar.
— Não vai não. Você soube que eu estou namorando?
— Sim, ela contou pra família toda. — riu.
— Eu imaginei. — sorri de canto. — Vou apresentar o meu namorado pra vocês hoje à noite e a minha mãe vai estar tão distraída aprovando o meu namorando empresário que nem vai se importar quando eu disser que expandi as minhas responsabilidades profissionais.
— Você se apaixonou na hora certa afinal.
— É. Acho que foi o destino.