6 Drake

1563 Palavras
O tempo passa e as coisas vão mudando, seja para a melhor ou para a pior. “Na noite estrelada, nos dias de chuva, no sol da manhã, as flores ainda terão perfume, ainda florescerão…” Foi o canto que ouvi quando acordei, tudo o que tenho escutado desde às 4:00 da manhã aproximadamente. A verdade é que você precisa estar disposto ao risco, estar sempre tendo a idéia de que as coisas podem sair do controle a qualquer hora,e você não tem o controle disso. Acordo, quando olho para o lado vejo ela, minha garota. Dormindo como se o mundo estivesse saudável e não tivessem centenas soldados atrás dela. Mas está tudo bem, porque agora a tenho. Irei fazer o meu possível. Levanto cuidadosamente e caminho para fora da casa depois de trocar de roupa, por uma roupa um pouco mais velha para ser mais exato. Caminho em direção ao campo, me preparo para começar a ajudar no cultivo, essa é a minha nova rotina agora. — Bom dia, Zach. — Calleb me cumprimentou quando saio de dentro de casa. — Para onde vai? — Não tenho o que fazer, estou acostumado a estar sempre ativo… vou ajudar trabalhando na colheita. Calleb ergueu as sobrancelhas e assentiu. Enquanto caminhávamos conversávamos sobre algumas coisas da colheita, inventei algumas histórias que claramente não eram verdadeiras, mas eu precisava improvisar. — Vocês recebem muitos turistas aqui? — Questionei. — Na verdade não, mas as vezes alguns se abrigam aqui. Não gosto muito, nosso campo não é um abrigo para turistas, mas por mim tudo bem que se instalem aqui. — Ele deu de ombros. — Está tudo bem mesmo? — Está, rapazinho. — Bateu no meu ombro e riu. — Há umas semanas atrás um príncipe veio deixar uma moça aqui, a coitada está grávida, passou m*l algumas vezes. Acredito que tenha sido por causa da viagem a cavalo. — Provavelmente deve ser a amante, ele não queria deixá-la perto da sua família. — Balancei a cabeça indignado. — A sua noiva está cansada da viagem? Por isso não levantou? — Ah… — Eu esqueci do detalhe que donas de casa acordam cedo para trabalhar, e Amice nunca nem sequer acordou cedo na vida. — Ela está indisposta, quando levantei quis levantar também mas não permiti. — Está certo, não é bom ela trabalhar estando adoentada. O que ela sente? Posso pedir para Maya cuidar dela, Debby pode piorar e isso não é bom. — Não! — Minha negação saiu tão alta que fez com que Calleb me olhasse confuso. — Ela vai ficar bem, é normal por causa da viagem, não precisa se preocupar. Ele me olhou por uns segundos, pegou algumas ferramentas de dentro do celeiro e me entregou. — Se você diz. Vamos, você quer mesmo ajudar? Pode ir descansar se quiser, só por hoje. — Quero, sou acostumado a estar sempre ativo. Não consigo ficar quieto. — Ótimo. Homem de verdade tem que ser assim. Abro a porta e caminho para dentro de casa, vejo então Amice no corredor ainda de roupas de dormir. A olho dos pés a cabeça e sorri de canto me virando para fechar a porta. — Onde você foi? — Ela questionou. — Camponeses tem o costume de acordar cedo e trabalhar, Amice. — Ah… eu… — Ela coçou a nuca. — Eu tenho que fingir que tenho esse costume desde criança, não é? — Exatamente. Pessoas com esse costume desde sempre, não conseguem dormir até um pouco mais tarde. — Mas, Drake, eu não sei nem sequer o que tenho que fazer. Não sei cozinhar nada, e muito menos como funciona um trabalho doméstico. — Amice apontou com um certo temor no tom de voz. — Você vai aprender rápido, Amice. Confio na sua capacidade. — Digo sentando na ponta da cama. Logo em seguida, falo em um murmuro mais para mim mesmo, porém Amice também consegue ouvir. — A parte r**m é que não podemos nem sequer pedir ajuda a alguma camponesa, e eu não posso ajudar você. Amice caminha de um lado para o outro pelo quarto, se escora em alguma parede e esconde o rosto nas mãos enquanto respira fundo. — As coisas seriam mais fáceis se eu não fosse uma mimada, princesinha mimada… — Resmungou chutando a parede e reclamando de dor no mesmo instante, me fazendo rir. — Está tudo bem, Amice. Não é possível que você nunca nem sequer viu uma criada fazendo o trabalho dela, você nunca viu uma criada mexendo em uma vassoura? — Claro que vi, Drake. Mas o que vou fazer se me pedirem para ajudar na cozinha? — Amice começou a ficar vermelha. — Você pode começar praticando aqui. Eu ajudo você, tente praticar como arruma nossa casa e então pelo menos para alguma coisa você estará preparada. — Obrigada, Drake. Tempos atrás… Carregava Magnus enquanto ele tropeçava nos próprios pés, cambaleava e quase me derrubava junto com ele. As vezes suspeito que me deram ele para cuidar, não porque havia necessidade, mas sim porque ninguém tem paciência para cuidar dele. Então sobrou para um escudeiro, ficar o dia inteiro correndo atrás desse i****a. — Noite pas-sada fui na casa delia, da Emília a que t-te faliei. A mais formosa das mulhieres, e elia não me deixou entrar, acredita? Vagabunda. — Magnus resmungava com seu tom de voz alcoolizado reconhecível a quilômetros de distância. Seu cheiro de álcool me enojava. O ajudava a subir os degraus do castelo, mas ele caía ajoelhado a cada degrau que subia me fazendo respirar fundo para não perder a paciência e não desistir de nós dois. Meus punhos cerravam de raiva ao ouvir cada palavra que ele citava sobre Emília, e eu sentia vontade de derrubá-lo desses degraus porque tenho plena ciência que Frances não ia ao menos se importar. Magnus precisava de uma babá, então por isso o presentearam com um escudeiro. — Ah, finalmente. Eu estava à espera de vocês, o Rei pediu para que quando vocês chegassem fossem até a sala do trono. — A criada avisou caminhando em nossa direção quando entro pela porta dos fundos. — Mais especificamente, por Magnus, não é? — Questionei irônico arrastando ele para a sala do trono. O suor escorria por minha testa e meus braços nem faziam mais parte do meu corpo já que eu não os sentia mais. Quando chego até metade da sala do trono solto Magnus, ele cai deitado no chão e balanço os braços na tentativa de senti-los novamente. — Você está nesse estado a essa hora da manhã, Magnus? Mas que diabos! — Frances resmungou aos berros, a Rainha pedindo paciência para ele enquanto massageava seus ombros apenas nos olhava de relance. — Magnus! — O chamei enquanto o balançava com o pé. Ele levanta o tronco ficando de joelhos e de frente para Frances, seu irmão. — A que devo a honra, Frances? — Ele questionou com a voz sonolenta demais, arrastada igual a de um alcoólatra. — Você ouve as notícias por aí, Magnus? — Não, e não me interessam. — Pois está manhã, recebi uma notícia que me proporcionou um grande, extremo interesse. Acredita, meu irmão? — O tom de voz de Frances saiu com um pouco de humor e ironia. — Não estou interessa… — Magnus resmungou, mas Frances o interrompeu. — Você vai tomar uma dose de vergonha na cara, vai fazer a barba e cortar o cabelo, vestir roupas limpas e cheirosas, e vai até o Reino de Eratos essa noite. — Como é? — Não ouviu direito? Eratos não tem herdeiro, e o Rei está convocando todos os príncipes para fazer uma aliança de casar com a sua filha mais velha e herdar o trono. — Frances explicou simples. — Não é ótimo, Magnus? Você será Rei, e ainda terá uma esposa de brinde. Talvez assim você crie juízo. Ficou um silêncio na sala, Magnus não dizia uma única só palavra enquanto Frances o encarava. — Se me permite, Senhor. — Pedi permissão para falar e Frances assentiu. – Terei que ir junto, Vossa Alteza? — Sim, Drake Cadman. E cuide para que tudo fique bem, e que esse i****a não faça nenhuma idiotice. Não deixe ele nem sequer chegar perto de álcool. — Eu não vou. — Magnus murmurou. — Eu não vou! — Ele se opõe aos berros. — Você não tem escolha, Magnus. — Frances falou simples. — Você não pode me obrigar! — Ele choramingava igual uma criança. — Eu não quero casar com ninguém. — Se você não for, se você fizer alguma besteira para não ser escolhido de propósito, esse castelo não será mais a sua casa. Você irá virar um camponês e trabalhar no campo como os humildes, estou avisando. — Você não pode fazer isso. — Eu sou o Rei, faço o que me der vontade. E se você se opor, eu ainda prendo você em cativeiro com os criminosos de Eldoria. — Não, não, não, não e não. — Magnus resmungava. — Leve-o para os seus aposentos e jogue um balde de água gelada nele para ver se esse i****a para de ser i****a, Cadman. — Frances ordenou. Impossível. Levantei Magnus do chão o apoiando em mim e saí caminhando com ele enquanto o mesmo esperneava e gritava. — Eu não vou casar… eu não vou!
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