João Santore
Acordo um pouco assustado ao escutar ao longe um som alto e estridente, abro devagar meus olhos e ao tentar me levantar, braços fortes me impedem, abaixo o olhar e noto os braços me apertando com certa força, e estranhamente me sinto muito seguro, viro meu rosto como posso e noto Ryder atrás de mim, assim como sua respiração lenta em meus cabelos, com um pouco de custo me desvencilho dele, sentado na cama olho cada ponto de seu rosto adormecido, a expressão serena, as sobrancelhas grossas, os lábios vermelhos e muito convidativo, lembrar que eu beijei esses lábios faz meu dedos tocarem os meu próprios inconscientemente. Que beijo maravilhoso ele tem.
Saio da cama com cuidado e abro a porta do quarto de Ryder, ele fez questão que dormíssemos juntos em sua cama, me senti tímido, e meu rosto esquentou, mas ele logo me tranquilizou que era apenas dormi, estávamos num começo de algo legal e ele não quer apressar nada, me sinto até estranho ao ter alguém cuidando tão bem assim de mim, que me respeita, sabe dos meus limites e não força nada comigo.
Ryder sabe ser gentil e cuidadoso, acho que eu já falei tanto isso, ele é um perfeito cavalheiro, me trata com tanto amor.
Chego à sala conseguindo pegar meu celular quando se inicia uma nova chamada, é de um número desconhecido, atendo.
— João. — A voz do outro lado não me parece estranha.
— Sim.
Digo apenas esperando por uma resposta.
— É o Alvarez, falei com você em sua loja que tinha pegado fogo.
— Ah, sim, lembro do senhor.
— Liguei o mais rápido que pude quando nossos profissionais examinaram a área do acidente, ontem, passaram o resto da tarde investigando o estabelecimento, era tarde da noite quando tivemos respostas concretas, então deixei para ligar essa manhã.
— Claro, então, o que aconteceu na loja?
— Foi apenas um acidente, fios desencapados, realmente, não houve outra origem, ou provas que tenham sido intencionalmente, depois de uma boa reforma, e uma inspeção, a loja poderá ser aberta.
— Claro, muito obrigado pelo seu trabalho.
Ele desliga a chamada em seguida e fico ali, sento-me sobre o sofá e olho para a parede, pensando se fico aliviado por ter sido algo que eu deixei de ver ou triste pela minha incompetência, pois por breves segundos me veio a mente que poderia ter sido algo que Edgar fez para se vingar de mim, eu nunca o conheci e realmente, dois anos ao lado dele e depois de muito pensar sobre o tempo que ficamos juntos, não me surpreenderia que ele fizesse algo assim para que eu sofresse.
Não saber a intenção do outro me faz ter medo, acredita em alguém para logo depois ser feito de trouxa.
Meus ombros caem, eu fui tão irresponsável com a loja e com quem trabalha lá, com Pri, Augusto, eu coloquei a vida deles em perigo.
— João?
Viro o rosto para o corredor, Ryder vem de lá com sua cara de sono, ele me encontra sentado no sofá, deve notar minha expressão de preocupação e culpa. Ele vem até a mim, está apenas de bermudas, seu peitoral a mostra, o mesmo que eu me aconcheguei ontem a noite e dormi tranquilamente, ele se senta ao meu lado e me abraça de lado, colocando sua cabeça em meu ombro, eu suspiro feliz, ter esse contato com ele, essa aproximação me deixa muito feliz, quase nas nuvens.
— O que aconteceu meu bolinho? — Sua voz soa preocupada e deixa um beijo em meu ombro, voltando a deitar sua cabeça no lugar, seguro seu braço que está em minha barriga e suspiro.
— Foi um acidente, fios desencapados. O policial acabou de me ligar e avisar. — Seu corpo parece relaxar contra o meu.
— Isso é bom.
— É, é sim. — Ele levanta seu rosto, segura meu queixo e faz com que eu encare seus olhos.
— Por que você não parece aliviado?
— Foi culpa minha. — Digo por fim, depois de alguns minutos encarando seus olhos, ele me olha cheio de ternura e compreensão.
— Você não tem culpa, foi um descuido, mas agora vai servir de alerta e tenho certeza de que não voltará cometer o mesmo erro.
Ele me tranquiliza, apertando minhas mãos contra as suas e me fazendo deitar contra seu peito, sinto a pele quente contra minha bochecha e sorrio.
— Fico aliviado que não nada a ver com o Edgar.
Me levanto, vendo a expressão que quase beira a assassina em seu rosto, meu corpo treme.
— Você também pensou que tivesse um dedo dele?
— Claro que sim, ele não parecia feliz e nem aceitar que te perdeu, claro que estou com medo de que ele tente algo contra você.
Meu coração se aquece com sua voz, ela passa proteção.
— Eu também fiquei com medo, mas tenho você, sei que me protegeria. — Sorrio grande para ele, que me olha com carinho.
— Eu nunca vou deixar que te machuquem novamente, o que eu puder fazer eu irei, te protegerei de tudo que eu puder.
— Eu sei que vai.
Ele segura meu rosto com suas mãos e aproxima seu rosto do meu, mas eu travo, me afastando.
— O que aconteceu? — Ele pergunta, mas nesse momento o medo me consome, estou tão quebrado, deixei que algo assim acabasse com minha loja, pela primeira vez tenho um homem maravilhoso ao meu lado, será que vou dar conta disso? Ou vou acabar estragando tudo? Assim como estrago tudo o que eu toco?
— Estou com medo de acabar estragando isso que temos, parece que eu estrago tudo que faço, estrago tudo que está a minha volta, não consigo manter um relacionamento, me relaciono com pessoas que não valem a pena, eu estrago tudo. Estou com medo.
— Eu disse que não sairia do seu lado, e isso não é verdade João, todos cometemos erros, só temos que buscar concertá-los, uma pessoa r**m passou pela sua vida, isso não quer dizer que tem que se fechar para todas as outras. Você não estraga nada, coisas ruins acontecem o tempo todo, temos que buscar pelas boas e lutar por elas, para manter elas, então não me afasta, vamos continuar construindo isso que temos, vamos continuar a regar, um dia será uma linda árvore, eu vou ajudar a cuidar do terreno, farei o que estiver ao meu alcance para que cresça bem, cheia de água, e com vista para uma floresta maravilhosa.
Meu coração bate forte, acelerado contra minha caixa toráxica.
Seu eu quiser fazer bem a Ryder, tenho que primeiro fazer bem a mim mesmo, e no momento estou uma bagunça. Ele irá aguentar ficar ao meu lado enquanto eu me concerto?
Me levanto do sofá e olho diretamente para ele.
— Eu estou quebrado. — Falo, sentindo todo meu corpo doer, querendo que ele desista, será mais fácil seguir em frente.
— Eu vou cuidar de você até que você cole cada pedaço de seu coração. E estarei lá ajudando a colar o que não conseguir. — Ele diz calorosamente e se levanta, se aproximando e segurando cada mão minha com as suas, ele pode sentir como estou tremendo? Prestes a cair em lágrimas?
— Eu estou machucado.
— Eu vou te ajudar a colocar o band-aid.
— Eu estou preso num trauma.
— Eu vou segurar sua mão.
Tento, tento dizer que ele vai acabar se machucando enquanto me assiste curar meus próprios machucados.
— Eu estou afundando.
— Eu vou afundar junto com você, e então, nadar de volta para a superfície quando você estiver preparado para tal.
Por que ele não desiste? Por que ele insiste em algo que parece já está fadado ao fracasso?
— Por que não desiste? — Pergunto, minhas lágrimas descem sem que eu as note.
— Você desistiria do seu grande amor? Do homem que ama a mais de três anos?
— Ryder...
— João, eu quero ficar do seu lado, passar por todos os momentos ao seu lado, os momentos felizes, os tristes, quero viver tudo com você. Consegue compreender isso?
Aceno com a cabeça em confirmação, rapidamente e de forma descoordenada enquanto mais lágrimas descem pelo meu rosto.
— Eu te amo. — Ele diz cada palavra sem desviar dos meus olhos, ele diz isso com toda confiança e certeza do mundo, sem pestanejar, sem medo. — Eu guardei isso por muito tempo, eu amo você, você todinho, cada defeito, cada perfeição, cada mania, cada respirar. Eu te amo.
Ele me puxa para um abraço forte e muito bem-vindo, ele não espera uma resposta de volta quando me afasta apenas um pouco para poder tomar minha boca na sua, seus braços me apertam forte contra seu corpo enquanto sua boca me devora, afirma aquilo que disse a segundos atrás, é um beijo cheio de amor, mas forte, intenso, ele chupa minha língua, morde meus lábios, segura o cabelo em minha nuca e não deixa que eu escape de seu lábios, me encontro sem folego, mas não quero isso acabe, circulo seu pescoço com minhas mãos enquanto sinto o gosto salgado das minhas lágrimas se misturarem ao gosto de Ryder, é tão íntimo, tão gostoso que gemo abafado contra sua boca. O beijo é molhado, carregado de carinho e novos sentimentos descobertos, tem cumplicidade, confiança, ternura, paixão.
Me sinto pronto para dar a esse homem tudo o que ele me pedir, não serei capaz de lhe negar nada nesse momento, quando ele tira sua boca da minha ele segue direto para o meu queixo, deixa um beijo e desce até o meu pescoço, onde ele chupa, lambe e deixa beijos que me deixa com o p*u dolorido, não lembro quando apenas beijos assim foram tão prazeroso para mim, me sinto queimar de dentro para fora, como pode um beijo me deixar assim? Quase implorando para que ele me tome para si.
Deixo um grito nada masculino escapar quando sou puxado para baixo, ele se senta no sofá e me coloca em seu colo, a nova posição faz com que eu sinta seu p*u muito duro contra minha b***a, perco a respiração por um momento, olho diretamente para seus olhos, e Deus todo poderoso, essa expressão de prazer puro em seu rosto, eu deveria ter colocado ela muito antes em seu rosto, me deixa ainda mais duro se possível. Suas mãos sobem por dentro de minha camisa e eu ofego, a mão dele é grande, deliciosa, me aperta e queima por onde passa. Ele volta a beijar minha boca, estou sem folego que ele apenas busca pela minha língua, a fazendo dançar junto a sua, uma dança molhada e muito erótica. Ryder é muito quente.
Mas então ele me abraça apertando contra seu peito, sinto sua respiração em meus cabelos, ele parece ter corrido de uma manada de bois, a minha não está diferente, ele deixa pequenos e castos beijos em meus cabelos, creio eu tentando se acalmar, me movo de vagar em seu colo, mas ele segura minha cintura com firmeza.
— Ryder... — Tento falar, mas ele me corta.
— Vamos nos acalmar, hoje você passou por diversos sentimentos conflitantes, vamos esperar mais um pouco até que você esteja bem mentalmente e tenha digerido tudo isso.
— Mas eu quero isso tanto quanto você. — Deixo escapar mesmo que minhas bochechas tenham ficado vermelhas.
— Eu sei meu bolinho. — Meu coração bate rápido com o apelido que ele insiste em me chamar. — Mas vamos com calma, quero que quando isso acontecer, estejamos o dois bem, para nos entregar um ao outro sem um milhão de coisa em nossas cabeças.
— E quando isso vai acontecer? — Pergunto afobado, quase soando desesperado, eu o quero para mim, tanto que nem mesmo sei dizer de onde toda essa necessidade dele surgiu. Me dar conta disso me faz desejar cada parte dele. Ele rir baixinho e seus dedos adentram meus cabelos, seus olhos parecem hipnotizados enquanto olha seus dedos passando pelos meus fios, minha cabeça vai de encontro a sua mão sem que eu perceba, fechando os olhos com aquele pequeno carinho.
— Logo, eu espero. — Ele fala sofrido e eu abro os olhos sorrindo.
Seguimos para um café da manhã reforçado, já que por mais que Ryder estivesse atrasado, ele não poderia fugir de seu trabalho hoje, eu teria que seguir em sua casa, a pedido dele, ele me emprestou seu notebook para que pudesse trabalhar na recuperação da loja, para que ela pudesse voltar à ativa, o quanto antes.
Quando ele seguiu para seu trabalho, me deu um beijo muito gostoso de despedida e disse que eu podia fazer o que quiser, me sentir em casa, então peguei mais uma xícara de leite morno e me sentei em seu sofá, entrei em contato com algumas empresas, e a reforma da loja seria amanhã mesmo, aproveitei disso e preparei um novo projeto, algumas coisas que eu queria mudar no interior da loja, me garantiram que em menos de dois meses a obra seria concluída, apenas tenho que achar o que fazer durante esse tempo, talvez eu leve as coisas do meu laboratório para casa e trabalhe mais calmamente em novas fragrâncias.
Ryder conseguiu sair do trabalho durante seu almoço, comprou algo para nós e veio até mim, comemos tudo e ainda ficamos namorando um pouquinho no seu sofá antes que ele tivesse que voltar para o trabalho, passei a tarde relaxando em sua banheira e vesti apenas uma camisa enorme dele e uma cueca que achei ainda no plástico, fiquei em seu sofá assistindo a filmes e séries enquanto trocava algumas mensagens com ele e mexia em minhas redes sociais.
Foi uma tardetranquila como não tinha a muito tempo, assim como aquele começo gostoso de namoro, isso serviu para que eu relaxasse e me concentrasse apenas na recuperaçãoda loja, e não que havia sido culpa minha.