Capítulo 11

2471 Palavras
Ryder Davis Batuco minha caneta sobre a mesa de madeira escura, mil pensamentos rodando minha mente. Eu beijei o João. Beijei o homem por quem sou apaixonado a mais de anos, eu finalmente tive coragem para fazer tal coisa, e melhor, ele me correspondeu no beijo, ele gostou e queria mais, e eu não sei como lidar com isso, vim para o trabalho e o deixei em meu apartamento, mas minha mente e coração ficou lá, com ele. Eu sinceramente não sei o que será daqui para frente, mas apenas sei que irei fazer de tudo, darei meu melhor para ter ele comigo, irei manter ele relacionamento por quanto tempo eu consegui, não irei dar razões para que ele queira o fim disso que temos, irei lutar por ele como nunca, agora que tive um pouco dele, um pequeno gosto do sabor dele, dos beijos e dos abraços cheios de carinho, eu não quero largar nunca. Quero ele para sempre ao meu lado. Pode parecer difícil cultivar um relacionamento por anos, até os fins de sua vida, mas não é quando estamos dispostos a fazer dar certo, a ceder em alguns momentos que precisam que alguém ceda primeira, irei fazer que nosso relacionamento se construa e tenha base na confiança. Nesse momento João precisa disso, de confiança, e estou mais que disposto a oferecer isso a ele. Quero formar minha família com ele, quero que ele seja o pai dos meus futuros filhos, quero tanto isso que chega a queimar meu coração, o sinto pronto para ter tudo isso, mas tenho que ir com calma, ir de etapa por etapa, pensando nisso, quero preparar um jantar especial para nos dois, quem sabe sair para jantar, fazer isso sempre que possível, mas no primeiro momento sair para jantar para fazer o pedido de namoro, futuramente, espero que não muito longe, o pedido de casamento ou até morarmos juntos em algum tempo antes de decidirmos nos casar, sinto que nunca estive tão pronto para esses passos importantes em minha vida quanto agora. Encontrei a razão que me faz querer tudo isso. Essa razão se chama João Santore. É muita loucura imaginar uma vida longa e feliz ao lado de quem amo? Depois de tantos anos esperando por ele, quero ser capaz de ter tudo isso. Hoje me sinto muito feliz, realizado, aos poucos as coisas têm acontecido da forma que quero. — Vejo que está no mundo da lua. Me assusto com minha secretária perto, perto demais, na verdade sentada na cadeira em frente a minha mesa de trabalho, e eu nem mesmo tinha percebido sua chegada. Estava tão assim no mundo da lua? — Zara, que susto mulher. Está convivendo demais com agentes. — Ele rir, está muito bonita num terninho azul, contrastando com seus cabelos ruivos soltos, enquanto eu estou apenas de camisa social e calças jeans, definitivamente sou um falso CEO, sempre soube que não levava muito jeito para a coisa se levasse em conta me caracterizar como tal. — Eu te chamei bem umas três vezes, você não respondia então pensei que tivesse passado m*l, quando entrei estava com um sorriso sonhador e um olhar meio de peixe morto. Está apaixonado não está? — Reviro meus olhos para a sua pergunta. — Sempre estive na verdade. — Ela se surpreende com minha resposta, se inclinando para mais perto ela continua. — Quem é o boy? É bonito? A quanto tempo está nesse amor, se só agora estava com esse olhar, quer dizer que ficaram juntos recentemente, apesar de gostar dele a mais tempo. Estou certa? — Zara me olha em expectativa. — Mulher curiosa viu, me deixe trabalhar e volte para seu cargo, por favor. — Digo fazendo pouco caso dela e volto a olhar alguns documentos que eu deveria ter olhado a tipo uns trinta minutos atrás. — Você não está trabalhando, está pensando no seu namorado. — Não posso esconder o sorriso ao ouvir a palavra namorado. Mas logo volto a ficar sério. — Não é da sua conta, eu sou o chefe. Ela ajeita a postura e levanta as mãos em rendição. Sabendo que não vai tirar nada mim por agora ela volta ao modo trabalho. — Ok, você tem uma reunião agora com um cliente, aquele que pediu para falar da segurança do filho famosinho. — Não sei por que pediu reunião, era só mandar o que precisavam por Email e mandaríamos alguém competente dependendo do que eles querem para a segurança do garoto. Essas coisas só tomam meu tempo. — Ele quer deixar tudo às claras sobre a segurança, e não é bem um garoto, um homem de vinte e três anos. — O que ele faz que precisa de proteção? Pergunto intrigado. — Não faço ideia, mas acho que vamos descobrir em — Ela checa o relógio em seu pulso. — Meia hora. — Ok, vamos nos preparar para o que vem aí, me chame faltando dez minutos para a reunião, vou colocar alguns papeis em ordem e preciso ver alguns agentes para ficarem de segurança para um deputado da cidade vizinha. — Políticos, eu os deixaria morrer. — Ela zomba, se levantando. — Nem todos são corruptos. — Mais todos são ruins. Vou nessa, tenho coisas para fazer, já te chamo. Ela sai porta fora e fico ali, com um sorriso por sua fala. Dessa vez tento até conseguir não ter nem mesmo um pensamento sobre João, faço as coisas que tinha atrasado e resolvo sobre os seguranças para o deputado, designando o perfil dos meus quatro melhores homens que tem muito tempo de trabalho e treinamento para Zara para que ela passe o Email adiante para ser avaliado pela segurança do deputado. Olho meu relógio e vejo que fiz bastante coisa em pouco tempo, trabalhei como uma máquina e já me sinto cansado, nem mesmo é onze da manhã. Zara volta para me chamar e seguimos para a reunião, me sento sobre a mesa grande, a sala é confortável, na minha frente tem duas enormes janelas de vidro do chão ao teto. Estou ali olhando a paisagem a minha frente, prédios enormes e poucas árvores perdidas nesse mar de civilização, quando a porta é aberta e por ela passa Zara, sendo seguida por um homem baixo, gordo, barba em todo seu rosto, mas bem aparada, seus cabelos grisalhos bem peteados e um terno preto em seu corpo, atrás dele, um rapaz que eu não daria mais do vinte e cinco anos, cabelos lisos loiros que fazem uma pequena franja em sua testa, corpo esguio ao contrário do pai, veste calças jeans rasgadas nos joelhos e camisa preta por baixo de uma jaqueta de couro, é um rapaz bonito. Me levanto, estendendo a mão para o senhor a minha frente, um empresário muito famoso na cidade, já que sua empresa é a maior na produção de tecido. Cumprimento o rapaz e sinto seus olhos me avaliarem da cabeça aos pés, seguido de um sorriso que eu diria predatório, mas posso estar enganado, mas apenas não gostei muito do olhar dele sobre mim. — Oi senhor Davis. Sou Mario Patel, é um prazer e agradeço que tenha me recebido. — O senhor se apresenta depois que eu indico as primeiras cadeiras a minha direita para que se sente. Zara coloca copos de água na frente dos meus clientes. — Obrigado Senhorita. Esse é meu filho, Eduardo Patel. — É um prazer recebê-los. — Vamos ao que interessa, não quero ocupar muito do seu tempo. — O homem começa, desvio os olhos por uns segundos para o filho, que nesse momento se distrai em seu celular. — Meu filho começou sua carreira musical a dois anos, e agora está começando a vir alguns retornos, como ficar famoso, várias adolescentes o conhecem por onde ele anda, suas músicas fazem muito sucesso nas plataformas de stream, e fiquei com medo de deixá-lo sem cuidados necessários. Por isso quero contratar seu serviço, quero que você em pessoa proteja meu filho. O senhor joga, me deixando confuso e um pouco surpreso, olho para Zara ao meu lado, ela está tão surpresa quanto eu. — Senhor, eu deixei de atuar a muito tempo, apenas gerencio o treinamento e a empresa. Posso indicar excelentes profissionais que irão proteger seu filho com excelência. — Digo pacientemente. — Sei que é um pedido inusitado, mas não confio em ninguém, e você foi muito bem recomendado quando procurei pela sua empresa, irei lhe pagar muito bem, podemos fazer um contrato que irá prestar seus serviços quando ele estiver em shows ou fora de casa, em casa poderia ser um segurança de sua confiança. — Isso é realmente um dilema. Eu não sei se poderia me ausentar muito tempo da empresa. — Tenho certeza de que farei valer a pena as horas que passará ao meu lado. — Eduardo se pronuncia e o olho com surpresa quando escuto sua fala. Isso teve um duplo sentido? Levando em conta em como ele sorrir abertamente para mim. Será que estou imaginando demais? — Desculpe senhor Patel, eu realmente não seria capaz de aceitar tal serviço. — Ignoro a fala do rapaz e me volto para o senhor, ele solta um suspiro cansado. Esse emprego seria ótimo levando em conta o quanto sinto falta de uma ação, de dias mais agitados, mas devo pensar em minha empresa também, cuidar disso aqui para o meu futuro, não poderia deixar tudo isso na mão, eu levei alguns bons anos para que tivesse a credibilidade que hoje temos. — Entendo realmente, olha, vou lhe dar uns dias para pensar, irei pagar o valor que você achar necessário, então pense bem, em dois dias entrarei em contato com o senhor, podemos ficar acordados assim? — Não faz m*l pensar um pouco mais, mesmo que eu tenha certeza de que não irei aceitar. — Claro senhor. — Ele sorri alegremente e se levanta, me fazendo seguir seus movimentos me levantando da cadeira também. Ele me estende sua mão e eu a aperto. — Foi um prazer. Apenas aceno com a cabeça, vendo os dois passarem pela porta, mas antes de desaparecer completamente, Eduardo vira seu rosto para trás e pisca seu olho para mim, chocado volto a cair sobre minha cadeira. — Você vai aceitar? — Zara pergunta. — Tenho quase certeza que não. — O garoto parece querer muito os seus serviços, se é que você me entende. — Ela me olha com a sobrancelhas arqueada. Eu resolvo ignorar sua fala. Volto para meu escritório e passo a tarde ali, sem conseguir tirar a reunião de mais cedo da cabeça, Zara pede meu almoço e como ali enquanto troco algumas mensagens com João, ele diz estar trabalhando no novo projeto de sua loja, o lembro de comer, já que deixei algo pronto para ele na geladeira ele só precisaria esquentar, pedi que não fosse embora por hoje, que ficasse até eu chegar do trabalho, queria o encontrar em minha casa e passar uma noite agradável vendo filmes clichês com ele. Mas logo ele dar a ideia de chamar Gil e Marcos, o que não acho que todo r**m, então mando mensagem para eles, os convidando para uma noite em meu apartamento. Pelo resto da tarde me concentro em meu trabalho e ainda participo de uma aula como orientador sobre luta corpo a corpo. O dia acaba e logo estou no meu carro, minutos no trânsito e logo estou estacionando o carro na garagem do prédio, caminho com passos curtos e preguiçosos, sei que meus amigos estão em casa então não tem por que ter pressa para ter os beijos de João, já que não falamos ainda como ou quando iremos contar aos dois sobre o que está acontecendo com a gente. O elevador sobe calmamente e estou de frente a minha porta, até posso escutar as vozes e risadas baixas, gosto quando eles estão aqui, o astral muda completamente, quando entro pela porta, o cansaço fica do lado de fora. Passo pela sala que tem duas mochilas no chão e passo reto, indo para o corredor de onde as vozes então vindo, entro na cozinha e vejo o caos, todos os três estão empenhados em fazerem o almoço enquanto riem, Marcos é o único que leva o negócio a sério e parece concertar nosso jantar, ele coloca João para cortar legumes e Gilberto para fazer o suco. Então eles me notam parado na entrada. — Você chegou. — João diz, seus olhos presos nos meus, vejo que ele dá um passo em minha direção, mas logo para e olha ao redor, vendo nossos amigos ele recua ao que estava fazendo anteriormente. — Chegou quem faltava. Vai tomar banho, estamos quase terminando. — Marcos avisa, jogando os legumes que João cortava na panela, acho que ele está fazendo sopa. — Você é um folgado, chega e apenas toma banho para comer, Marcos fez a gente trabalhar pesado hoje. — Gilberto faz uma careta e coloca a jarra de suco dentro do freezer. E eu ainda tenho meus olhos sobre o João, ele volta a me olhar e ficamos ali, eu tenho um sorriso bobo e ele todo tímido. — O que posso fazer se vocês não vivem sem mim e sempre tem que estarem por aqui? — Que convencido. — Marcos debocha e logo fica um silencio na cozinha, e os olhos de João ainda está no meu. — Ok, quando vamos falar do Hipopótamo na cozinha? — Franzo as sobrancelhas e olho para Gilberto, e noto os dois olhando de mim para João com confusão. — Não seria o elefante na sala? — Marcos o corrige. — Acho que tem o mesmo significado. — Gil aponta de mim para Jo. — Com toda certeza está acontecendo algo entre eles, e eles nem estão fazendo questão de esconder isso. João olha para os dois e olha para mim novamente, como se perguntando se devíamos falar. Mas bom, eles desconfiaram apenas em vinte minutos de nós dois na presença deles, e acho que não tem por que esconder, uma hora eles teriam que saber. Dou de ombros e começo a falar. — Eu sempre fui apaixonado pelo João, desde que nos conhecemos. — Oh meu Deus, é por isso que você não transa? Estava esperando todo esse tempo por ele? Você é um santo. — Reviro meus olhos para Gilberto. — É bem mais que isso. Encaro os olhos de João, tentando passar todos os meus sentimentos, não se tratava de t*****r, ou esperar por ele, era sobre meus sentimentos, de como eu me sentia em sua presença, aquele carinho, os poucos abraços e gentilezas, esse calor, esse calor já me era suficiente, mas hoje, tendo seus beijos para mim, o que era lago de chocolate, se transformou numa linda floresta de doces.
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