Passaram-se dias. O mundo lá fora continuava girando, mas para mim, tudo parecia parado, preso neste quarto abafado, mergulhado em escuridão. Minha mãe ainda insistia em entrar no meu quarto, mas sem êxito, estava sempre trancado. Talvez esperasse que eu saísse por conta própria. Talvez apenas não soubesse mais o que fazer. Os remédios acabaram, restando apenas o uísque para me anestesiar. Mas nem isso fazia efeito como antes. A realidade continuava me assombrando, me puxando para um abismo sem fim. O peso do que fiz e do que tentei fazer, era esmagador. Duas vezes. Tentei acabar com tudo duas malditas vezes. Sem pensar em nada além da dor, sem medir as consequências, sem lembrar que, por mais insignificante que fosse, minha vida ainda afetava os outros. Mas talvez fosse melhor assim. Se

