A sala estava silenciosa demais para o turbilhão que girava dentro da minha cabeça. O notebook aberto sobre a mesa de centro projetava rostos conhecidos, vozes que falavam de números, rotas, prazos e decisões que eu precisava tomar com a cabeça fria. Eu respondia no automático, postura ereta, tom firme, como se tudo estivesse exatamente no lugar. Mas não estava. Eu estava na casa da Victoria. No território dela. E isso, por si só, já era um erro. — Arthur, precisamos da sua confirmação — alguém falou do outro lado da tela. — Está autorizado — respondi, sem hesitar. — Sigam conforme alinhado e me mandem o relatório até o fim do dia. Desliguei o microfone por alguns segundos, passei a mão pelo rosto e respirei fundo. Eu não podia perder o foco. Não agora. Não com tanta coisa pendente. A

