Já fazia um mês. Um mês inteiro desde o dia em que eu atravessei aquele aeroporto com a sensação de estar fugindo de algo que nunca, em toda a minha vida, eu precisei fugir. Voltar para a França foi, ao mesmo tempo, uma decisão lógica e um ato covarde. Lógica porque eu precisava retomar o controle das coisas — da empresa, da máfia, da minha própria cabeça. Covarde porque eu sabia exatamente de quem eu estava tentando me afastar. Victoria. Desde então, nossa convivência se resumiu ao estritamente necessário. Reuniões frias, objetivas, profissionais. Ela chegava sempre impecável, sentava à mesa com a postura de quem sabe exatamente o lugar que ocupa, falava sobre prazos, fornecedores, cronogramas, como se nada além daquilo existisse entre nós. Eu respondia no mesmo tom. Nenhuma provocação

