O CERCO DO FANTASMA: SANGUE, LEALDADE E O BUNKER DA VILA [NARRADO POR MURILO FERREIRA] O clima na boca do Setor 4 tava mais pesado que blindagem de tanque de guerra em dia de invasão federal. O sol já tava alto, batendo de chapa no telhado de zinco, mas a fumaça densa dos cigarros de palha e o cheiro forte de óleo de fuzil deixavam o ambiente nublado, carregado, quase irrespirável. Eu tava sentado na minha cadeira de couro surrada, aquela que já viu muito plano de assalto e muita sentença de morte ser assinada, com o radinho na mesa e os olhos fixos num monitor de 40 polegadas que mostrava, em tempo real, cada câmera de acesso, cada beco estratégico e cada rampa que ligava o asfalto ao nosso domínio. O Gargalo tava num canto, as costas apoiadas numa viga de sustentação, limpando a lente

