capitulo 29 Murilo

2533 Palavras

O ÚLTIMO BALUARTE DA VILA: SANGUE, TOGA E FUZIL [NARRADO POR MURILO FERREIRA] Eu tava com o veneno escorrendo pelo canto da boca, um gosto amargo de bile e pólvora, quando vi o rastro do perfume caro da Melissa dobrando a esquina do Setor 4. O silêncio da Vila naquela hora da manhã tava me agoniando as entranhas; era aquele prenúncio de tempestade seca, aquele vácuo que faz o pelo do braço arrepiar antes do primeiro relâmpago de aço. Os vapores que tavam na contenção da entrada da boca, moleques que eu vi crescer no meio do estalo, ficaram tudo em alerta máximo, com o dedo no guarda-mato e o olho estalado, mas quando viram a "Dona da Lei" subindo a ladeira com aquele olhar de quem ia processar até o sol por brilhar demais, eles baixaram a guarda rapidinho, num respeito que beirava o medo

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