Chapter 6

1626 Palavras
Faltava poucos minutos para as três da manhã, quando estaciono o carro em frente do barraco e noto algo se mexer nas sombras. Receosa, desço do carro, olhando com atenção ao meu redor, começando a imaginar que deveria ser outro policial. É quando Rubinho surge de repente na minha frente, fazendo com que um grito ficasse preso na minha garganta. Ele segura meu braço com força, tamanha força que podia sentir suas unhas passando pelo tecido fino do robe e furando minha pele. - Aonde tu tava? - pergunta num tom baixo ameaçador. - Não foi só eu que sai - Ele começa a me puxar para dentro de casa. Ele aponta o dedo indicador para mim, o colocando em minha cara. - Não se mete no que não é da tua conta - Rubinho praticamente arromba a fechadura da porta para entrarmos em casa, feito isto, me empurra para dentro, andando devagar na minha direção. — f**a-se — digo falando de forma bem lenta e clara. — f**a-se — E, com um instinto puramente motivado pela adrenalina, jogo os pratos do jantar nele e corro para a porta. Os pratos caem no chão com um barulho alto e ouço Rubinho xingar ao pular para trás para que a comida não o atingisse. Ele fica distraído por um momento e foi todo o tempo de que precisei para correr até a porta. Não sabia para onde iria nem tinha nada parecido com um plano. Só sabia que não conseguiria ficar ali e aceitar placidamente uma possível agressão. Eu não poderia ser novamente a vítima submissão de alguém. O ouvi me perseguindo enquanto corria pela rua e tive uma lembrança súbita de um dia que, tentei fugir das agressões do meu pai adotivo. Corri naquele dia, tentando escapar do homem que se dizia ser meu pai e que estava ali para me educar. Me lembrei de como me senti aterrorizada e estonteada pela forma arrependida que me tratava depois. Foi naquele dia que percebi que não estava mais no controle da minha vida. O fato da história estar querendo se repetir, me assustava. Chego à porta da frente e segurei a maçaneta, a abrindo. Logo a frente vi um vulto em meio a escuridão, vi a vizinha parada perto da parede, me observando quando saí correndo pela porta com Rubinho logo atrás. Corri tão depressa que senti apenas um ligeiro constrangimento pela cena que ela via. Só queria escapar dele por alguns momentos, ganhar um pouco de tempo. Não sabia o que ganharia com isso, mas sabia que precisava fazer aquilo, precisava sentir que fizera algo para desafiá-lo, que não abaixara a cabeça para o inevitável sem lutar. Estava na metade do terreno quando senti Rubinho se aproximar. Ouvi a respiração pesada dele, pois também devia estar se esforçando ao máximo. A mão dele se fecha em volta do meu braço, me girando, me contra o corpo musculoso. O impacto me atordoou por um momento, tirando o ar dos pulmões, mas meu corpo reagiu automaticamente e minha autodefesa foi ativada. Em vez de tentar me afastar, caí como uma pedra, tentando fazer com que ele perdesse o equilíbrio. Ao mesmo tempo, ergui o joelho, mirando em seus testículos, e subi o punho direito em direção ao queixo dele. Antecipando meu movimento, ele girou o corpo no último momento, fazendo com que meu punho errasse o alvo e meu joelho batesse na coxa dele. Antes que eu conseguisse tentar outra coisa, ele me jogou de costas no chão e imediatamente me prendeu naquela posição usando todo o peso do corpo, usando as pernas para controlar as minhas e agarrando meus pulsos acima da cabeça. Estava totalmente incapacitada, tão indefesa como sempre, e Rubinho sabia disso. Ele solta uma risada leve ao encontrar meu olhar furioso. — Que coisinha mais perigosa, não é? — Ele murmura, se posicionando de forma mais confortável sobre mim. Para minha irritação, a respiração dele já voltava ao normal e os olhos brilhavam divertidos. Respirando pesadamente, eu o encarei friamente, sentindo uma vontade imensa de fazer algo violento. O fato de ele estar se divertindo só aumentou minha fúria. Arqueei o corpo com toda a força, tentando tirá-lo de cima de mim. Foi inútil, obviamente. Ele tinha mais do que o dobro do meu tamanho e cada centímetro de seu corpo tinha músculos de aço. Além é claro da minha barriga, que impossibilitava a maioria dos meus movimentos. Só consegui diverti-lo ainda mais. Além, claro, de deixá-lo e******o, como evidenciado pelo volume rígido contra minha perna. — Me solta — digo entre dentes, percebendo a resposta automática do meu corpo àquele volume, ao corpo dele me pressionando daquela forma. Ser segurada assim era algo que associava com sexo e odiei o fato de estar excitada. Apesar da raiva e do ressentimento, senti um calor pulsando em minhas entranhas. Era mais uma coisa sobre a qual eu não tinha controle. Os lábios sensuais dele se curvam em um meio sorriso satisfeito. O i****a em dúvida percebera minha excitação involuntária. — Ou o quê? — Ele pergunta, me encarando ao usar os joelhos para abrir minhas pernas tensas. — O que vai fazer? O encaro de forma desafiadora, fazendo o possível para ignorar a ameaça da ereção pressionada contra minha entrada. Somente a bermuda jeans dele e minha roupa íntima mínima nos separavam e eu sabia que conseguiria que se ele quisesse, se livrar daquelas barreiras em um piscar de olhos. O único obstáculo para que ele trepasse comigo naquele momento, e com o qual estava contando, era o fato de estarmos totalmente à vista de todos e de quem mais estivesse passando por ali. Rubinho não parecia gostar de exibicionismo, era possessivo demais para isso, e tive uma certeza razoável de que ele não me possuiria em um lugar tão aberto. Ele poderia fazer outras coisas, mas estava segura contra uma punição s****l por enquanto. Isso, aliado à minha raiva, motivaram minha resposta descuidada. — Na verdade, a pergunta é o que você vai fazer, Rubinho? — pergunto com voz baixa e amarga. — Vai me bater? É isso que homens como você faz? O sorriso dele desapareceu, substituído por um olhar de determinação implacável. — Vou fazer o que eu quiser pra manter você na linha — diz ele em tom duro. Em seguida, ele se levantou e me puxou para que ficasse de pé. Luto, mas é inútil. Em um segundo, ele me ergue nos braços, com uma das mãos segurando meus pulsos e o outro braço firmemente preso sob meus joelhos, imobilizando minhas pernas. Irritada, arqueio as costas, tentando me soltar, mas ele me segurava com muita firmeza. Só consegui me cansar e, depois de alguns minutos, paro, ofegando com frustração exausta. Rubinho começa a andar de volta para a casa, me levando como uma criança. — Pode gritar, se quiser — Ele informa enquanto andava. A voz dele estava calma e o rosto não expressou emoção alguma ao olhar para mim. — Não vai mudar nada, mas pode tentar. Era óbvio que provavelmente estava usando psicologia reversa em mim, mas permaneci em silêncio quando ele abriu a porta da frente com as costas e entrou na casa. A raiva anterior começava a desaparecer e uma espécie de resignação desconfiada tomou o seu lugar. — Agora é assim? — pergunto quando me puxa para o quarto — Vou ter que aceitar tudo calada? — Meu tom foi profundamente sarcástico, mas estava realmente preocupada com isso. Não queria se tornar a pessoa que mais odiei naqueles últimos anos: minha mãe adotiva. Por aceitar tudo do marido sem questionar. O maxilar dele se contrai ao me soltar. — É o certo a se fazer — Responde ele curtamente, me soltando e dando um passo atrás. Meus olhos se viraram imediatamente para a porta, mas Rubinho fica entre eu e a saída. Me senti gelada por dentro. Recuo um passo, lançando um olhar frenético pelo quarto, procurando algo com que pudesse me defender. Mas não havia nada. Além de um pote de creme para as mãos e uma caixa de lenços de papel sobre a mesinha de cabeceira, o quarto estava imaculadamente arrumado. Continuei recuando até que meus joelhos encostaram na cama e percebi que não tinha mais para onde ir. Eu estava encurralada. — Marcela... — Rubinho estava a poucos centímetros de mim— Não torne as coisas mais difíceis do que precisam ser. Mais difíceis do que precisam ser? Ele estava falando sério? Uma nova onda de fúria me deu uma força renovada. Me jogo sobre a cama e rolo, torcendo para chegar ao outro lado para que pudesse correr para a porta. No entanto, antes que chegasse à beirada, ele estava sobre mim, com o corpo musculoso me pressionando contra o colchão. Com o rosto enterrado no cobertor, m*l consegui respirar. - Você vai aprender a me respeitar e me obedecer - diz se afastando abruptamente de cima de mim. — Não faz isso, Rubinho . — As palavras saíram em uma súplica desesperada. Era inútil implorar, mas não havia mais nada que pudesse fazer. Meu coração bateu com força no peito quando joguei a última cartada: — Por favor, se você se importa comigo... Se você me ama, não faça isso, por favor... Ouvi quando ele prende a respiração e, por um momento, sinto uma centelha de esperança. - A culpa é sua - diz ele sem fôlego - Você que me obrigou a fazer isso. Mentalmente, me via levantando e pegando a arma que estava em baixo da cama. Não me importaria em limpar toda a sujeira depois, muito menos em fazer outra cova. Daria um pouco de trabalho? Daria. Mas pelo menos, mandaria ele direto para o d***o.
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