Pietro Kuhn
Vinte e Dois anos
Dois anos, tem quase dois anos desde a última vez que vi Donnatela e desde então, ela não respondia minhas mensagens de jeito nenhum.
Sua viagem para Inglaterra foi mais rápida que o previsto, e eu sabia que ela estava querendo me evitar a todo custo, principalmente porque ela tinha ficado furiosa comigo depois daquele maldito vacilo.
Após o nosso desencontro na praça e claro, o encontro na casa do Ed, eu tentei falar com ela de todas as formas, mas foi em vão. Eu até pedi a ajuda do meu irmão e de sua esposa, porém, Donna estava irredutível, ela não queria nem olhar na minha cara.
Sei que fiz errado em ter ficado na casa, em ter aceitado o convite do Edward ao invés de ter seguido o combinado com mia piccola naquele dia, mas... eu sabia que Donna era jovem e eu não podia ter dela o que as outras garotas podiam me dar.
Então agora, eu só estava esperando a oportunidade para visitá-la no dia do seu aniversário. Como Thomas ficou alguns meses em lua de mel, acabei tomando conta da maior parte dos negócios com o nosso primo Brian, e daqui alguns dias o meu sobrinho nasceria, e Thomas estava em alerta, não querendo deixar Bella um minuto sequer sozinha.
— Senhor... — Saio do meu devaneio quando ouço a voz do Boris.
— Sim?
— O jatinho já está pronto. Vamos para Itália ou Inglaterra?
— Inglaterra, mas não conte ao meu irmão, diga a ele que passaremos a noite e mais um dia aqui — peço. — E peça para alguém organizar o apartamento que tenho lá.
— Como queira, senhor.
Na manhã seguinte era o aniversário de Donna, ela completaria 20 anos, e depois daquele nosso beijo no banheiro, nunca mais a esqueci. Eu sempre usava Isabel para me tentar me satisfazer, pois o sexo já não era mais o mesmo, mas Donna? Ela tinha me tirado do sério, tinha me arrastado pra minha ruína de vez, ela era o que eu mais queria.
***
Não consegui dormir no voo, porque a ansiedade estava a mil. Assim que pousamos, tinha um carro nos esperando no hangar e fomos direto para o apartamento. Depois de chegar, tomei um banho e depois de passar um tempo ainda pensando em Donna, e no quanto eu queria ter ela nos meus braços quando eu a encontrasse... eu acabei adormecendo.
Acordei com a claridade que vinha apenas de uma direção da janela. Levantei e troquei de roupa, indo até o banheiro e me olhando no espelho, percebendo que minha cara estava boa para quem tinha dormido apenas 12h somando os últimos três dias.
Depois disso, desci diretamente para a cozinha, pois a fome me apertava. Ao entrar, deparo-me com uma embalagem contendo alguns pães, bacon e ovos, além do aroma do café que preenchia o ambiente. Boris já havia preparado tudo, ele sempre cuidava de organizar as coisas durante nossas estadias nos lugares onde ficávamos, e eu tomo o meu café de forma apressada, porque eu queria seguir logo para a joalheria.
Fico um tempo olhando para as joias, tentando escolher a opção que mais combinaria com Donna, e no fim, escolho um par de brincos de ouro em formato de coração, com uma pequena esmeralda no centro. Eles são deslumbrantes e refletem a luz de maneira perfeita. Estava convencido de que ela iria adorar.
Enquanto me dirijo ao campus onde Donna estudava, passo por uma floricultura e comprei um buquê de rosas vermelhas. Meu coração estava acelerado; talvez eu estivesse me sentindo como um adolescente quase apaixonado — e isso, ainda era estranho pra mim. Estaciono o carro do outro lado da rua, em frente à universidade, olho para o meu relógio e percebo que em poucos minutos os alunos começariam a sair, conforme o cronograma que Boris havia me passado dois meses atrás — e céus... eu ficava me perguntando o que raios eu ia dizer a ela, ou até mesmo, qual seria a sua reação.
Gradualmente, a movimentação na frente do campus começa, desço do carro e, segurando a caixa de presente e o buquê de rosas, me apoio no capô, aguardando minha piccola. Em pouco tempo, avisto aquela que domina meus pensamentos: Donna.
Enquanto se despedia de duas meninas que a acompanhavam, uma loira e outra de traços asiáticos, Donna abraça cada uma delas e elas seguem em direções opostas. Ela então retira o celular do bolso da calça, rindo enquanto mirava na tela e se dirigia em minha direção.
À medida que minha piccola se aproxima, procuro andar devagar em sua direção. Quando seus olhos deixam o celular e encontram os meus, seus passos começam a desacelerar.
— Piccola — falo, esboçando um sorriso. — Parabéns — profiro.
— O que você está fazendo aqui? — pergunta, parecendo brava.
— Vim resolver algumas questões de família e aproveitei para te ver — minto. — Já faz quase um ano que não nos encontramos. — Donna me observa com um olhar de análise. — Fiz m*l em vir? — pergunto, mas ela permanece em silêncio. — Ao menos aceite meu presente — digo, dando um passo em sua direção e estendendo as mãos para que ela pegasse os pacotes que eu carregava.
— Obrigada — responde enquanto pegava os presentes.
— Você está indo para casa?
— Sim — afirma, com a sua voz fraca.
— Posso te dar uma carona — sugiro, junto de um breve sorriso de canto. — O que acha?
— Donna? Donna? — Antes que ela possa responder, um garoto ruivo a chama.
— Mathias... — Donna se vira, toda sorridente, o que, sinceramente, me incomoda pra c*****o.
— Pensei que você já tivesse ido — diz o ruivo, caminhando em nossa direção. — Queria saber se podemos tomar um café para comemorar seu aniversário — propõe.
Piccola me olha com um semblante de dúvida antes de se voltar novamente para o rapaz.
— Seria perfeito, mas... — Ela desvia o olhar do garoto, enquanto suspira.
— Mas? — Fixo o olhar no menino, tentando intimidá-lo.
— Tenho outros planos — ela confessa e sinto um alívio. — Podemos ir na próxima semana, que tal? — sugere.
— Na próxima semana?
— Amanhã vou visitar meus pais, já tem quase um ano que não os vejo — comenta, enquanto claramente mentia.
— Isso é um bom motivo. — Ela sorri com as palavras ditas pelo tal Mathias, como se ela se sentisse aliviada por ele não ter insistido. — Sabe que estarei sempre à sua disposição, minha dama. — Donna sorri genuinamente para o garoto, que se aproxima e lhe dá um beijo na bochecha, ignorando minha presença.
— Obrigada — fala de maneira doce. — Nos vemos em breve.
— Ficarei contando os dias. — Ficamos observando enquanto o garoto seguia na direção contrária à nossa.
— Podemos ir? — pergunto quando ela se virou pra mim.
— Claro — responde com calma.
— Meu carro é o azul — falo ao conduzir ela até o meu carro, vendo o semblante sério que o rosto de Donna tinha.
Abro a porta para que ela se sente no seu assento, espero que coloque o cinto, lhe entrego novamente seus presentes e dou a volta tomando conta do lugar do motorista.
— O meu endereço é... — Ela faz uma pausa quando arranco com o carro e viro na próxima esquina. — Ah... com certeza já sabe onde moro.
— Como não saberia?
— Às vezes me esqueço do mundo que vivemos.
— Um bom mafioso sempre tem as informações que deseja, piccola...