Bônus Augusto
O dia foi puxado, tive várias reuniões e uma delas com j*******s muito cabeças dura! Bufo e olho para minha mesa ainda cheia de papéis para assinar. Minha vida se resumia a isso, assinar papéis, fechar contratos com empresas internacionais, fundei a minha empresa do zero e com muito custo cheguei ao topo contrariando a todos que falavam que sempre seria um pobretão que não iria ser ninguém. Olho para trás hoje e vejo que construí meu império, mas o triste nisso tudo é que eu não tinha a quem chamar de herdeiro, muito menos uma família para quem voltar. Termino de salvar os arquivos na planilha, guardo alguns documentos em minha pasta para olhar mais tarde e desligo meu computador. Passo pelo salão principal e aceno para minha secretária lhe liberando e desejando boa noite.
Eu poderia ter pego meu carro e ido direto para casa, porém precisava espairecer, e se existia um lugar neste grande mar de prédios que me transmitia calma, esse lugar era o Central Park, aonde todos iam para caminhar e se distrair. Deixo meu carro estacionado e saio andando por um caminho já conhecido, estar ao meio da natureza sempre me trouxe paz, me faz lembrar minhas raízes e o tempo em que vivia no Brasil. Passo por casais sentados em seus bancos e iria até a minha ponte, meu lugar para pensar sempre foi ali, mas hoje algo diferente aconteceu, avistei um jovem visivelmente bêbado com uma roupa formal sentado naquela ponte. Apertei o passo porque já estava prevendo o que ele poderia fazer ali. Quando ele tentou se levantar ele se desequilibrou e por mais um pouco ele cairia e não lhe restaria mais nada do jeito que estava bêbado não conseguiria se salvar.
Ele me olha e diz palavras desconexas e eu tento ajudá—lo de alguma forma, mas o rapaz insiste que está bem. Encosta—se a uma árvore, junta as suas pernas e começa a me contar uma história, a história de sua vida. Ele levanta a cabeça por um momento e olhando em seus olhos tenho a impressão de já conhecê—lo, tive vislumbre nos seus olhos azuis que conhecia de algum lugar.
—Bom meu rapaz, infelizmente a vida nos prega essas peças—digo tentando confortá—lo, mas sem sucesso, ele olha para mim e sorri amargo.
—Eu sou Gustavo Arantes, tenho tudo o que quero em minhas mãos, dinheiro, as melhores roupas, o melhor carro, mas não tenho o mais importante, que é o amor de uma família. No final da noite volto para uma cama fria. Esperei pela volta dela por todos esses anos e nunca obtive uma resposta—ele diz amargurado—Agora encontro—a por acaso m um restaurante e vejo que ela seguiu em frente. Por que fui um i****a! —ele quase grita.
Enquanto ele continuava a se lamentar, aquele sobrenome pairava na minha mente, me trazendo memórias que eu guardava a sete chaves e uma tristeza que eu não compartilhava com ninguém. Se destino existisse, eu o chamaria de i****a, eu o xingaria. Porque ainda sem certeza nenhuma, mas com a confirmação daqueles olhos azuis que eram dela e esse sobrenome desgraçado talvez eu estivesse na frente do filho dela .