Gabriel estava tenso enquanto se dirigia ao restaurante indicado por Sandra, sua mãe biológica. Ele havia acabado de voltar de uma viagem emocionante com César e Aly, mas agora enfrentava um momento que poderia mudar tudo que ele entendia sobre sua própria história.
Ao entrar no restaurante, Gabriel olhou ao redor, nervoso e tentando reconhecer Sandra entre os clientes. Seu coração batia forte quando finalmente a viu, sentada em uma mesa nos fundos, olhando distraída para o menu.
Sandra tinha os cabelos castanhos, como os dele, e uma postura que denotava elegância e autoconfiança. Seus olhos se encontraram por um breve instante antes de Gabriel se aproximar, sentindo uma mistura tumultuada de emoções.
—Sandra?—, ele perguntou, sua voz revelando tanto incerteza quanto uma pontada de mágoa.
Sandra olhou para cima, os olhos se arregalaram em reconhecimento. Ela parecia atordoada por um momento, antes de sua expressão suavizar em um sorriso triste.
_Gabriel…—murmurou ela, hesitante. _Eu... Eu não sabia que você viria, quando o seu pai me disse eu não acreditei
Gabriel se sentou à mesa, tentando controlar a avalanche de perguntas que inundava sua mente.
— Você... você é minha mãe?— perguntou ele sem querer acreditar
Sandra assentiu lentamente, desviando o olhar brevemente. — Sim, sou eu. Eu sou sua mãe, Gabriel..
O silêncio pairou pesadamente entre eles, enquanto Gabriel tentava processar o turbilhão de sentimentos. Ele se lembrou do incidente dias atrás, quando foi atropelado por Sandra e ela não o ajudou, proferindo palavras cruéis que ainda ecoavam em sua memória, e isso deixava ele sem saber se ela fez isso mesmo sabendo que ele era seu filho.
— Você... você se lembra de mim?_perguntou Gabriel, a voz um sussurro carregado de dor, ele só queria confirmar que ela fez do que fez de propósito.
Sandra baixou os olhos, incapaz de encará-lo diretamente.
— Eu... Eu não sabia que era você naquele dia. Eu estava... em uma situação difícil. Mas isso não justifica... Eu sei que não justifica nada do que eu fiz , principalmente ter abandonado você e o seu pai daquela forma.
Gabriel sentiu um nó se formar em sua garganta. A imagem da mulher que ele idealizou como sua mãe biológica estava desmoronando diante dele. Ele queria compreender, mas as palavras dela anos atrás ainda ecoavam dolorosamente em sua mente.
— Por que... por que você fez isso?_ , Gabriel finalmente perguntou, a voz tremendo ligeiramente.
Sandra olhou para ele, os olhos marejados.
— Eu... Eu não posso mudar o passado, Gabriel. Eu lamento profundamente. Eu estava assustada e confusa naquela época. Mas desde então, tenho pensado em você todos os dias.
Gabriel lutou para conter as lágrimas que ameaçavam cair. Ele queria acreditar nas palavras de Sandra, mas a dor daquele momento passado ainda doía fundo.
— Eu não sei se posso... entender isso agora.— admitiu ele, lutando para encontrar as palavras certas. — Eu... preciso de tempo.
Sandra assentiu, os olhos cheios de tristeza e resignação. — Eu entendo, Gabriel. Eu só queria... ter a chance de dizer que sinto muito, de verdade.
A conversa entre eles continuou, mas as palavras ficaram suspensas no ar carregadas de emoção não dita. Gabriel estava dividido entre o desejo de conhecer mais sobre suas origens e a dor profunda da decepção passada.
Ao sair do restaurante mais tarde, Gabriel olhou para trás uma última vez. Gabriel caminhou pela calçada, deixando para trás o restaurante onde encontrou Sandra. A noite estava tranquila, mas sua mente ainda estava agitada com as emoções do encontro.
Enquanto refletia sobre suas palavras para Sandra, Gabriel sentiu uma mistura de alívio e tristeza. Ele estava aliviado por ter finalmente expressado seus sentimentos e estabelecido seus limites, mas ao mesmo tempo, sentia tristeza pela situação complicada em que se encontrava.
Ele pegou o celular do bolso e discou o número de Aly. O coração de Gabriel batia mais rápido enquanto esperava que ela atendesse.
— Oi, Gabriel! Como foi o seu encontro com a sua mãe ?_ Avoz suave e familiar de Aly soou do outro lado da linha.Gabriel respirou fundo antes de responder.
_ Foi... difícil, Aly. Eu disse a ela que já tenho uma mãe, que você é quem realmente importa para mim.
Houve um breve silêncio do outro lado, e Gabriel pôde imaginar Aly processando suas palavras.
_ Eu entendo, Gabriel_ finalmente ela respondeu, sua voz calma e reconfortante. — Você fez o que precisava ser feito. Estou orgulhosa de você por ser honesto e por proteger o que é mais importante para você.
As palavras de Aly trouxeram um conforto imediato para Gabriel. Ele sabia que Aly sempre estaria ao seu lado, apoiando suas decisões e amando-o incondicionalmente.
_ Obrigado, mãe. Por tudo_ disse Gabriel sinceramente, sentindo um aperto no peito.
— Sempre, meu querido. Estou aqui para você, não importa o que aconteça— , respondeu Aly, o amor em suas palavras sendo palpável.
Depois de desligar, Gabriel continuou caminhando pela rua, sentindo-se mais leve do que em muito tempo. Ele sabia que o caminho à frente poderia ser desafiador, especialmente com a descoberta de sua mãe biológica, mas ele também tinha certeza de que estava no caminho certo.
O encontro com Sandra havia trazido à tona muitas emoções e questionamentos, mas também reforçou o vínculo especial que ele tinha com Aly. Com cada passo, Gabriel sentia que estava se aproximando mais de compreender sua própria história e construir seu futuro com a pessoa que realmente o amava e o criava como se fosse a sua verdadeira mãe.
Enquanto Gabriel caminhava pela calçada, perdido em seus pensamentos, ele se distraiu por um momento e acabou esbarrando em uma garota que vinha correndo na direção oposta. O impacto foi suficiente para fazer com que o sorvete que ela segurava voasse para o chão, espalhando-se em uma mistura colorida.
— Ah, me desculpe!_ exclamou Gabriel imediatamente, olhando para a garota com olhos preocupados enquanto se abaixava para ajudar a recolher o que sobrou do sorvete.
A garota, um pouco surpresa com o incidente, olhou para Gabriel com uma mistura de irritação e surpresa.
_ Você podia prestar mais atenção por onde anda, né?
Gabriel sentiu um rubor de embaraço, mas manteve seu olhar sincero.
_ Eu sei, foi totalmente minha culpa. Deixe-me pelo menos te compensar. Vamos até aquela sorveteria ali na esquina. Eu pago outro sorvete para você.
A garota olhou para ele por um momento, avaliando-o com curiosidade misturada com uma leve indignação. Finalmente, ela suspirou e assentiu.
_ Tudo bem, você me deve um sorvete, vamos.
Juntos, eles caminharam até a sorveteria próxima, enquanto Gabriel tentava manter a leveza da situação.