O casamento de Aly e Bernardo estava em crise. Nos últimos meses, a relação dos dois se deteriorou a ponto de as brigas se tornarem uma constante. Aly sentia-se cada vez mais desconfiada e insegura, acreditando que Bernardo estava a traindo. Essa suspeita surgiu porque ele raramente a procurava para fazerem amor, e a falta de i********e entre eles apenas aumentava sua angústia.
Aly estava grávida e, com a barriga crescendo a cada dia, a alegria da gravidez era ofuscada pela tristeza e infelicidade em seu casamento. Ela passava as noites sozinha na cama, ouvindo os passos de Bernardo quando ele voltava tarde para casa, sempre com desculpas esfarrapadas. Os sorrisos de outrora tinham se tornado raros, e a casa agora estava imersa em um silêncio desconfortável.
Em uma noite particularmente difícil, Aly estava sentada no sofá da sala, olhando fixamente para a televisão sem realmente prestar atenção no que estava passando. Bernardo chegou em casa, com o semblante cansado, e m*l trocou palavras com ela antes de se dirigir para a cozinha.
— Oi — disse ele, sem entusiasmo, enquanto pegava uma garrafa de água da geladeira.
Aly sentiu um nó na garganta. — Oi — respondeu ela, tentando esconder a dor em sua voz.
O silêncio entre eles era ensurdecedor. Aly não conseguiu mais segurar suas emoções e decidiu confrontar Bernardo.
— Precisamos conversar, Bernardo — disse ela, com a voz trêmula.
Bernardo suspirou, claramente cansado, mas assentiu. — Claro, o que você quer falar?
Aly respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas. — Eu não aguento mais viver assim. Sinto que você não me ama mais, que está me traindo. Eu vejo a maneira como você evita qualquer tipo de i********e comigo, e isso está me destruindo por dentro.
Bernardo fechou os olhos por um momento, parecendo reunir forças para responder. — Aly, eu não estou te traindo. Eu sei que parece que estou distante, mas é só que... as coisas têm sido difíceis para mim também. Não sei lidar com tudo isso, e acabo me afastando.
Aly sentiu as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Difíceis? Você acha que não é difícil para mim também? Estou carregando nosso filho, e tudo o que sinto é solidão e desespero. Onde está o homem com quem me casei? Antes você dizia me amar e agora?
Bernardo se aproximou, hesitante, mas não conseguiu olhar nos olhos dela. — Eu sinto muito, Aly. Não sei como consertar isso. Estou perdido.
Aly sentiu seu coração se partir ainda mais. — Bernardo. Não podemos continuar vivendo assim, fingindo que está tudo bem quando claramente não está.
— Olha Aly, eu não queria que fosse assim, mais você que quis casar comigo, você deveria saber muito bem como eu vivia a minha vida, eu não me vejo um homem casado de uma mulher só, eu gosto de curtir Aly.
— E porque não disse isso para o seu pai? Eu não te obrigou a fazer isso, mais já que estamos casados você poderia pelo menos me dá atenção eu estou grávida seu idiota.— Aly fala chorando
— Quer saber Aly já chega dessa conversa, eu estou cansado e não quero ficar irritado com você, faça o que você quiser fazer e achar melhor.— ele diz e volta para a cozinha e Aly subiu para o seu quarto onde se trancou e começou a chorar enquanto Bernardo, este estava na sala, afundando-se cada vez mais na garrafa de bebida que segurava. O álcool queimava sua garganta, mas ele continuava a beber, tentando afogar a culpa e a vergonha que o consumiam por dentro, ele já amou Aly mais não para ter um compromisso sério, ele apenas queria curtir pois ela lhi fazia feliz.
Com o passar do tempo, o álcool começou a afetar seu julgamento. Bernardo sentia-se cada vez mais entorpecido, cada vez mais distante da realidade. Ele se levantou com dificuldade, as pernas cambaleando, e subiu as escadas em direção ao quarto onde Aly estava.
Ao chegar ao quarto, encontrou Aly ainda soluçando, abraçando-se na cama. A visão de sua esposa em sofrimento deveria tê-lo tocado, mas o álcool havia turvado sua empatia e seu bom senso. Em vez disso, uma raiva repentina e irracional tomou conta dele.
— Aly — ele chamou ela
_ O que você quer, me deixa em paz.— ela fala deitada na cama emburrada e sem mais delongas Bernardo brandou.
— Saia daqui! — ele gritou, a voz embargada pelo álcool.
Aly olhou para ele, os olhos inchados de tanto chorar. — O quê? Bernardo, por favor...
— Eu disse para você sair! — ele rosnou, avançando na direção dela com agressividade.
Aly, assustada pela mudança repentina no comportamento de Bernardo, recuou instintivamente. Ela se levantou da cama, tremendo de medo e tristeza.
— Bernardo, por favor, não faça isso... — suplicou ela, as lágrimas voltando a rolar por seu rosto.
Mas Bernardo não estava disposto a ouvir. O álcool havia embriagado sua mente, deixando-o insensível ao sofrimento de Aly. Com um gesto brusco, ele agarrou algumas roupas dela e as jogou para fora do quarto.
— Saia! — ele repetiu, a voz agora cheia de raiva.
Aly olhou para ele, atônita, incapaz de acreditar no que estava acontecendo. Ela se viu empurrada para fora do quarto, as lágrimas turvando sua visão. Com o coração partido e a mente confusa, ela desceu as escadas trêmulas, sem rumo, sem destino.
Quando chegou à porta da frente, Aly hesitou por um momento, olhando para trás, esperando que Bernardo mudasse de ideia, que a chamasse de volta para casa. Mas não houve nenhum pedido de desculpas, nenhum sinal de arrependimento. Só silêncio.
Com um suspiro pesado, Aly virou-se e abriu a porta. O ar gelado da noite invadiu a casa, fazendo-a tremer ainda mais. Ela deu um passo para fora, para a escuridão da noite, sem ter para onde ir, sem ter ninguém em quem confiar.
E assim, Aly caminhou pela rua deserta, as lágrimas congelando em suas bochechas, seu coração partido em mil pedaços. Ela estava sozinha, perdida e desamparada, sem saber o que o amanhecer traria. E o bebê em seu ventre era a única testemunha silenciosa de sua dor e desespero.