Samara narrando. O morro tava estranho. As pessoas andavam diferente. Sorrisos no canto da boca. Conversas cochichadas. Vapôs indo e vindo com sacolas, caixas, fio, bandeirola. Até os mais brabos tavam ajeitando coisa na rua como se fosse aniversário de santo padroeiro. Mas ninguém falava nada. Eu observava tudo da janela da casa que já era minha antes da outra chegar. Os dias se arrastavam, e cada hora vinha mais um detalhe novo, luz sendo testada, palco sendo montado, caixas de som subindo pelas vielas, criança correndo com bexiga colorida. E eu só escutava a mesma desculpa de sempre É só um baile, Samara. Coisa do DV. DV. O homem que já foi meu mundo. Que já me prometeu que eu seria rainha. Acordava e dormia com aquela pulga atrás da orelha. E quanto mais o tempo passava, mais

