DV narrando O sol nasceu sem pressa. O Vintém acordou devagar, ainda com gosto de música na boca, cheiro de perfume no asfalto rachado. A noite anterior parecia um sonho bom que ninguém queria acordar. Ester dormia. Eloá roncava no colchão do lado. Marta fazia café na base. E o morro, sorria. Mas eu não. A cabeça latejava. A paz, mesmo real, era falsa pra mim. A gente festejou. Eles sorriram. Ela brilhou. Mas a sombra ainda tava ali. Escondida atrás dos becos, esperando eu piscar. Fui pra sala da base. Branquelo já tava lá. Café forte na mão, olho inchado de sono. Branquelo: Dormiu? DV: Não durmo desde o galpão. Ele entendeu. Só entregou o envelope. Branquelo: O que sobrou do celular do Ligeirinho. Os vapôs acharam jogado no barranco atrás do campo. Peguei. O aparelho tava dani

