Ester Narrando A dor foi seca. Cortante. Um raio quente atravessando meu corpo. O grito saiu sozinho, rasgado da garganta. Tudo parou naquele segundo. Meu corpo travou, o chão fugiu dos meus pés, e eu só senti a lâmina. Dentro de mim. Quente. c***l. Real. O rosto da Camila era a última coisa que meus olhos fixaram. Ela sorria. Como se aquilo fosse um presente. Senti a mão do Davi me segurando. O sangue escorrendo rápido, molhando a minha roupa, os braços dele, o chão inteiro. Eu tremia, e a dor ia me apagando. Ester: Eu, ainda tô viva. Pelo menos era o que eu achava. Depois disso, só ouvia barulhos distantes. Tiros. Gritos. Ele berrando. O mundo girava rápido, mas minha cabeça não acompanhava. Apaguei. Acordei de novo, por segundos. Dentro de um carro. A lateral da minha cabeça e

