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1145 Palavras

DV narrando. Os dias passaram com Ester já fora do hospital. Ela voltou pra base andando devagar, o corpo ainda frágil, mas de pé. Vitoriosa. As enfermeiras ajudaram nos primeiros passos, mas ela recusava ajuda quando podia. Queria mostrar que tava viva. Que sobreviveu. Fiquei perto o tempo todo, mas sem sufocar. Ela sabia que eu tava ali. E isso era o que bastava. A rotina voltou aos poucos. Os vapôs voltaram pras ruas, a segurança se reforçou. Mas aqui dentro, no meu peito, ainda era caos. Ester falava pouco. Dormia bastante. Às vezes acordava suada, assustada. Era pesadelo. Trauma. Memória viva da faca. E eu sabia que, por mais que o corpo dela fechasse, a alma ainda sangrava. Até que num fim de tarde nublado, ela sentou comigo na varanda da base. Ester: Eu tô cansada, Davi. De co

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