04

1057 Palavras
DV narrando o dia começou com gritaria de mulher lá na entrada da viela da laje baixa, era a Joelma e a Talita se pegando pelos cabelo tudo por causa de macho, o tal do Edmilson que dorme com uma e come a outra. desci a escadinha sem camisa com o olhar cortando mais que gilete os vapô tudo abriu passagem já sabiam que quando eu apareço sem falar nada é porque o clima ia virar – que p***a é essa aqui - falei seco as duas pararam a guerra na hora, a Joelma com a blusa rasgada e a Talita com a cara toda arranhada. – DV essa vaca tá se metendo com meu homem - uma falou – teu homem nada ele tava ontem na minha cama - e a outra gritou – eu mato essa cachorra – cês duas cala a boca - gritei por cima da vóoz delas. bati a palma da mão no ar e a viela ficou muda – homem aqui não é prêmio é peso morto e se for pra brigar por macho r**m eu mesmo boto os três no saco preto entendeu elas calaram com medo, mas eu via no olho que ia voltar a briga depois mulher da favela é faca nos dente. – agora vai cada uma pra sua casa se eu escutar grito de novo eu vou cortar cabelo na bala bati a porta da padaria com raiva o Edmilson ia pagar por essa treta ainda ** depois subi pra boca de cima ver como tava o corre, o Pardal tava embolando nota no balde de ração que a gente usa de cofre improvisado. – DV bateu 12 mil só essa manhã – limpa direito essa grana e não me enrola que eu te conheço – relaxa patrão tá tudo na linha revisei os pacotinho o pó a pedra tudo separado certinho, o Bê tava com a pistola na mão errada de novo – Bê tu é burro ou só quer morrer mesmo – foi m*l patrão é que eu sou canhoto – canhoto o c*****o tu quer tomar tiro por não segurar arma do lado certo dei uma tapa no cangote dele – última chance ** passei na laje do alto vi o morro respirando devagar, criança gritando dona Neusa, gritando pro neto o barulho da vida acontecendo no caos a Dona Geni me chamou na calçada – DV meu neto tá sem leite tu consegue arrumar alguma coisa pra mim – vai na venda do Zé diz que é por minha conta pega leite e bolacha e outras coisas também. – Deus te pague meu filho Deus não paga nada, quem paga sou eu mas não falei deixei ela pensar que ainda existe céu pro morro. ** quando escureceu o morro começou a pulsar mais rápido, era sexta e sexta é dia de baile, voltei pra casa tomei um banho gelado peguei a camisa preta de botão e corrente grossa, a Glock na cintura a chave do baile no olhar. desci com Ligeirinho e Coreto os vapô tudo abriu o caminho. no caminho peguei dois papelote com o Zóio e um corote com o Pastel na barraca do baianinho. – hoje vai dar r**m – falei rindo chegando no baile o som já tava rasgando os alto falante, as mulher rebolando até o chão, os cara tudo de copão na mão a fumaça subia como se fosse oferenda pro dem0ni0 sentei no camarote improvisado no terraço da casa da Dona Vilma que virou QG nos baile mandei trazer 3 garrafa de whisky e dois Beck bolado. – hoje eu quero esquecer que sou rei - falei pro Ligeiro – e virar o que então? – virar só a p***a do DV bati o copo e virei ** as mina vinham fácil, dançando em cima de mim querendo beijo droga ou só uma noite pra sair espalhando que é minha mulher. uma sentou no meu colo – ouvi dizer que tu manda aqui – eu não mando nem em mim gata – e mas eu quero que você mande em mim a noite toda - ela sussurrou no meu ouvido, com aquela voz de p**a – depende se tu sabe obedecer ela riu meteu a língua no meu pescoço e eu deixei mas a cabeça não parava, a cabeça tava voando longe ** e foi então que eu vi a Ester no meio do povo sem salto sem maquiagem sem brilho só ela, do jeito que ninguém mais tem coragem de ser. Ela olhava pro palco mas não dançava, tava parada no canto com copo vazio na mão, e quando os olho dela cruzou com o meu, eu senti o baque foi como se um pedaço de mim tivesse voltado, ou como se um segredo que eu nem sabia ter tivesse sido descoberto. – quem é aquela? – perguntei pro Coreto – nova na quebrada tá trampando na loja de roupa que tu arrumou pros camelô – que p***a ela tá fazendo no baile? – parece que veio com umas colegas ela virou o rosto, e eu a vi, ela me viu primeiro e ficou parada me olhando. ** o som estourava o chão tremia o baile parecia guerra de tambor e bund@, mas no meio de tudo aquilo o silêncio veio dentro de mim, o mesmo silêncio que antecede o tiro, acendi mais um e fui descendo as escada devagar. os vapô acompanhando com o olho, ninguém ousava perguntar pra onde eu ia. ** na viela lateral do palco eu encostei na parede, ela passou a menos de dois metros só que não olhou de novo, mas eu senti o perfume dela ela sentia o peso do meu nome nas costas dela sem eu falar nada – Ester – falei baixo ela parou, virou e me olhou. o mundo pareceu ficar mudo por um segundo. – cê não devia tá aqui – falei ela olhou bem no fundo dos meus olhos e falou: – tu também não e então ela sumiu no meio da fumaça e do funk, como se nunca tivesse aparecido ** fiquei ali parado sentindo o coração bater mais rápido do que devia, tirei a Glock do cós e engatilhei sem motivo, só pra lembrar quem eu sou ** porque por um segundo, eu esqueci, e isso no Vintém, custa caro.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR