Rafael – Na Empresa
O dia começou como qualquer outro, mas minha mente ainda estava em Marcela. Antes de sair para o trabalho, fui até a sala, onde Ana, a mulher que sempre esteve ao meu lado, preparava o café da manhã. Ana não era apenas uma empregada; ela cuidou de mim durante anos, e eu a via como uma segunda mãe. E, para minha felicidade, ela amava Marcela como se fosse da família.
— Ana, preciso que cuide de Marcela enquanto estou fora — pedi, ajustando a gravata.
Ela me olhou por cima dos óculos, com aquele olhar sereno que sempre me fazia sentir protegido.
— Não se preocupe, querido. Vou cuidar dela. Mas... você sabe que ela precisa de você agora, não é?
Assenti, sentindo o peso das palavras dela.
— Eu sei. E vou estar com ela assim que voltar. Mas não posso adiar essa reunião.
Ana sorriu, com aquele jeito maternal.
— Ela tem sorte de ter você. Eu nunca te vi tão feliz com ninguém como com Marcela.
Se eu fosse uma pessoa mais aberta, diria que eu também tinha sorte de tê-las na minha vida, tanto Ana quanto Marcela. Mas tudo o que consegui foi dar um leve aceno e murmurar:
— Obrigado, Ana.
Ela entendeu. Ela sempre entendia.
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Rafael – Enfrentando a Frieza na Empresa
Ao chegar à empresa, o ambiente era completamente diferente do que eu tinha em casa. Aqui, eu era conhecido por minha frieza. Não havia espaço para gentilezas ou sentimentos. Cada passo que eu dava, cada palavra que dizia, eram calculados.
Naquela manhã, durante uma reunião com um fornecedor que estava atrasando entregas importantes, precisei mostrar exatamente por que sou respeitado e temido.
— Você acha que está lidando com um amador? — perguntei, com a voz baixa e firme.
O homem à minha frente engoliu seco, tentando evitar o meu olhar.
— N-não, senhor Rafael. Estamos trabalhando para resolver...
Eu inclinei a cabeça levemente, sem tirar os olhos dele.
— Resolver não é suficiente. Você vai entregar o pedido completo no prazo que combinamos. Se não conseguir, o contrato será cancelado imediatamente e cobraremos cada centavo da multa.
O silêncio na sala era quase palpável. O homem assentiu rapidamente, murmurando desculpas e promessas. Assim que ele saiu, um de meus diretores me olhou, visivelmente tenso.
— Senhor Rafael, às vezes acho que você consegue intimidar sem dizer nada.
Não respondi. A verdade é que eu não me importava com o que os outros pensavam. Para mim, o trabalho era apenas uma obrigação, algo necessário para manter a vida que eu queria ao lado de Marcela. Nada mais.
Quando a reunião terminou, sentei em minha mesa por um momento, deixando meus pensamentos vagarem até Marcela. Eu sabia que, com Ana ao lado dela, ela estaria em boas mãos. Mas o d****o de voltar para casa e cuidar dela com minhas próprias mãos crescia dentro de mim a cada minuto.
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Ana – O Cuidado em Casa
Enquanto Rafael estava fora, eu permanecia ao lado de Marcela. Cuidar dela não era apenas uma tarefa – era algo que eu fazia com amor. Desde o momento em que Rafael me apresentou a Marcela, percebi que ela era especial. Ela trouxe uma alegria que eu nunca tinha visto nele antes. Ver meu “menino” feliz era tudo o que eu queria.
— Como você está se sentindo, querida? — perguntei, enquanto ajeitava uma almofada atrás das costas dela no sofá.
Marcela sorriu levemente, apesar da dor no tornozelo.
— Estou bem, Ana. Só queria que esse dia passasse logo.
— Eu sei, meu bem. Rafael também queria estar aqui, mas você sabe como ele é — murmurei, acariciando sua mão com ternura.
Ela assentiu.
— Eu sei. Ele sempre cuida de mim.
Sorri, sentindo meu coração se aquecer.
— E ele sempre vai cuidar de você, querida. Eu nunca o vi amar alguém como ama você.
Rafael
Cheguei em casa mais cedo do que esperava. A reunião foi curta – o suficiente para deixar claro que não havia espaço para erros. Enquanto cruzava o corredor até a sala, sentia meu coração bater mais rápido. Cada vez que via Marcela, a sensação era a mesma. Eu podia ser frio com o mundo, mas com ela tudo era diferente.
Encontrei Ana na cozinha, preparando algo para o jantar. Ela me lançou um sorriso caloroso assim que me viu.
— Está cedo hoje, Rafael.
— Eu precisava estar aqui. Como ela está? — perguntei, enquanto tirava a jaqueta e a deixava pendurada na cadeira.
— Descansando. Está bem, mas ainda frustrada por não ter ido à festa da irmã — Ana respondeu, sem perder o tom acolhedor. — Ela sente muito por não ter ido, mas sabe que foi melhor assim.
Eu assenti, sem dizer mais nada. Havia algo na voz de Ana que sempre me tranquilizava, como se ela tivesse uma sabedoria que eu nunca alcancei.
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Marcela
Quando Rafael entrou no quarto, seus olhos me encontraram e ele sorriu levemente, um sorriso que quase ninguém mais via. Ele se aproximou e se sentou ao meu lado na cama.
— Como está meu amor? — ele perguntou, colocando uma mecha de cabelo para trás da minha orelha.
— Melhor agora que você está aqui — respondi, sentindo meu coração desacelerar com a presença dele. Rafael era minha paz.
Ele olhou para o meu tornozelo enfaixado e murmurou, com um toque de frustração na voz:
— Alguém fez isso de propósito. Ainda vou descobrir quem foi.
— Rafael... não importa mais. Estou bem. E é isso que importa agora — falei, tentando aliviar sua tensão.
Mas eu sabia que ele não deixaria isso passar. Rafael não aceitava que alguém me machucasse. Era a maneira dele de me amar: me proteger de tudo e de todos.
Eu me encostei em seu peito, e ele me envolveu em um abraço firme. Ali, nos braços dele, tudo parecia certo, mesmo com as dores do passado ainda rondando minha mente. Luana e Marcelo... A festa... Por mais que eu tivesse superado aquele amor de infância, uma parte de mim ainda doía ao pensar em como tudo mudou entre mim e minha irmã.
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Luana
Olhava para Marcelo, e meu coração transbordava de alegria. Estávamos noivos. O anel brilhava em meu dedo, mas o que realmente importava era o brilho em nossos olhares.
— Ainda não acredito que estamos noivos — eu disse, rindo enquanto brincava com o anel em meu dedo.
Marcelo me envolveu em um abraço e me beijou suavemente na testa.
— Também não acredito. Mas aqui estamos. Juntos, do jeito que sempre quisemos.
Na festa de noivado, tudo foi perfeito. Mas havia uma ausência que eu senti mais do que gostaria de admitir: a de Marcela. Eu sabia que ela se esforçou para estar aqui, mas a queda no desfile a impediu. O mais difícil de aceitar era que, mesmo sem o acidente, talvez ela ainda não tivesse vindo.
— Você acha que a Marcela está bem? — perguntei a Marcelo, tentando esconder a culpa que ainda pesava em meu coração.
Ele suspirou e me olhou com um sorriso pequeno, mas sincero.
— Ela está. Tenho certeza de que encontrou a felicidade dela, Luana. Assim como nós encontramos a nossa.
Eu queria acreditar nisso. Queria acreditar que, depois de tudo o que aconteceu, Marcela tinha encontrado o seu caminho. Mas algo me dizia que ainda havia uma distância entre nós que talvez nunca fosse superada.
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Marcelo
Ver Luana tão feliz me fazia sentir completo. A jornada até aqui não foi fácil, mas valeu cada momento. Nosso amor cresceu em segredo durante anos, e agora, finalmente, podíamos viver tudo à luz do dia.
Mas uma sombra ainda pairava sobre mim. Marcela. Eu sabia que o que aconteceu entre mim e Luana a machucou. E, embora ela nunca tivesse dito isso em voz alta, eu sentia o peso dessa mágoa sempre que pensava nela.
Quando Luana mencionou Marcela, apenas sorri, tentando parecer confiante.
— Ela está bem — eu disse. Mas, no fundo, eu sabia que talvez nunca fôssemos os mesmos para ela.
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Rafael
Enquanto eu segurava Marcela nos braços naquela noite, uma certeza crescia em meu peito: eu faria qualquer coisa para vê-la feliz. Mesmo que o passado ainda pesasse sobre ela, mesmo que o laço entre ela e Luana estivesse quebrado, eu sabia que Marcela estava comigo agora. E eu faria o impossível para garantir que o mundo nunca mais a ferisse.
Quando ela adormeceu nos meus braços, olhei pela janela para as luzes da cidade e fiz uma promessa silenciosa: não importa o que aconteça, eu nunca vou deixá-la. Ela era meu porto seguro, e ninguém – nem mesmo fantasmas do passado – tiraria isso de nós.