e-mail chegou às 8h12, assunto seco: “Reestruturação de equipe”. Thomas parou a leitura na terceira linha, porque a quarta ele já sabia de cor — palavras polidas para a mesma sentença: “você não serve mais onde estava”. Às 10h, estava na sala do RH, tapete neutro, ar gelado, sorriso protocolar. — Thomas, a empresa está ajustando o organograma — disse a gerente, evitando o olhar. — Você não está sendo desligado. Está sendo realocado. O novo pacote mantém benefícios, mas… o salário base será este. Ela virou o monitor. O número, pequeno. Quase uma piada m*l contada. — É temporário — completou, como quem oferece guardanapo depois do copo quebrado. — Se o desempenho melhorar, avaliamos no próximo trimestre. Thomas assentiu. Pensou em “próximo trimestre” como quem pensa em “próxima vida”. As

