A tarde começou cinza. Da janela do banco, Thomas via o céu se fechando, pesado, o tipo de chuva que não avisa — simplesmente vem. O expediente arrastava-se em planilhas e relatórios, mas o pensamento dele estava em outro lugar: no parquinho, nas gargalhadas de Lia, e no olhar de Nina quando ela dissera “Então caminha. Eu não tenho pressa.” Aquela frase ecoava desde então. Ela era paz em forma de palavra. Quando o relógio marcou cinco e meia, ele guardou o crachá e saiu. O vento trazia cheiro de terra molhada. As primeiras gotas caíam quando o celular vibrou. 📩 Nina: “A chuva chegou antes do meu guarda-chuva. Tá em casa?” 📩 Thomas: “Saindo agora. Onde você tá?” 📩 Nina: “No centro comunitário. A gente tá sem energia e as crianças não querem ir embora.” Thomas olhou para o céu, par

