O restaurante era pequeno, iluminado por lâmpadas âmbar que faziam o bar parecer pôr do sol permanente. Mesas de madeira, guardanapos de tecido, o cheiro discreto de manjericão vindo da cozinha. Thomas chegou cinco minutos antes, o suficiente para respirar duas vezes e escolher a mesa encostada na janela. Pediu água. Conferiu o reflexo no vidro. “Calmo, por favor”, pensou. Nina entrou com um vestido preto simples, batom cor de boca e aquele coque alto que deixava o rosto inteiro em luz. Ela sorriu de longe, levantou a mão num aceno curto — como quem reconhece. Aproximou-se leve, sem pressa. — Você de novo — ela disse, brincando, e Thomas percebeu que a frase soava como “ainda bem”. — Eu e a minha incapacidade de não gostar do seu sorriso — ele respondeu, sem calcular. Ela riu, e o riso

