O relógio da sala marcava nove da manhã quando Helena, agora com vinte e sete anos, abriu as janelas da velha casa de Recife. O ar do mar entrou com o mesmo cheiro de sal, jasmim e lembrança. A luz dourada dançou nas cortinas, e, por um instante, ela sentiu que o tempo havia voltado. A casa estava quieta. Mas não era silêncio de ausência — era silêncio de história. Os retratos nas paredes, os livros, as plantas, tudo parecia conversar baixinho. No centro da mesa da varanda, o velho caderno amarelo esperava, coberto por uma fina camada de poeira. Helena passou o dedo pela capa, sentindo o papel áspero, e sorriu. “Coisas que ficam.” O título ainda estava ali. E, mesmo antes de abrir, ela já sabia: o que estava dentro não eram apenas palavras — era herança. Abriu a primeira página.

