O avião pousou com um rangido leve, como se o próprio vento tivesse cuidado do pouso. Thomas olhou pela janela e viu Lisboa se abrir como um quadro: o rio calmo, as ruas estreitas, os telhados cor de ferrugem. Do lado dele, Nina segurava o caderno de anotações e o coração. — Consegue acreditar que estamos aqui? — perguntou ela, com os olhos marejados. — Acreditar, eu acredito. Só não garanto que não vá chorar na primeira esquina. — respondeu ele, sorrindo. — Você e esse sentimentalismo lindo… Thomas beijou a mão dela. — Vai ser a primeira vez que a gente vê a Helena, Nina. A primeira vez. Eu tenho o direito de chorar o quanto quiser. Ela riu. — Eu também. No portão de desembarque, Lia esperava com o olhar ansioso de quem carrega o universo nos braços. O marido dela estava ao lado, e

