CAPÍTULO 4
Apaixonada
Narrado por Evy
Quando olhava para o Léo na escola, a minha barriga parecia que tinha borboletas, gostava daquela sensação, mas também sabia que era mau sinal se ele nem quisesse falar comigo.
Mas ele quis, e nem sei como, quando dei conta, passávamos várias tardes ali sentados na relva, à beira do lago a ter grandes conversas, sobre tudo e sobre nada.
Falávamos na universidade, do que queríamos ser e isso era muito engraçado.
Eu dizia que queria ser médica pediatra porque gosto de crianças, ele dizia que queria ser corretor da bolsa, segundo ele, isso dava muito dinheiro.
Claro que tenho que andar sempre com muito cuidado, para não ser pega pelo chato do meu pai e dos malas dos meus irmãos. Irrita-me o machismo deles.
O meu pai, a minha mãe dá conta dele, agora os meus irmãos, tenho pena das mulheres que caiam na lábia deles, coitadas.
O certo, é que eu tenho até me virado bem, tenho conseguido estar com o Leo todas as tardes depois da escola. Caramba, isso é um feito kkk, visto que eles parecem umas águias, sempre de olho aberto e garras de fora.
O meu pai com eles é muito benevolente, ele diz que são machos, e então têm que se portar como tal, já eu! A mim ele diz que eu sou garota, então também tenho que me portar como tal, ser certinha, não dar nas vistas sendo uma espalhafatosa, não dar trela para garoto nenhum, e mais uma data de idiotices, Com tanta merda de regras, mais valia ir para um convento, mas nem digo nada, não vá ele ter ideias, credo, deus me livre.
A minha mãe é uma querida, se não fosse ela eu não aguentava aqueles três doidos.
Ela está sempre do meu lado, me ajudando quando eles se armam em espertinhos comigo, ela lhes dá broncas e eles se mantêm quietos. Ao meu pai nem sempre ela consegue lhe fazer frente, mas mesmo assim diz sempre o que acha, não se importa que ele fique emburrado.
Agora estou aqui sentada nos degraus, em frente à porta da minha casa, a vista daqui é linda, o horizonte lá ao fundo, onde se vê o rio a passar, as vinhas e a horta imensa por aí abaixo, é realmente uma bela vista, mas o meu pensamento não está na vista, mas sim no beijo que o Leo me deu à pouco. Sentir os seus lábios nos meus, foi a sensação mais prazerosa que tive, ele beija bem, mas que percebo eu de beijos, nunca tinha beijado ninguém, ele foi o meu primeiro beijo e eu já quero mais, muito mais.
Suspiro, sim eu sei, eu estou apaixonada pelo Léo, o filho dos caseiros de outra herdade, e sim, também sei que isso vai ser um problema. Só espero que ninguém descubra.