Jaime Beaumont Acordo com a cabeça explodindo. Uma dor latejante que parece castigo dos deuses do álcool. Meus olhos m*l abrem. Meus músculos pesam. E a pergunta que ecoa na minha mente é: — Como caralhos eu consegui dirigir ontem? Me levanto devagar, sentindo o gosto amargo da ressaca e da saudade queimando na língua. Estou com a mesma roupa da noite passada. Mais um sinal do descontrole. Entro no banho e deixo a água cair como se ela pudesse apagar minha memória. Mas tudo que ela faz é espalhar as lembranças. A imagem da Mayara dizendo que precisava de um tempo. O som da porta se fechando atrás de mim. O vazio dela na minha cama. Droga. Tomo um remédio qualquer pra dor de cabeça e vou até a cozinha preparar um café preto forte, do jeito que só a Rosinha sabe fazer — pena

