21 - quartzo rosa

2556 Palavras
Dulce Maria  Senti um arrepio em minha pele e abri meus olhos devagar, encontrando o rosto de Christopher. Ele parecia preocupado com alguma coisa. Esfreguei meus olhos e o encarei em silêncio.  — Oi. — ele disse.  — Oi.  — O que aconteceu?  Sentei na cama e olhei em volta para os lenços amassados que usei para enxugar minhas lágrimas. Chorei até pegar no sono e agora que acordei estava com vontade de cair em prantos de novo.  — Que bom que está aqui. — forcei um sorriso e pousei minha mão sobre o seu rosto. — Eu queria te ver. — me aproximei mais dele e o beijei.  Ele devolveu o beijo por alguns segundos, mas logo me afastou e segurou minhas mãos.  — Não vai me dizer? — respirei fundo e olhei para nossas mãos juntas. — Dulce, quem era o homem que te deixou em casa mais cedo? — arregalei meus olhos e o encarei. — Você... — ele deslizou suas mãos para longe das minhas e sua expressão ficou tensa. — Está saindo com alguém?  — Não! — respondi rápido. — Não é nada disso. — fiquei de joelhos e segurei o rosto dele entre minhas mãos, o obrigando a olhar para mim. — Eu não penso em ninguém mais.  — Ah... — ele pareceu desconfortável, afastou minhas mãos e desviou o olhar.  Será que eu havia falado alguma bobagem? E se ele só estivesse tentando saber se eu estava com alguém sem realmente se importar com isso? Senti meu rosto corar e tive vontade de desfazer o meu último comentário.  — Quem era ele? — perguntou com a voz um pouco baixa.  — É complicado.  — Sei. — começou a coçar seu braço. Ele estava nervoso.  Não sabia se deveria dizer alguma coisa para ele, mas afinal ele já sabia daquela parte do meu passado e eu não queria que Christopher pensasse m*l de mim, por mais que não estivéssemos namorando.  — O nome dele é Billy. Ele foi o meu primeiro namorado. — Christopher começou a coçar o braço mais forte. — Ele é pai do bebê que eu abandonei. — agora ele paralisou e olhou para mim de novo. — Billy descobriu algumas coisas, está procurando ela. Acho que ela se chama Melissa.  — Uau. — agora ele relaxou mais. — E você realmente quer reencontra-la? — Eu só quero saber se ela está bem. Ainda não decidi se irei me apresentar. Tenho medo que ela me odeie pelo que fiz.  — Se ela tiver a sua personalidade, tenho certeza que vai entender que você estava pensando no que era melhor para ela. — ele chegou mais perto de mim. — Sinto muito estar sendo um i*****l possessivo, mas quando você viu o Billy de novo, você...  — Não. — nem esperei ele terminar de falar. — Eu tinha quinze anos, não conhecia o mundo como conheço agora e mudei muito. O Billy é só uma parte do meu passado, eu não sinto nada por ele.  — Tudo bem. — assentiu. — Como está se sentindo? — olhou em volta. — Bom, parece que não muito bem.  — Foi um baque receber tantas informações, principalmente por saber que o universo me mandou justamente para perto da minha filha, isso se ela ainda estiver aqui.  — Em Manhattan?  — Qualquer lugar de Nova York. — dei de ombros.  — Eu queria poder fazer algo por você. — pousou a mão sobre o meu ombro. — Agora tem algo que você pode fazer por mim.  Avancei sobre ele e sentei em seu colo com minhas pernas de cada lado do seu corpo. O beijei e ele me abraçou, aprofundando mais aquele beijo. Minha língua parecia estar desesperada pela dele, lutando para continuar sentindo o máximo de seu sabor.  Christopher me jogou na cama e foi logo tirando as minhas roupas com urgência, depois também se livrou das suas. Agora nossos corpos nus estavam unidos, eu o abraçava com minhas pernas enquanto o sentia dentro de mim, indo e voltando bem fundo.  Ele olhou em meus olhos durante todo o ato, o que me deixou numa sensação de êxtase, quase como se estivesse voando. Seus olhos eram hipnotizantes e unindo essa visão à sensação de tê-lo me dando prazer me fazia sentir única, especial e intocável. Nada me faria m*l enquanto eu estivesse em seus braços.  Quando ambos chegamos ao orgasmo, ficamos abraçados, eu com a cabeça em seu peito e ele com seu braço ao redor de mim, os dedos acariciando minha pele. Tateei seu abdômen, mais especificamente a tatuagem em sua costela.  — O que significa? — perguntei.  — É o símbolo das forças armadas.  — Se arrepende de ter feito parte do exército?  — Sim. — apoiei meu cotovelo no travesseiro e o olhei.  — Tenho certeza que seu trabalho ajudou muitas pessoas, você não pode olhar somente o lado negativo. Além do mais, o universo não te coloca em um lugar no qual você não deveria estar. Tudo tem uma razão. — ele sorriu fraco, levou sua mão até meu rosto e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.  — É muito bonita a forma como vê as coisas. Tenho certeza que isso te ajuda a não ter nenhum trauma ou arrependimento.  — Quem disse que eu não tenho um arrependimento?  — Tem? E qual é? — Eu fui casada em Los Angeles por dois anos.  — Você já se casou antes? — falou surpreso.  — Sim, alguém já desejou passar o resto da vida comigo, pasme. — dei risada. — Enfim, os capítulos finais desse casamento foram um desastre. Ele não me aguentou por muito tempo porque... bem, porque eu sou assim. Então ao invés de pedir o divórcio como uma pessoa sensata faria, ele continuou casado comigo enquanto fingia ser solteiro por aí.  — Sinto muito que tenha passado por isso. — ficou sério. — Esse cara deve ser um louco, você é incrível. Só um maluco teria coragem de magoar você.  — Não sei se já estou acostumada com esse seu lado fofo. — sorri e lhe dei um selinho. — Mas não se preocupe, eu não fiquei magoada. Talvez eu achei que o amava por ele ser romântico demais comigo, sempre me dizendo coisas bonitas e me dando presentes. Mas ainda bem que eu não o amava, ou tudo teria sido muito difícil. Eu precisava de força pra conseguir tirar todos os bens dele.  — Ah, você tirou tudo dele? Ótimo! — sorriu. — Poderia ter tirado um carro decente também.  — Ei! — dei um tapinha em seu ombro. — Por sua culpa eu estou andando de metrô.  — É culpa sua não ter comprado um carro quando eu disse para comprar. Se você quiser, eu venho te buscar todas as manhãs essa semana. — soltei um suspiro. — O que foi?  — Você é uma incógnita.  — Isso é um elogio? — franziu a testa.  — Ainda não sei. — ri. — Eu tenho uma coisa pra você.  Fiquei de pé e fui até minha cômoda. Pela minha visão periférica, reparei em Christopher pendendo a cabeça e analisando a minha b***a nua enquanto eu caminhava pelo quarto. Dei um sorrisinho involuntário e senti minhas bochechas esquentando. Ele já havia visto muito do meu corpo, mas eu ainda ficava tímida quando ele me olhava com tanto desejo.  De um dos meus saquinhos de cristal, eu tirei um quartzo rosa e voltei a me deitar ao lado dele na cama.  — O que é isso? — ele pegou o cristal da minha mão e o analisou. — parece a pedra que deu para a Amber.  — Quartzo rosa. Eu dou um desses para todo mundo que é especial na minha vida. — ele olhou para mim de forma séria. — Ele atrai felicidade e eu quero que todo mundo que me deixa feliz seja feliz também. Algo me diz que você precisa disso.  — Obrigado. — beijou minha testa. — E onde eu o coloco? — Mantenha sempre perto, ou em um lugar seguro e confortável pra você.  — Eu também tenho uma coisa pra você.  Foi minha vez de analisar a b***a dele quando ele levantou e pegou suas roupas do chão. Do bolso de trás de sua calça, ele tirou um envelope branco.  — Vai pagar pelo sexo? — brinquei arregalando os olhos.  — O que? Não! — ele disse um pouco desesperado, mas relaxou quando eu comecei a rir. — Nunca sei quando você está falando sério.  — Não te culpo. — dei de ombros.  — Isso é o seu contrato. — Ok. — na real eu não prestei tanta atenção no que ele disse.  Francamente, Christopher Von Uckermann estava em pé na minha frente e não usava absolutamente nada. Seria um pecado dar a minha atenção para qualquer outra coisa.  — Você me ouviu? — ele sorriu de lado ao notar no que eu estava tão vidrada.  — Hã? — tirei os olhos da sua cintura e olhei para o rosto dele.  — Eu ia dizendo... — ainda com o envelope em mãos, ele levantou o cobertor que me cobria, usou seus joelhos para abrir minhas pernas e se ajeitou sobre mim. — Que este é o seu contrato. — eu até pensei numa resposta, mas minha boca não formulou palavras. — Então... — e aí eu o senti entrando em mim de uma vez. Joguei minha cabeça para trás e soltei um gemido. — Serei oficialmente o seu chefe. — começou a se mover devagar. — Você vai obedecer todas as minhas ordens? — perguntou pertinho do meu ouvido.  — Sim... — arfei.  — Boa garota.  Christopher passou seu braço por minhas costas e enquanto me abraçava, ia aumentando a velocidade de seus movimentos. Se ele me fizesse qualquer pergunta, a resposta definitivamente seria sim, pois eu estava totalmente entregue a ele. Só esperava que Christopher estivesse tão disposto a dar tudo de si como eu estava.  E enquanto transávamos, eu fiz questão de beija-lo, de sentir o máximo de seu corpo, seu sabor e sua pele quente sobre a minha. Além de ouvir seus gemidos roucos e graves, que chegavam aos meus ouvidos como música.  Adormeci pouco depois de terminarmos e quando acordei o sol ainda nascia lá fora. Ao menos hoje eu teria tempo antes de ter que ir pegar o metrô. A única coisa r**m de levantar foi ver que mais uma vez Christopher havia ido embora antes que eu acordasse.  Na mesinha de cabeceira, eu vi o papel do contrato e um bilhete sobre ele.  "Já assinei o seu contrato, assine e depois me entregue uma cópia.                                                    Christopher." O contrato era pequeno, não tinha muitas informações ou exigências. Apenas continha minhas horas de trabalho por semana e os direitos que eu teria, como plano de saúde, plano dentário, seguro de vida, seguro viagem e um auxílio alimentício bem gordo que pagaria todas as minhas compras do mês.  — Caramba! — arqueei as sobrancelhas. Assinei o contrato e o deixei guardado. Levantei, fiz minhas higienes matinais e preparei todo o café da manhã. Maite levantou uma hora depois de mim e sorriu em aprovação ao ver o balcão repleto de comida.  — Muito bem, mocinha! — deu dois tapinhas no topo da minha cabeça. — O Christopher te revigorou. — sorriu.  — Sim. — sorri também. — Assinei o meu contrato e adivinha? Agora eu tenho um seguro de vida!  — E quem é o beneficiário? — perguntou de boca cheia depois de dar uma mordida em uma torrada. — Você.  — Eu? — May engasgou, mas se recuperou logo. — E se você morrer quanto eu recebo?  — Eu não sei, porque quem está pagando é o Christopher.  — Um milionário está pagando o seu seguro de vida? — ela abriu a gaveta de talheres e pegou a faca de cozinha. — Dulce, vem cá, vem! — sorriu de forma maléfica.  — Eu acho que vou pedir para colocarem no nome do Christian. — entrei na brincadeira.  — Bom dia, rainhas! — Christian disse entrando. Primeiro ele beijou minha testa e depois deu um selinho em May. — Dulce, o porteiro trouxe uma caixa pra você, está na sala.  — Caixa? — franzi a testa. — Maite, como comprou uma bomba tão rápido? Eu acabei de contar sobre o seguro!  — Pode me chamar de flash. — piscou.  Depois de rirmos, eu fui até a sala sendo seguida pelos dois curiosos. Era um caixa lacrada, havia sido enviada por uma transportadora privada e tinha a logomarca de uma loja feminina muito famosa em Manhattan por fazer peças sob medida e exatamente ao gosto do cliente. Nunca ousei sequer pensar em entrar lá pois os preços eram longe da minha realidade.  Quando abri, meu queixo caiu ao me deparar com um vestido de gala na cor rosê. O tirei da caixa com delicadeza e me vi apaixonada instantaneamente. Ele era todo feito de seda, tinha alças finas e delicadas, um decote com diferentes tipos de cristais num rosa que combinava com o tecido.  Ele era coberto por uma renda bordada com vários desenhos de mandalas, mas não mandalas qualquer, era o mesmo modelo de um dos quadros que eu pintei e coloquei em uma das paredes do apartamento. E num toque final, ele tinha um lascão que começava da coxa. Aquele vestido foi feito especificamente para mim.  — Que coisa mais linda! — May ficou boquiaberta enquanto dedilhava cada parte daquele vestido.  — Caramba, Dulce, gastou um salário de dez anos com essa roupa! — Christian disse impressionado.  — Eu não comprei ele. — eu estava bem confusa, maravilhada e surpresa.  Meu celular começou a tocar e eu entendi tudo quando vi o nome de Christopher na tela.  — Não acredito que fez isso. — falei ao atender.  — Gostou? Se não estiver nas suas medidas, você me avisa e eu mando ajustarem. Mas acho que eu fui bem certeiro sobre as suas curvas. — identifiquei o sorriso em sua voz.  — Deve ter sido uma fortuna. — Isso não importa. Mandei que fizessem assim que decidi te convidar para ser o meu par no evento. Quero que seja a mais linda, mas que ainda assim seja você mesma. Espero não ter escolhido os cristais errados.  — São perfeitos. Tudo nele é perfeito! — sorri. — Obrigada! Céus, eu nem sei como agradecer.  — Sabe sim.  — Ok. — ri. — Mas esse vestido aqui você não vai rasgar. — Prometo fazer um esforço. Estou passando aí em meia hora para levar você e Maite ao colégio.  — Não precisa.  — Decidi que não quero você andando em transporte público, então me deixe fazer isso.  — Mas... — Meia hora. — e desligou.  — p**a que pariu, você virou a Anastasia! — May disse. — Pede um sofá novo, um que não dê dor nas costas. — Christian disse.  — Uma geladeira também seria uma boa. Melhor fazermos uma lista. — May continuou. — Eu quero uma king size.  Enquanto os dois debatiam sobre os móveis que queriam pedir ao Christopher, eu continuei analisando o meu vestido novo, ainda boquiaberta e tão feliz que quase me senti m*l por estar tão animada com um bem material. Mas era impossível não amar aquele vestido. 
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