Alguns meses se passaram e, com o tempo, minha casa voltou a parecer um lar. Não aquele lugar vazio, onde os passos ecoavam sozinhos e o silêncio me engolia — mas um espaço com cheiro de pão quentinho de manhã, roupas esquecidas no encosto do sofá, vozes cruzando os cômodos e uma mulher cantando baixinho enquanto lavava a louça, desafinada, mas linda. Helena e eu criamos uma nova rotina. Não era perfeita, claro. Tínhamos nossos momentos de estresse, especialmente quando eu ficava irritado com reuniões arrastadas ou quando ela se impacientava porque eu esquecia de responder alguma mensagem no meio do expediente. — Eu te mandei três áudios, Nicolas! — Amor, eu tava no meio de uma conferência com investidores internacionais... — E daí? Eles não têm coração? Você podia responder com um emo

