— Fala logo Susana, deixa de suspense — apressei-a. Eu ainda estou no caminho, daqui que chegue no hotel que você está hospedada, eu morro de curiosidade!
— Calma — ela pausa na linha e a ouço gritar com alguém e dizendo logo em seguida: "Sai da linha pai, eu estou ouvindo sua respiração" — Desculpa, Mari. — Disse em seguida.
— Não, beleza. — Aliviei. — Você voltou para casa? Por quê? — perguntei, já achando que ela tinha brigado com Oliver. Ou ficado chateada comigo por algum motivo.
— Ahn... — Ela pausou por uns instantes até responder novamente — Nada não, eu tenho que desligar, espera aí. — ela pede e a ligação começa a chiar.
— Espera, Su — Chamei de novo. — O que você queria falar comigo? Aconteceu alguma coisa? Fala logo, amiga. — Insisti.
— Não, nem era tão urgente assim, eu só ia te perguntar se os convites do casamento estavam prontos... — Desconversou. Algo havia acontecido. Podia sentir.
Mas juntei a minha coragem e acreditei nela.
— Ah — disse e aliviei os ombros — ainda não, assim que estiver prontos eu envio pelo correio. Você não vai voltar para Minas Gerais? Achei que você fosse passar mais tempo.
— Vou, mas não sei quando — Afirmou, um pouco perdida. — Talvez um pouco antes do seu casamento, tudo bem? A faculdade anda me apertando muito, mês que vem eu apresento meu TCC... E eu te contei que arrumei um emprego em um restaurante? É, pois é. Eu fiz a entrevista há alguns dias e só soube hoje de manhã que havia sido contratada. Então, as coisas vão ficar apertadas. Mas eu não vou sumir.
— Você estava procurando emprego?
— Quero saber como é ganhar meu próprio dinheiro. — Respondeu.
— Estou muito orgulhosa de você! Tudo bem então. — Finalizei — Liga, e me dá notícias.
Ela suspirou, e disse que sim. Só depois que ela desligou que eu lembrar de perguntar pelo Oliver. Ela foi embora e não disse nada a ele? Ele realmente contou a Susana sobre a festa ou não? Por que ele mentiria?
Depois de algumas horas, Lucas chegou do emprego dizendo que a segunda empresa ligaria caso ele tivesse sido contratado e pediu pela milésima vez que eu dormisse em seu apartamento. Ele costumava chamar o meu de "apertamento" e eu dava os ombros, o fazendo sorrir.
— Por favor. — Implorou. — Eu acho que mereço depois de um dia tão cansativo. — Chantageou.
Era impossível vencer esse argumento.
— O que faz você pensar que o meu dia não foi cheio? — Brinquei.
— Nada, amor. Eu sei que foi, mas é que se a gente ficar aqui, não vamos poder dormir juntos.
Ele venceu. Eu precisava muito dormir pertinho dele hoje e na minha casa a cama não cabia nós dois. Continuo dizendo que a casa do Lucas foi a melhor coisa que ele já alugou na vida!
Dada por vencida, fomos para o apartamento dele e lá finalmente dormi tranquila, mas ainda estava cansada de tantos compromissos. Talvez se eu contasse ao Lucas o que anda acontecendo com o Oliver isso me aliviasse, mas eu não conseguia dizer. Algo em mim sempre dizia que eu era a culpada de tudo isso estar acontecendo.
— Amor — o chamo, balançando ele várias vezes.
— Oi, vida? — Disse, sonolento.
Eu fiquei tentada em contar tudo, por um segundo eu quis dizer o que estava me aflingindo, mas pensei que, se eu contasse algo a ele sobre o Oliver, nada iria ser como antes de novo. Eles estão muito amigos agora e eu e a Susan também somos. Eu queria mesmo colocar tudo isso em jogo? Por algo que pode nem sequer existir? É melhor não. Posso resolver isso por conta própria.
— Oliver quer dar uma festinha entre todos nós, o que você acha? — mudei o rumo da conversa. — Ele disse que eu deveria te pedir.
— Ele foi te ver na faculdade?
Eu fiz que sim com a cabeça.
— Por que?
Eu dei os ombros. Também não sabia o motivo.
— Acho legal a ideia — Lucas retomou. — Ele quer que seja aqui em casa?
— Sim... — Comentei. — Mas se você acha desnecessário pode falar. Tenho certeza que o Oliver vai entender. — Disse, tentando fazer com que ele desistisse.
— Não — Lucas disse ao invés disso. — Por mim tudo bem, e por você? — Indagou.
— Também, tanto faz. — Falei, fechando os olhos.
— Ei — ele se aproximou de mim e me envolveu nos seus braços — O que tá havendo, Mari? Diz para mim o que está perturbando você.
Está havendo tudo, parece que tudo desmoronou nas minhas costas, talvez eu esteja enxergando errado, mas talvez não. O casamento está sendo uma correria, e eu estou morrendo de saudades da minha mãe e do meu irmão. Eu sei que de manhã estava dizendo a mim mesma que minha vida está perfeita, mas isso não era totalmente verdade.
Eu estava muito quebrada.
— Nada — menti.
Eu sei. Eu devia ter dito o que se passava na minha cabeça naquele momento, deveria deixar que as lágrimas viessem e eu fosse consolada por alguém que me entende muito, mas achei que seria injusto, ele está tão sobrecarregado com a empresa, em busca de outro emprego, entrando em projetos, se preocupando com tantas coisas reais, que quis deixa-lo sem maus pressentimentos sobre nós. Quer dizer, não eu e ele. Mas nós no geral. Tinha medo do que podia acontecer com a gente.
— Vai ficar tudo bem, seja lá o que for. — Afirmou. Ele sabia que estava acontecendo alguma coisa, mas também sabia que se eu menti é porque eu não quero que ele saiba e mesmo eu estando errada, ele soube respeitar isso, apesar de tudo. — Eu estou bem aqui. — Continuou. —Se quiser chorar ou sorrir, não importa, eu vou estar aqui porque eu amo você. E não quero ver ninguém te machucando. — Ele disse isso e beijou meus olhos.
Dizem que quem beija nos olhos nunca esquece daquela pessoa.
— Eu também te amo, muito. — Concluí.