O sol ainda nem tinha subido direito quando o ônibus velho parou no pé do morro. A porta abriu com um rangido cansado. Pouca gente desceu. Uma senhora com sacolas, um rapaz com mochila… e por último, um homem alto, de ombros largos, barba curta e olhar pesado. Rafael. Ele ficou alguns segundos parado na calçada, olhando para o morro. Nada parecia realmente diferente… mas ao mesmo tempo tudo estava. As casas continuavam empilhadas umas sobre as outras, as vielas estreitas serpenteavam ladeira acima, e o cheiro de café e pão quente escapava de algumas portas abertas. Mas o clima era outro. Mais pesado. Mais silencioso. Rafael passou a mão no rosto, sentindo a aspereza da barba e o cansaço da viagem longa. Fazia anos. Anos desde que ele tinha saído dali. E mesmo assim, cada pedr

