O fogo ainda fumegava quando Elias subiu o restante da viela. O cheiro de queimado impregnava o ar, misturado com plástico derretido, madeira carbonizada e derrota. Seus homens andavam ao redor, chutando o que restava, tentando salvar algo que já não existia mais. Mas Elias não olhava para os destroços. Ele olhava além. Ele olhava para o morro. O silêncio era diferente naquela manhã. Não era o silêncio do medo absoluto. Era o silêncio da espera. Da observação. Como se o morro inteiro tivesse prendido a respiração. Como se estivesse assistindo. Assistindo ele perder o controle. E aquilo o enfurecia. — Quem tava de vigia? — ele perguntou, a voz baixa, mas mortal. Dois homens se aproximaram, visivelmente nervosos. — A gente saiu só por uns minutos, Elias... a gente não viu nada...

