O amanhecer no Recanto das Pedras não trazia o conforto bucólico das pinturas campestres. Para Daniel, a luz cinzenta que filtrava pelas frestas das vigas de madeira parecia um holofote indesejado sobre as ruínas de sua própria vida. O frio da montanha era persistente, infiltrando-se pelos ossos e lembrando-o de que, ali, ele não era o Promotor Albuquerque, cercado de assistentes e seguranças. Ele era apenas um homem com uma arma velha, uma cafeteira de ferro e um filho que m*l conhecia. Daniel estava de pé desde as quatro da manhã. Ele havia passado o tempo limpando a chaminé e organizando os arquivos da TecnoCore na mesa de carvalho da sala. O cheiro de café forte e lenha queimada impregnava o ambiente, mas não conseguia mascarar a tensão elétrica que emanava do corredor onde Lucas dorm

