O dia seguinte à coletiva de imprensa foi de caos controlado. O hospital ainda estava sob cerco, mas a narrativa havia mudado: Daniel (38) e Helena (38) não eram rivais, mas pais lutando por seu filho, Lucas (18).
A primeira ordem de Daniel foi garantir a segurança de Lucas. Ele contratou seguranças privados para monitorar o quarto do filho e pediu uma licença imediata do seu cargo de Promotor, citando motivos familiares urgentes. Ele não podia mais ser o Promotor implacável enquanto tentava construir uma vida com a advogada que ele passou a vida odiando.
Helena, por sua vez, estava ocupada controlando os danos em sua firma de advocacia. A manchete de Viviane havia sido destrutiva, mas a revelação da paternidade e a união com Daniel haviam criado uma nova e poderosa manchete: a redenção.
— O caso PHOENIX está sendo revisado. — Helena disse a Daniel no corredor do hospital, enquanto pegavam café. — Não por mim, mas por um promotor independente, garantindo a ética. Minha firma está disposta a fazer um acordo, com penalidades justas, para encerrar o caso e evitar mais exposição pública.
— É a decisão mais inteligente. — Daniel concordou. — Viviane tentou usar o caso para nos destruir. Agora, vamos usá-lo para provar que a nossa aliança é sobre verdade, e não sobre fraude.
Viviane (34) estava em seu escritório, que antes era um templo de ambição e agora era um campo de batalha. Após a coletiva, seu nome havia se tornado sinônimo de manipulação.
Seus superiores haviam exigido sua renúncia imediata. O risco de Viviane ser processada por difamação e sabotagem era real e ameaçava a reputação de toda a Comarca.
Viviane estava sozinha, olhando pela janela. Ela havia apostado tudo na mágoa de Daniel e perdido de forma espetacular. Ela não podia mais processar Helena, pois a história do "amante" havia evaporado, e o Promotor Albuquerque agora era seu inimigo.
A porta de seu escritório abriu-se. Era um mensageiro, que lhe entregou uma intimação formal. Não era do tribunal, mas de Helena e Daniel.
A intimação era dupla:
1. Um processo civil por difamação e danos morais, citando a matéria jornalística plantada por ela.
2. Uma ordem de restrição temporária, impedindo-a de se aproximar de Lucas, citando o estresse emocional causado por suas ações.
Viviane amassou a intimação, a fúria em seus olhos. Ela havia tentado destruir o casal, mas a única coisa que conseguiu foi uni-los e forçá-los a lutar ao lado um do outro. A carreira dela estava acabada, e o casal estava mais forte do que nunca.
Naquela noite, Helena e Daniel estavam no quarto de Lucas. O jovem estava acordado, observando-os com uma curiosidade terna.
— Promotor... Daniel. — Lucas chamou. — Eu li as manchetes. Sobre a Viviane.
— Ela vai ter que responder por suas ações. — Daniel disse com firmeza. — Mas não se preocupe com ela. Não vamos permitir que ela toque em você.
— Eu não estou preocupado com ela. Estou feliz. — Lucas deu um pequeno sorriso. — Pela verdade.
Ele olhou para Daniel. — Eu sempre admirei a forma como você defendia a lei. E sempre admirei a força da mamãe. Eu só não conseguia entender por que vocês eram inimigos.
— Era por minha causa. — Helena se curvou, beijando a testa do filho. — E pela minha escolha errada.
— Não. — Lucas pegou a mão de Daniel. — A senhora fez o que achava certo para ele. E o senhor nunca deixou de ser quem a mamãe achava que o senhor seria.
Lucas uniu as mãos dos pais, em um gesto simples de reconciliação. Aquele toque, em uma cama de hospital, era o primeiro tijolo na reconstrução da família.
Daniel e Helena se olharam. A mágoa ainda existia, mas o amor pelo filho era o cimento.
— Eu peguei licença do escritório. — Daniel disse a Helena, o olhar sério. — Não posso processar você e criar nosso filho ao mesmo tempo. Eu preciso de tempo para ser pai, Helena. E para tentar entender como viver com a sua verdade.
— Eu farei o mesmo. — Helena concordou. — Vamos focar nele.
Naquele quarto de hospital, longe dos flashes e dos processos, Daniel finalmente sentiu a paz que a lei nunca poderia lhe dar. Ele tinha um filho para proteger e uma mulher para perdoar. O caminho seria longo, mas a solidão de dezoito anos havia acabado.