Choro de criança....
O coração parecia querer saltar de dentro do meu peito quando ouvir o seu choro pela primeira vez , estava sujo de sangue e sentia que seu pequeno corpo estava visgoso , colado em cima do meu me transmitindo uma coisa tão boa que mesmo que tentasse explicar tamanha emoção jamais teria a palavra para decifrar.
Os aplausos de toda a equipe médica me fazia se sentir vitoriosa. - Parabéns , meu amor. Otávio me beijava por todo o rosto enquanto acariciava o nosso pequeno Théo , que decidir no calor da emoção que seu nome seria aquele.
- Eu te amo , meu amor. Digo com a voz exaurida e bastante abafada.
Foram horas de agonia e dor antes de finalmente conseguir ter o meu menino , Otávio o tempo inteiro do meu lado sendo compressivo e paciente.
Tonta e cansada, tentava me recuperar de um dia exaustivo , até que uma enfermeira cujo nome Fernanda se aproximou e delicadamente levou o meu menino e vendo ela levá-lo minha visão foi embaçando até meu olhos se fecharem e eu adormecer.
Desde o primeiro dia de consulta quando descobri que estava grávida era como se Deus estivesse me dando a oportunidade de ser melhor do que jamais poderia ser , meu relacionamento com os meus pais nunca foi das melhores.
Aos 15 anos perdi o meu pai para uma c****a que morava na casa ao lado, minha mãe sempre foi uma tola. Enquanto fazia tudo para ele , cozinhava e limpava o canalha se divertia com a vizinha e o que mais me deixava intrigada era saber o quanto ele era cara de p*u em deixar minha mãe adormecer depois de tanto se drogar de antidepressivos , e sair para t*****r com a dona Estela.
- Sei o que faz todas as noites depois que a mamãe dorme. Foi o que disse com tom de autoridade enquanto ele andava na minha frente.
- Eu não entendi. Respondeu parecendo não enteder o que dizia se fazendo de vítima , virando o rosto pro lado e me olhando com r**o de olho.
- A dona Estela, papai. Ele vira por completo e se aproximando de mim segura pelo meu pulso, via que seus lábios se contraiam e apertando meu braço parecia estar com bastante raiva.
- Se contar alguma coisa para sua mãe você irá se ver comigo. Apreensiva e assustada deixava com que o lado feminino deixasse aflorar e com medo do que ele pudesse fazer , tentava não demonstrar que me sentia intimidada , e com a cabeça erguida tirava meu braço de sua mão e virava as costas voltando ao quarto batendo a porta com força.
Mesmo que tentasse ajudar a minha mãe falando o que o meu pai fazia quando ela estava dormindo, sei que de nada adiantaria. Ele era tudo para ela , mamãe o amava como se não existisse outro homem na terra e vendo tudo que fazia por ele sabia que se tentasse abrir os seus olhos começaria a pensar que eu fosse só uma adolescente frustrada com os nervos a flor da pele , daquelas problemáticas que vive criando coisas onde não existe.
Talvez eu estivesse me transformando naquilo em uma garota assustada e sozinha tentando não deixar com que a tristeza de mamãe se tornasse minha , embora , não conseguisse evitar , pois , eu era a única a perceber seu semblante mudar todos os dias quando ouvia as críticas que ouvia vindo do seu Otávio.
Nas férias sempre escolhi ficar em casa e poder fazer companhia a ela , mas sempre se questionava porque escolhia ficar presa em casa ao sair com as amigas ou ir para casa dos meus avós na fazenda.
- Eu gosto de estar aqui me sinto bem ao seu lado e a senhora é a minha melhor amiga. Mesmo sendo tão Gentil com ela, ainda sim , via o quanto sentia que estava sendo um fardo para mim se culpava por ser uma dependente de antidepressivos por achar , que sentia pena dela e isso me destruía por dentro.
Nunca foi pena , nunca foi medo de deixá-la sozinha e ela recair porque sabia o quanto ela era forte.
Se ela soubesse o quanto meu pai era c***l, se pelo menos percebesse o homem que era jamais se prestaria o papel de ainda estar ao lado de alguém que não a compreendia, não a amava de verdade que não respeitava seus limites.
Mas se eu falasse qualquer coisa poderia ser a responsável pela tristeza da minha mãe e só estaria dando mais motivos para que nunca se libertasse da sua prisão de drogas.
Ouvia seu choro em algumas noites e desejando ir até ela também chorava por saber que mesmo que tentasse entender a sua dor , jamais compreenderia porque só quem passa entende o que realmente está sentindo. Com a cabeça a mil sentia o coração se partir , imaginava o quanto estava cansada , mas lutando contra o efeito do Rivotril porque precisava colocar as suas emoções para fora , ela sabia que meu pai a traía, mas era venerável demais para ir embora e tentar recomeçar.
De pontinha de pé seguia até a porta do quarto e conseguia ver ela ajoelhada acendendo uma vela para o santo que rezava todas as noites e chorando, ouvia pedir discernimento, que intercedesse por ela e que Deus ajudasse ela a se libertar daquela agonia , daquela sensação de incapacidade.
O tempo foi passando e as coisas só pioravam tomando meu banho via que o seu Miguel me observava , quando estava na praia ou até mesmo na piscina não deixava de me olhar dos pés a cabeça e nunca fui tola como também nunca fui desligada. O volume da bermuda me deixava claro que o meu próprio pai sentia t***o na filha não bastava ser só um canalha , ele também tinha que ser um velho escroto e nojento do qual sentia repulsa em tê-lo como pai.
Eu odiava aquele doador de sêmen, e graças a Deus em uma viajem a trabalho seu carro capotou e aquele filho da p**a morreu sem nos dar o trabalho de irmos ao hospital cuidar daquele maldito.
Para minha mãe não foi fácil , ou melhor , a sua vida nunca foi depois de ter se entregado ao seu Miguel.