Quanto mais as horas de passavam, mas desejava criar coragem e ligar para Benjamim. Precisava contar a ele sobre a minha decisão.
Estava ansioso, respirava fundo e soltando o ar pela boca devagarinho pensava na falta de coragem, que estava me faltando para ligar pro meu amor e dizer que precisavámos conversar.
Conhecia ele o suficiente para saber que logo perceberia a minha tonalidade de voz, que algo estava errado, mas precisava ligar e dizer para ele que já tinha conversado com os meus pais e tomado a decisão.
- Filho! Ouço a voz de minha mãe chegar abafada no meu quarto, e ignorando achando que talvez seja só impressão volto a olhar para o meu celular que estava jogado ao lado.
- E se ele não entendesse ?
- Se Benjamin tivesse uma impressão errada de mim ou pior, tornasse com que o meu maior medo se tornasse realidade ?
Não queria perdê-lo. Eu não suportaria ter que vê-lo ao lado de outra pessoa fazendo as coisas, que eu poderia estar fazendo estando com ele.
Nossas vidas estavam conectadas, e nos amando da forma com que sentíamos tamanho sentimento nada faria com que nos separassemos.
- Meu Deus! Preciso que me dê coragem para enfrentar ele e dizer que não poderemos mais casar. Digo para mim mesmo assentindo tal pensamento, e olhando para o cantinho religioso a minha direita.
Som de celular...
Era dele. Atendendo a ligação percebo o quando ele estava empolgado.
- Meus pais me apoiaram, meu amor. Isso não é ótimo ? Boquiaberto e sem saber o que responder apenas gaguejo fazendo com que ele perceba que estou surpreso.
- Sim, meus pais disseram que tudo que
- Amor , amor ? Minhas mãos começam a suar e os meus pés também, olho para todos os lados buscando forças e coragem para dizer a ele que todos os nosso planos precisavam ser repensados.
- Claro que sim! Meu amor. Disfarçando a tensão finjo ter gostado, ouvir ele tão empolgado e feliz partiu meu coração, estava tão contente que quase cheguei a pensar em desistir do que já tinha em mente e fugir com ele. Mas os meus sonhos pesavam mais e nada nem ninguém poderia mudar.
- O que você acha da gente sair hoje ?
- Claro que sim, passo em sua casa depois da aula.
Depois que a ligação deu por encerrada, passei a tarde inteira remoendo tudo que tinha para conversar com ele, embora soubesse que juntos poderíamos chegar num consenso, o fato de magoar ele me destruía por dentro.
Quando ouvir o som dele buzinando na porta de casa foi como se o chão me faltasse. - Boa tarde sogrão! Era como ele costumava chamar o meu pai.
- Dia cheio, hein ? Ele pergunta com uma voz eufórica e animada.
- Nem me fale, meu filho. Estou há dois dias dando um jeito nesse amortecedor.
- Pensei que o senhor só mexesse som solda. Eles sorriem.
- Eu faço de tudo um pouco. Sorrindo ele se despede do meu pai e chegando na sala, minha mãe o cumprimenta e ouço os passos dele se aproximando do meu quarto.
Toc, toc. Era ele. Pode entrar.
Por um momento esqueço de toda tensão e me envolvendo nos seus braços te beijo intensamente e me perco no sabor daqueles lábios gostosos e carnudos.
Suas mãos por trás da minha cintura e as minhas segurando o seu rosto, sinto que a respiração está prestes a me faltar quando largo seus lábios e te olho apertando com os olhos sentindo a melhor sensação do mundo, que era poder olhar para o homem que me fazia voar sem ter asas.
Sim, sempre fui dramático e minucioso o que fazia de mim um ser único na vida do meu Benjamin. - Sentir tanta saudades de você. Ele me diz com um sorriso de orelha a orelha.
- Eu sempre sinto a sua. Respondo olhando para ele com um olhar distante e triste.
- Está acontecendo alguma coisa, eu te conheço bem. Desde a ligação você parecia distante, a voz mais calma do que o normal você m*l me respondia.
Ele tinha toda razão. Realmente estava longe, sentia tanto medo de perde-lo que chegava a sentir o coração bater tão forte prestes a pular de dentro do peito.
Só havia um jeito de descobrir e era contar tudo de uma só vez, sem enrolação. Se Benjamin realmente me amasse ficaria comigo do jeito que estávamos, certo ? Errado!!!
Quando contei que não poderíamos casar e vivermos uma vida do jeito que ele estava esperando, vi a decepção no seu rosto. Os olhos vermelhos as lágrimas escorrendo pelas suas bochechas se perdendo no linho da sua camisa azul.
Por alguns segundos ele apenas me observou e não falou nada, mas percebi que enxugava suas mãos suadas em seu jeans e tentava disfarçar a tristeza que eu havia causado em nele.
Nada surpreso para mim, durante aquela tarde eu já havia criado a cena do seu semblante decaído e decepcionado.
Por um momento cheguei a imaginar que tudo que ele mais desejava era sair dali e não olhar na minha cara. Estava com o coração em pedaços ,sentia que estava destruindo com o sonho da pessoa que eu mais amei na minha vida.
- Você não me ama mais ? Ele pergunta com uma voz plangente.
- Claro que eu te amo, Benjamin. Respondo em imediato.
- Então por que você não vem comigo ?
Por que não quer mais se casar ?
- Você não me entenderia.
- Então me explica, eu preciso entender.
- Desde o primeiro dia que nos conhecemos sempre foi o nosso sonho nos casarmos. Ele me olha de remanso.
- E agora você diz para mim que a gente não pode fazer isso ? Eu não consigo entender. Benjamim estava frustrado e tinha toda a razão para tamanha inquietude.
- Eu quem devo te perguntar se você me ama.
- Como pode duvidar do que sinto por você, será que não já não dei provas o suficiente para isso ?
- Mas como alguém muda da noite pro dia ? A poucos instantes estávamos nos beijando com tanta euforia e amor. Acha que fugir de mim vai ajudar ?