Pedro Point Of View
Estava em frente a minha janela esperando para ver Luciana, ainda era cedo, eu tinha acabado de acordar e senti vontade de ver a nerd, talvez provocá-la mais um pouquinho. Ontem eu realmente comprovei o que dizia o poema. Quem ama é indefeso. Luciana apesar de tentar me resistir acabou parando em meus braços. E devo admitir, nunca me senti tão bem em um beijo.
É claro que eu percebi a inexperiência da pequena garota, aposto que eu fui o seu primeiro beijo, pelo menos gosto de imaginar que sim. O fato de Luciana ser nerd facilitou muito as coisas. Quer dizer, a menina aprende rápido! Em pouco tempo ela já me acompanhava como se beijasse há anos. Também não posso negar que me aproveitei um pouco da situação, eu tinha tanta vontade de tocar Luciana que acabei deixando minhas mãos livres para agir. Eu simplesmente amei tocar a b***a da nerd!
As cortinas do quarto da minha vizinha foram abertas por quem conheci como Helena Levy, mãe da Luciana. Logo depois a mulher saiu do quarto e vi um pequeno corpo se levantar com esforço. Luciana coçou os olhos e jogou os cabelos para trás. Como ela podia ser fofa e sexy ao mesmo tempo? Ela se esticou e levantou da cama com calma, se dirigiu até a janela e pareceu me perceber, nossos olhares se cruzaram.
Eu sorri, sorri verdadeiramente e ela franziu o cenho confusa. Acenei e ela coçou os olhos parecendo não acreditar. Adorável. Levei a mão direita a boca e soprei um beijo em sua direção, a menina olhou em volta e depois voltou a focar em mim com uma sobrancelha erguida. Para finalizar pisquei para ela e fechei a cortina depois de vê-la fechar os olhos com força, chacoalhar a cabeça e se dirigir ao banheiro.
Acho que eu gosto dela toda confusa, é tão fofo. Não sei, é ainda melhor provocá-la dessa maneira. Não acho mais necessário humilhá-la na frente da escola toda, talvez eu pare, ela é legal, inteligente, adorei o jeito irônico dela e ainda é fofa. Não tenho motivos para continuar com essas brincadeiras infantis. Se eu parar, acho que várias pessoas também irão. É... Talvez já esteja mesmo na hora disso acabar. Essa será minha boa ação do ano!
Vou parar de ser tão mau com Luciana Levy.
Depois de chegar a essa conclusão fui me arrumar para a aula. Droga, ainda era quinta-feira!
***
Atravessei os portões do colégio pretendendo ir até meu armário, porém meus amigos me pararam no meio do caminho.
— Hey, Pedro! — chamou Lucas.
— Hey — cumprimentei a todos com um aceno de cabeça.
— O que você acha de matarmos o primeiro período de aula?! — perguntou Derick entusiasmado.
— Acho melhor não, eu tenho que...
— Ameaçar a estranha — completou Christian me deixando confuso.
— O que?
— Não acredito que esqueceu, Pedro! A professora de literatura deu lição em dupla, você tem que fazer a nerd colocar o seu nome! — explicou o que ele achava ser óbvio.
— Ah, é isso? Não será necessário — disse casual.
— Como não? — questionou Lucas.
— É... Eu ajudei a Luciana com a lição.
— Você o que? — escutei a voz da minha namorada irritante dizer e revirei os olhos.
— Ajudei na lição — me virei em sua direção — você vê algum problema nisso?
— Claro! Você passou horas sozinho com aquela ridícula! — eu levantei uma sobrancelha.
— Você está com ciúmes? — pergunto incrédulo. Essa menina pode ser mais grudenta?
— Não! — se apressou a responder — Só surpresa, você não a suporta!
— Nada mudou — menti tentando escapar da conversa e foi a vez dela levantar uma sobrancelha.
— Prova.
— Como?!
— A estranha acabou de chegar — disse apontando para o outro lado do pátio — vai lá!
— Não estou com vontade.
— E desde quando você fica sem vontade de encher a nerd?! — ironizou White.
— Você está com pena! — afirmou Victória.
— Não estou, c*****o! — me irritei.
— Então prova, Pedro! — alterou o tom de voz e eu a queimei com o olhar — Prova que você não é um frouxo!
Um ódio subiu a minha cabeça. Meus pés começaram a se mover sem a minha permissão e foi aí que percebi... Minha promessa de ser melhor acabou de descer pelo ralo.
— Hey, nerd! — chamei vendo que meus amigos e Vick me seguiam.
Luciana levantou a cabeça, mas logo a abaixou novamente.
— Como vai? Eu queria te pedir uma informação — comecei agradecendo por não ter suas órbitas cinzas me fitando.
Me aproximei mais.
— Em que hospital você nasceu? — ela se encolheu — Não, é sério! É que eu quero saber pra ter a certeza que nunca vou pisar nesse lugar, eles com certeza fizeram algo muito errado. Você devia processá-los por ter ficado toda deformada. Porque isso tudo não pode ser mérito seu, ou pode?!
Luciana me encarou e eu engoli em seco, meus amigos riam, seus olhos estavam marejados, ela abriu a boca e eu desejei com todas as minhas forças que a mesma me insultasse até ficar sem fala, mas não saiu nada de seus lábios. Ao invés disso, ela negou com a cabeça freneticamente e saiu correndo indo provavelmente para o banheiro chorar.
Alguém poderia me socar até eu desmaiar?
Eu sou um i****a! Era para eu estar me sentindo tão m*l assim?
Meus amigos me parabenizaram pela minha "performance" e Victória que tinha um sorriso rasgando o rosto me deu um selinho demorado.
— Eu vou pegar meu material — informei tentando sair dali o mais rápido possível e sem esperar resposta segui para os corredores.
Eu preciso me desculpar com Luciana! Espera aí, preciso? Eu já fiz isso tantas vezes, por que estou me sentindo culpado dessa vez? Ela já deve estar acostumada!
Não, dessa vez foi diferente.
Eu peço desculpa no final da aula.
Luciana Point Of View
Burra, eu sou uma burra! Não acredito que por um momento eu achei que ele tinha mudado.
"I'm sorry, nerd, por tudo".
Como ele pode ser tão hipócrita? Dizer que sente muito, quando parece não ser capaz de sentir nada!
Já devia ter se acostumado...
Mas o que foi aquilo hoje de manhã? O que foi aquilo ontem a tarde? Ele não pode simplesmente me beijar e depois dizer que eu sou uma aberração. Não faz sentido. Será... Será que eu beijo m*l?
Não viaja!
Eu... Eu estou tão desiludida. Não acredito, faz menos de uma semana que as aulas voltaram e eu já perdi a conta de quanto chorei! Não posso ficar chorando assim, eu me sinto tão fraca, tão frágil...
Saí da cabine que estava e me olhei no espelho. Por que é tão difícil alguém gostar de mim?
Molhei meu rosto e o sequei em seguida. Saí do banheiro ainda um pouco atordoada e me dirigi até a sala dos professores, queria entregar a maldita lição de casa logo. Ao chegar lá bati na porta e o professor Arthur, de matemática, a abriu.
— Luciana, posso te ajudar em algo?! — perguntou entusiasmado, ele era esquisito, mas era boa pessoa.
— Eu queria falar com a professora Ana — expliquei. Minha voz estava horrível.
— ANAAA — chamou colocando a cabeça para dentro da sala — uma aluna está te procurando — falou agora em seu tom normal.
Arthur saiu da sala apressado, ele tinha aula agora. Era com a minha sala, neste caso iria entender o meu atraso.
— Luciana! — exclamou Sra. Rodrigues saindo da sala — Tudo bem?
— Sim — nem fodendo — eu queria entregar a lição que a senhora passou ontem.
— Nossa que rápida, era para a semana que vem! — forcei um sorriso enquanto via ela passar os olhos pelo papel — O Pedro ajudou? — eu assenti — Que milagre — comentou — bem, espero que ele tenha aprendido algo com essa lição.
Ele eu não sei, mas eu aprendi que fazer dupla com o mesmo sempre vai dar merda!
Acenei para a professora e segui para minha sala. Bati na porta e Arthur a abriu, ele sorriu pra mim e me deu passagem para entrar. Fui pro meu lugar e me sentei tentando não chamar atenção. Senti alguém me cutucar e me virei encontrando Fernanda.
— Onde estava? — sussurrou.
— Entregando a lição de literatura — respondi me virando para frente tentando encerrar o assunto.
— Você... — falou mais alto e recebeu um olhar feio do professor.
— Sem conversas na minha aula, Srta. Cooper — falou ele e Nanda fez um bico. O professor começou a chamada.
— Mas, você fez com o Pedro? — perguntou ela baixinho.
— Depois, Fernanda!
— Eu não vou me esquecer!
Eu sei...
As primeiras aulas passaram voando, para o meu azar. Já estava na hora do intervalo e eu tinha certeza que Fernanda não me deixaria em paz até saber de tudo sobre a lição, e apesar de ter tido aulas de teatro...
Nem se acha!
Apesar de ter feito teatro eu não gosto de mentir.
— Vem logo, Lu, não enrola! — Nanda me puxava pelo braço enquanto eu tentava guardar meu material — Por que você está guardando tudo? Depois a gente vai ter mais um monte de aula!
— Não quero que me roubem — disse baixinho. Isso não era totalmente verdade, as vezes Victória pegava meu caderno pra desenhar e deixar frases desnecessárias — Terminei, agora vamos.
Fernanda me arrastou até a cantina e comprou algumas coisas pra ela comer. Eu realmente estava sem fome, mas quem disse que Nanda me escutou! Depois de uma pequena discussão acabei pegando uma barrinha de cereal e uma caixinha de suco de maracujá para acalmar os ânimos, minha mãe diz que funciona.
— Pode começar — disse ao sentarmos sob a mesma árvore do dia anterior - anda, o que está esperando! — exclamou depois de um tempo em silêncio.
— E o que você quer saber exatamente? — ela revirou os olhos.
— Você fez a lição com o ninho de rato?
— O que? — perguntei confusa.
— O Pedro. Fala, o cabelo dele parece um ninho de rato, acho que ele não penteia!
— O cabelo dele é incrível — disse indignada, mas logo depois soltei um riso.
— Lógico que é — a ironia em sua voz era palpável.
— Oh claro, você gosta do cabelo do White não?! — ataquei sabendo que ela iria ficar irritada.
— O que? Da onde você tirou isso? Eu não gosto de nada no Christ... Hey, espera aí, você está mudando de assunto! — droga, Fernanda! — Vocês fizeram a lição juntos? — agora ela estava totalmente séria esperando uma resposta.
— Sim.
— Achei que você ia fazer sozinha e colocar o nome dele.
— E eu ia! — me apressei a responder — Só que ele falou que ia ajudar...
— Sério?
— Uhum.
— E ele te fez algo? — perguntou agora parecendo preocupada — Porque se aquele i****a encostou em você eu acabo com ele!
Senhor. Ela é superprotetora. Melhor ocultar...
— Nah, correu tudo bem — falei tentando parecer casual.
— Tem certeza? Você estava estranha hoje cedo.
— Bom, tudo foi tão normal que ele até voltou a me encher hoje — soltei com mágoa e tentando não parecer irônica.
— Aquele babaca... Eu vou quebrar ele — disse apoiando os braços no chão para pegar impulso e se levantar. Fernanda é maluca.
— Não! — disse puxando sua camisa fazendo ela voltar a se sentar no chão — Você não vai a lugar nenhum — decretei.
— Por quê? — perguntou com um bico no rosto.
— Porque se você quebrar ele, me quebra também — suspirei — deixe que a vida o ensine.
—Tudo bem... Prazer Vida! — disse me estendendo a mão e eu ri.
— Meu Deus, Fernanda, você é terrível!