Quarta-feira, 10:45
Acordei e me virei na cama; Luana ainda estava no quinto sono. Levantei, fiz minha higiene e escolhi um look leve: um cropped cinza de alcinha fina, short jeans e minhas sandálias. Luana finalmente despertou, passou por mim direto para o banheiro e eu fiquei na cama esperando. Minutos depois, descemos para tomar café.
— A gente vai à praia hoje, né? — ela perguntou, atacando o pão.
— Claro!
— Mas antes vamos passar na minha casa.
— Por quê?
— Quero avisar meu primo e também pegar um biquíni novo que comprei.
— Já entendi que você não gosta das minhas roupas — brinquei, revirando os olhos.
Subimos, arrumei minhas coisas e troquei de roupa. Mandei uma mensagem chamando o Benício para ir com a gente. Entramos no meu carro e dei partida em direção ao morro. Chegamos na casa dela, ela pegou as coisas e se trocou rapidinho. Quando estávamos voltando para o carro, o Benício apareceu.
— Pensei que vocês iriam mais tarde — ele disse, apoiando os braços na porta do carro.
— Vai vir junto ou não? — perguntei, empurrando o braço dele de leve.
— Se der, eu apareço por lá.
— Beleza — Luana entrou e eu acelerei rumo à praia.
Chegamos e o lugar estava tranquilo, quase vazio. Alugamos duas cadeiras, deixamos nossas coisas e corremos para a água. Ficamos brincando feito crianças até o cansaço bater. Voltamos para a areia, esticamos as toalhas e deitamos de costas para o sol. Eu estava quase cochilando quando alguém tapou a minha claridade.
— Quem é o filho da p**a que está na frente do meu sol? — resmunguei. Tirei os óculos para enxergar melhor e quase caí para trás.
— Oi, primo! O que está fazendo aqui? — Luana perguntou enquanto nos levantávamos.
— Vim curtir um pouco — ele respondeu, me encarando. Como eu não sou de abaixar a cabeça, sustentei o olhar.
— Esta aqui é a Geovanna, minha melhor amiga — Luana nos apresentou. — Geovanna, esse é o PG.
Ele deu um aceno seco e olhou para a Luana.
— Os caras estão jogando vôlei e falta dois para completar o time. Querem jogar?
— Pode ser — respondi. Eu já sabia quem era o primo dela, mas nunca tínhamos conversado de verdade; era sempre cada um no seu canto.
Fomos até a rede onde estavam PK, MPM, CLJ, KG, Benício e mais alguns garotos. O time do PG, PK, MPM, CLJ e KG ficou contra o meu, da Luana, do Benício e mais três caras. Comecei no saque e logo de cara fiz três pontos. No fim, ganhamos de 19 a 7.
— Vou comprar bebida, alguém quer? — perguntei. PK e MPM foram comigo buscar.
— Cadê o CLJ? — PG perguntou quando voltamos.
— Última vez que vi, estava com a Laura — KG respondeu, de olho nos arredores.
— Primo, você já vai? — Luana quis saber.
— Sim, deixei o Pernalonga no meu lugar. Falei que seria rápido, mas você sabe que não confio em ninguém.
Ele estendeu uma latinha de Skol Beats para mim.
— Toma.
— Valeu — peguei da mão dele, abri e dei um gole generoso.
— Amiga, você está dirigindo! — Luana alertou.
— E o que tem? Você dirige no meu lugar.
— Se eu fosse você, não dava o carro na mão dessa louca — PG falou, soltando uma risada curta.
— Ainda bem que eu não sou você. Vou deixar ela dirigir, sim.
— Primo, você ainda não viu nada — Luana provocou.
— Quem sabe algum dia eu vejo... — ele disse, dando uma piscadinha discreta para mim. — Já estou indo. PK, vem comigo?
— Luana, não demora muito para ir embora — PG ordenou antes de sair.
— Calma aí, "guarda da penitenciária"! — respondi por ela. — Ela está em boa companhia, não vai morrer, não.
— Já passei a visão, Luana — ele ignorou meu comentário, deu as costas e saiu andando com os meninos.
Ficamos mais um pouco e decidimos ir embora. Luana foi no volante. Chegamos na minha casa todas sujas de areia, então entramos pela porta da cozinha e subimos direto para o meu quarto. Tomei um banho demorado, vesti uma camiseta vinho e um short jeans preto.
— Quer que eu te leve em casa? — perguntei enquanto secava o cabelo.
— Por favor.
Descemos e meu motorista estava limpando o carro na garagem. Ele se ofereceu para levá-la, mas eu mesma quis dirigir. Estacionei na frente da casa do PG e subimos para o quarto da Luana. Ela entrou no banho e, como eu estava morrendo de fome, avisei pela porta:
— Vou descer para fazer um lanche para a gente, tá?
— Tá bom!
Fui até a cozinha, que estava vazia, e preparei uma bandeja caprichada: frutas, Nutella, torradas e leite. Voltei para o quarto e ela já estava pronta.
— Hum, que delícia! — ela se ajeitou na cama. — Coloca Supernatural para a gente assistir.
— Ai, esse Dean Winchester é muito gato... — comentei, pegando uma torrada.
— Prefiro o Sam — ela respondeu, mergulhando um morango na Nutella.
— Bem que eles podiam ser brasileiros, né? — rimos juntas.
A diversão foi cortada pelo som da porta se abrindo. PG e PK apareceram no batente.