Geovanna
Entramos no quarto em silêncio, o cansaço da batalha finalmente pesando nos ombros. Matheus me colocou na cama com cuidado e deitou ao meu lado, olhando para o teto.
— Mano, a Luana gosta mesmo do PK — comentei, lembrando da preocupação dela durante o tiroteio.
— Sim. Mas se o PK fizer qualquer gracinha com ela, ele morre — ele respondeu, com aquele tom protetor de primo.
— Ei, calma! Não se esqueça que ele é seu amigo e seu braço direito na boca.
— Como você sabe disso? — Ele se virou, me encarando curioso.
— Vocês estão sempre juntos. Quando o bicho pega, o PK é o primeiro que você chama. É óbvio, branquelo.
Matheus soltou um riso nasalado e se levantou.
— Vou tomar banho. Quer ir?
Entramos no chuveiro e, bom... não preciso nem dizer o que aconteceu lá dentro, né? O fogo entre a gente parece que só aumenta depois do perigo. Saímos enrolados na toalha, peguei mais uma camisa dele e ele vestiu apenas uma box.
— Boa noite, morena — ele sussurrou, me puxando para o seu peito.
— Boa noite, branquelo.
Demos um selinho e o sono nos levou em segundos.
Segunda-feira, 16:30
Acordei tarde e vi que o lado da cama dele já estava vazio. O "patrão" já devia estar na ativa na boca. Levantei, fiz minhas higienes e, ao sair do banheiro, parei na porta do closet. O quarto estava um caos: roupas minhas e dele espalhadas por todo canto, resquícios da adrenalina de ontem.
Prendi o cabelo em um coque firme, abri as cortinas para o sol entrar e comecei a faxina. Juntei tudo, organizei o closet e levei o cesto de roupa suja até a lavanderia, onde encontrei a Joana.
— Obrigada, querida! — ela disse, surpresa por eu estar ajudando.
— Por nada, Joana. Precisa de algo? Quer que eu faça algo para comer?
— Eu faço, não se preocupe. Você sabe se a Luana está lá em cima?
— Acabei de passar pelo quarto dela e estava vazio.
Fui até a cozinha, peguei uma fatia de bolo de abacaxi e um copo de suco. Enquanto comia, mandei mensagem para a Luana.
✉ Mensagem
Geovanna: Oi! Tá tudo bem? Onde você está?
Luana: Oie! Tá sim. Tô no mercado comprando umas besteiras para a gente comer.
Voltei para o quarto e me joguei na poltrona para checar as redes sociais. No meio das notificações, vi mensagens do meu pai.
✉ Mensagem
Pai: Filha, vamos voltar só na sexta.
Pai: Se cuida e não faz nenhuma besteira.
Pai (Mãe no celular dele): Marquei salão para você na minha amiga sábado às 13:00. Não se atrase! Mamãe te ama. ❤️
Geovanna: Oi, pai! O que aconteceu? Quem disse que eu faço besteira? rs.
Geovanna: Oi, mãe! ❤️ Ok, obrigada. Também te amo!
Pai: Não se preocupe, estamos bem. É que o carro não quer ligar.
Geovanna: E os avós, estão bem?
Pai: Estão sim. Vou sair aqui, depois a gente se fala. Beijos.
Geovanna: Ok. Tchau, beijos!
Sorri com a notícia. Mais quatro dias de liberdade total com o Matheus. Deitei na cama, liguei a TV e comecei a assistir um filme para passar o tempo. Assim que os créditos subiram, senti o celular vibrar novamente no meu colo.