PG (Matheus)
O radinho apitou e logo em seguida chegou uma mensagem do Luan no celular.
✉ Mensagem
Luan: E aí, mano? Vai ter racha hoje. Topa?
PG: Mas é claro. Que horas?
Luan: Meia-noite.
PG: Beleza. Tô dentro.
Eu ainda estava na boca. Saí da minha sala e fui atrás do PK; ele estava trancado com uma mulher.
— Sai — ordenei, e ela passou por mim rapidinho.
— O que foi, mano? — PK levantou ajeitando o shorts.
— Luan avisou que vai ter racha. Bora?
— Partiu!
Avisei o Pernalonga pelo rádio, fui em casa e troquei de roupa: camisa cinza, calça jeans clara e tênis branco. Peguei meu carro e passei na entrada do morro para buscar o PK. Quando chegamos ao local do racha, o clima estava pesado: paredões de som tocando funk, muita bebida e gente de todo canto.
— E aí, mano — Luan me cumprimentou. — Você vai correr com quem ganhar a primeira volta.
— E quem vai correr agora? — perguntei, observando o movimento.
— Duas garotas.
— Tá de s*******m com a minha cara, né? Quem são?
— Mano, elas são top. Você só vai saber quem é quando uma delas ganhar.
Estávamos conversando quando um ronco ensurdecedor cortou o barulho da música. Olhei para trás e vi um Shelby Mustang GT500 vermelho. Fiquei de boca aberta. Aquela máquina não era brincadeira.
Geovanna
Assim que estacionei na linha de largada, todos os olhares se voltaram para o meu carro.
— Que top, mano! — Luana disse, empolgada ao meu lado.
Luan veio até a janela e fizemos um toque.
— Oi, meninas. Podem ir para a largada.
— Eu vou junto com você? — Luana perguntou, já com a mão na porta.
— Quer ir?
— Mas é lógico! — Ela bateu a porta e apertou o cinto.
Parei ao lado de um carro rosa. Uma garota de saia e cropped se posicionou na nossa frente, contou até três e balançou a bandeira. Dei a arrancada. O Mustang respondeu na hora. A outra não deu nem para o cheiro. Cruzei a marca, dei um drift no final e a menina saiu do carro me xingando, dizendo que eu tinha batido na lateral dela. Fingi que nem era comigo.
Aproximei o carro de Luan, que se debruçou na janela.
— Agora você vai correr com aquele cara — ele apontou para um Mustang preto.
— Fichinha — respondi. Mas quando olhei direito... era o PG. — Não quero que ele saiba que sou eu agora.
— Quer correr na pista, então?
— Com certeza. E não conta quem eu sou ainda.
— Pode deixar — Luan piscou.
Luana soltou o cinto.
— Acho melhor eu ficar aqui fora agora. E não falo nada! — Ela fez um gesto de zíper na boca e saiu do carro.
Fui para a largada. Luan explicou as regras:
— Os dois vão correr na pista, guiados por duas motos. O primeiro que chegar aqui fica com o carro do adversário.
A bandeira baixou. PG saiu na frente, mas eu conheço aquela pista como a palma da minha mão. Não demorou para eu ultrapassá-lo. Perto da linha de chegada, ele emparelhou comigo. Pisei fundo. Passei a linha, dei um drift e parei o carro de frente para o dele.
PG saiu do Mustang preto possesso. Cruzou os braços e ficou esperando eu descer.
PG
Saí do carro cuspindo fogo. Como eu pude perder para uma garota? Que ódio! Fiquei ali, de braços cruzados, esperando a "piloto" mostrar a cara.
Geovanna
Saí do carro devagar, caminhando lentamente até ele.
— Cadê o meu brinde? — perguntei com um sorriso de lado.
PG me encarou, incrédulo. Abri a mão e ele soltou a chave nela. Luana veio correndo na nossa direção.
— Parabéns! Você arrasou, e meu primo está puto da vida — ela sussurrou.
— Eu sei — joguei o cabelo para trás. — E seu primo tem que aprender a perder.
— Já vamos para casa? — Luana perguntou.
— Mas é claro que não! Vamos aproveitar.
PK se aproximou, rindo da situação.
— Olha só... para uma riquinha mimada, até que você mandou bem.
Dei uma cotovelada certeira no estômago dele.
— Se você abrir a boca e falar que eu sou rica, você vai ver!
— Tá bom... — ele disse, recuperando o fôlego. — Mas por quê?
— Ninguém aqui sabe do meu status. Cala a boca se não quiser ficar sem dentes.
Luana começou a rir.
— Não acredito! Você acabou de bater no braço direito do dono do morro. Você não tem juízo!
Luan nos puxou para a mesa de bebidas e a noite seguiu. Dançamos e bebemos até o amanhecer. Quando o sol começou a sair, desci de cima do capô do carro.
— Vem, Luana. Melhor a gente ir. Toma — entreguei a chave do carro do PG para ela.
— Por que está me dando isso?
— Quero que você fique com o carro. Se eu levar para casa, meu pai vai fazer mil perguntas e não estou a fim de responder. Essa belezinha é sua, faz o que quiser.
— Obrigada! — Ela me abraçou e entrou no Mustang preto.
Luana
Cheguei na entrada do morro e o PK me olhou sem entender nada ao me ver dirigindo o carro do primo.
— E aí, gato? Gostou do que viu? — provoquei.
— Seu primo está te esperando — ele respondeu, sério.
Deixei o carro na frente de casa e entrei. PG estava sentado no sofá, com uma cara de poucos amigos.
— Onde você estava?
— Você sabe muito bem. Toma — joguei a chave no colo dele.
— Por que isso está com você? — ele perguntou, confuso.