​6° Capítulo: Velozes e Furiosos no Morro

989 Palavras
PG (Matheus) ​O radinho apitou e logo em seguida chegou uma mensagem do Luan no celular. ​✉ Mensagem Luan: E aí, mano? Vai ter racha hoje. Topa? PG: Mas é claro. Que horas? Luan: Meia-noite. PG: Beleza. Tô dentro. ​Eu ainda estava na boca. Saí da minha sala e fui atrás do PK; ele estava trancado com uma mulher. — Sai — ordenei, e ela passou por mim rapidinho. — O que foi, mano? — PK levantou ajeitando o shorts. — Luan avisou que vai ter racha. Bora? — Partiu! ​Avisei o Pernalonga pelo rádio, fui em casa e troquei de roupa: camisa cinza, calça jeans clara e tênis branco. Peguei meu carro e passei na entrada do morro para buscar o PK. Quando chegamos ao local do racha, o clima estava pesado: paredões de som tocando funk, muita bebida e gente de todo canto. ​— E aí, mano — Luan me cumprimentou. — Você vai correr com quem ganhar a primeira volta. — E quem vai correr agora? — perguntei, observando o movimento. — Duas garotas. — Tá de s*******m com a minha cara, né? Quem são? — Mano, elas são top. Você só vai saber quem é quando uma delas ganhar. ​Estávamos conversando quando um ronco ensurdecedor cortou o barulho da música. Olhei para trás e vi um Shelby Mustang GT500 vermelho. Fiquei de boca aberta. Aquela máquina não era brincadeira. ​Geovanna ​Assim que estacionei na linha de largada, todos os olhares se voltaram para o meu carro. — Que top, mano! — Luana disse, empolgada ao meu lado. Luan veio até a janela e fizemos um toque. — Oi, meninas. Podem ir para a largada. — Eu vou junto com você? — Luana perguntou, já com a mão na porta. — Quer ir? — Mas é lógico! — Ela bateu a porta e apertou o cinto. ​Parei ao lado de um carro rosa. Uma garota de saia e cropped se posicionou na nossa frente, contou até três e balançou a bandeira. Dei a arrancada. O Mustang respondeu na hora. A outra não deu nem para o cheiro. Cruzei a marca, dei um drift no final e a menina saiu do carro me xingando, dizendo que eu tinha batido na lateral dela. Fingi que nem era comigo. ​Aproximei o carro de Luan, que se debruçou na janela. — Agora você vai correr com aquele cara — ele apontou para um Mustang preto. — Fichinha — respondi. Mas quando olhei direito... era o PG. — Não quero que ele saiba que sou eu agora. — Quer correr na pista, então? — Com certeza. E não conta quem eu sou ainda. — Pode deixar — Luan piscou. ​Luana soltou o cinto. — Acho melhor eu ficar aqui fora agora. E não falo nada! — Ela fez um gesto de zíper na boca e saiu do carro. ​Fui para a largada. Luan explicou as regras: — Os dois vão correr na pista, guiados por duas motos. O primeiro que chegar aqui fica com o carro do adversário. ​A bandeira baixou. PG saiu na frente, mas eu conheço aquela pista como a palma da minha mão. Não demorou para eu ultrapassá-lo. Perto da linha de chegada, ele emparelhou comigo. Pisei fundo. Passei a linha, dei um drift e parei o carro de frente para o dele. ​PG saiu do Mustang preto possesso. Cruzou os braços e ficou esperando eu descer. ​PG ​Saí do carro cuspindo fogo. Como eu pude perder para uma garota? Que ódio! Fiquei ali, de braços cruzados, esperando a "piloto" mostrar a cara. ​Geovanna ​Saí do carro devagar, caminhando lentamente até ele. — Cadê o meu brinde? — perguntei com um sorriso de lado. PG me encarou, incrédulo. Abri a mão e ele soltou a chave nela. Luana veio correndo na nossa direção. — Parabéns! Você arrasou, e meu primo está puto da vida — ela sussurrou. — Eu sei — joguei o cabelo para trás. — E seu primo tem que aprender a perder. ​— Já vamos para casa? — Luana perguntou. — Mas é claro que não! Vamos aproveitar. ​PK se aproximou, rindo da situação. — Olha só... para uma riquinha mimada, até que você mandou bem. Dei uma cotovelada certeira no estômago dele. — Se você abrir a boca e falar que eu sou rica, você vai ver! — Tá bom... — ele disse, recuperando o fôlego. — Mas por quê? — Ninguém aqui sabe do meu status. Cala a boca se não quiser ficar sem dentes. ​Luana começou a rir. — Não acredito! Você acabou de bater no braço direito do dono do morro. Você não tem juízo! ​Luan nos puxou para a mesa de bebidas e a noite seguiu. Dançamos e bebemos até o amanhecer. Quando o sol começou a sair, desci de cima do capô do carro. — Vem, Luana. Melhor a gente ir. Toma — entreguei a chave do carro do PG para ela. — Por que está me dando isso? — Quero que você fique com o carro. Se eu levar para casa, meu pai vai fazer mil perguntas e não estou a fim de responder. Essa belezinha é sua, faz o que quiser. — Obrigada! — Ela me abraçou e entrou no Mustang preto. ​Luana ​Cheguei na entrada do morro e o PK me olhou sem entender nada ao me ver dirigindo o carro do primo. — E aí, gato? Gostou do que viu? — provoquei. — Seu primo está te esperando — ele respondeu, sério. ​Deixei o carro na frente de casa e entrei. PG estava sentado no sofá, com uma cara de poucos amigos. — Onde você estava? — Você sabe muito bem. Toma — joguei a chave no colo dele. — Por que isso está com você? — ele perguntou, confuso.
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