36 — Victória Narrando Eu entrei em casa voando, com o sangue fervendo tanto que a vista chegava a tremer. Estacionei a Hornet de qualquer jeito, o pneu chegou a cantar no piso da garagem, soltando aquele cheiro de borracha queimada que combinava com o meu ódio. Eu queria quebrar o mundo. — Velho abusado! Maldito! Quem ele pensa que é? — Eu gritava sozinha, chutando a porta de entrada. — Chega aqui de paraquedas, senta na cadeira que ainda tem o cheiro do meu pai e acha que eu vou baixar a cabeça? Nem fodendo! A Cida, que estava na cozinha, apareceu no corredor com o pano de prato na mão e a cara de susto. Ela nunca tinha me visto virada no cão desse jeito. — O que que tá acontecendo, Victória? Que gritaria é essa, minha filha? O que foi? — Ela perguntou, vindo na minha direção com aqu

