Marcela Narrando Uma semana tinha passado desde a demissão, e parecia que cada dia pesava mais que o outro. Eu acordei com aquela sensação de aperto no peito, como se o ar não entrasse direito. A casa estava silenciosa demais, só o barulho da TV lá embaixo. Levantei, sentei na cama e fiquei alguns segundos encarando a parede, tentando criar força do nada. Passei a semana inteira andando com currículo debaixo do braço, entrando em loja, mercado, farmácia, ouvindo sempre a mesma coisa: “Qualquer coisa a gente liga.” E ninguém ligava. O dinheiro encurtando, as contas empilhadas, e minha mãe… minha mãe parecia mais fraca a cada dia. O tratamento estava cobrando caro do corpo dela. Amanhã tinha quimioterapia de novo, a penúltima, e consulta com o médico. Eu rezava pra ser só efeito do remédi

