Capítulo 30

1144 Palavras
SERIAL KILLER / TED BUNDY/PARTE 2 Confissões e Modus Operandi Logo após a conclusão do julgamento de Leach e o início do longo processo de apelação que se seguiu, Bundy iniciou uma série de entrevistas com os jornalistas Stephen Michaud e Hugh Aynesworth. Ele falava principalmente em terceira pessoa para evitar "o estigma da confissão", mas relatava pela primeira vez os detalhes de seus crimes — sua forma de pensar. Após anos tentando convencer as autoridades sobre sua inocência Ted Bundy não tinha mais como apelar judicialmente, e foi aí que ele topou ter uma conversa franca com alguns investigadores. Neste período o assassino confessou ter assassinado 36 mulheres, descrevendo o que havia feito com cada uma delas e onde estavam os seus cadáveres. Como já se suspeitava, Bundy apresentou uma preferência ao se tratar dos perfis de suas vítimas e ao modus operandi. De acordo com documentos da época, na maioria dos casos o homem se aproximava das mulheres em busca de ajuda, ou pedia auxílio para levar algo a seu carro — às vezes usando gesso no braço ou muletas para parecer inofensivo. Todas as vítimas conhecidas de Bundy eram mulheres brancas, com cabelos longos e lisos repartidos ao meio. A maioria era de classe média, tinha entre 15 e 25 anos e era estudante universitária. O grande amor de sua vida, Elizabeth Kloepfer, também tinha esse perfil. Na última conversa que teve com ela, Bundy contou ter se afastado propositadamente "quando sentiu o poder de sua doença se acumulando nele", indicando que poderia vir a matá-la. O modus operandi de Bundy evoluiu em organização e sofisticação ao longo do tempo, como é típico dos assassinos em série, de acordo com especialistas do FBI. Logo no início, consistia na invasão de uma casa durante a noite, seguida de um ataque violento enquanto a vítima dormia. À medida que sua “metodologia” evoluiu, Bundy tornou-se progressivamente mais organizado em sua escolha de vítimas e cenas de crime. Uma vez perto ou dentro de seu carro, a vítima era dominada, espancada e algemada antes de ser abusada e estrangulada. Bundy então transportava as vítimas para um local secundário pré-selecionado, muitas vezes a uma distância considerável de onde havia feito a abdução. No local de desova do corpo, o serial killer removia e queimava as roupas das vítimas porque, segundo ele, além de ser um ritual, era uma forma de destruir possíveis provas. Ironicamente, um erro de fabricação nas fibras de sua própria roupa foi utilizado como evidência crucial para a acusação no caso de Kimberly Leach. A prática mais sinistra de Bundy, contudo, provavelmente era a n********a. Frequentemente o assassino “revisitava” os corpos, os vestia, maquiava, pintava suas unhas e até tirava foto com eles: "Quando você trabalha duro para fazer algo certo não quer esquecer disso", disse ao investigador Robert Keppel. Ao agente especial William Hagmaier, da Unidade de Análise Comportamental do FBI, confidenciou sobre os cadáveres: “Se você tem tempo eles podem ser o que você quiser". Acredita-se que praticava atos sexuais com os corpos até um estado de putrefação significantemente avançado. Como se não bastasse, Bundy confessou ter decapitado aproximadamente 12 de suas vítimas com uma serra, mantendo-as em seu apartamento por um período antes de descartá-las. No caso de Donna Manson, por exemplo, o criminoso afirmou ter utilizado a lareira de sua ex-namorada, Kloepfer, para incinerar a cabeça decepada: "De todas as coisas que eu fiz [para Kloepfer] essa provavelmente é a que ela menos perdoaria. Pobre Liz”, contou a Keppel. Antes de desenvolver um padrão, contudo, Bundy provavelmente matou diversas pessoas. Estudando a vida e as afirmações do serial killer, as autoridades chegaram ao número aproximado de 65 outras possíveis vítimas. O primeiro assassinato teria sido aos 14 anos, quando Bundy teria matado um vizinho de 8 anos. Diagnósticos Bundy foi submetido a múltiplos exames psiquiátricos, mas as conclusões dos especialistas variam até hoje. Enquanto alguns apontam sintomas de transtorno bipolar, outros sugerem a possibilidade de um transtorno de personalidade múltipla, baseado em comportamentos descritos em entrevistas e depoimentos no tribunal. Certa vez, uma tia-avó testemunhou um episódio durante o qual Bundy "parecia se transformar em outra pessoa irreconhecível". O comportamento do criminoso também se encaixa em alguns tipos de psicose, como o transtorno de personalidade antissocial, já que Bundy exibia traços de personalidade típicos da condição — frequentemente identificada como "sociopatia" ou "psicopatia". Dentre eles estão o charme e o carisma (ambos forjados), a dificuldade de distinguir o certo do errado, a falta de empatia e a ausência de culpa ou remorso. Na tarde anterior à sua execução, em 24 de janeiro de 1989, Bundy concedeu uma entrevista a James Dobson, psicólogo e fundador da organização evangélica cristã Focus on the Family. Ele aproveitou a oportunidade para fazer novas alegações sobre a violência na mídia e as "raízes" pornográficas de seus crimes: "Aconteceu em etapas, gradualmente. (..) Eu continuava procurando por tipos de materiais mais potentes, mais explícitos e mais gráficos. Até você chegar a um ponto em que a p*********a só vai tão longe que você começa a se questionar se, na verdade, [poderia] fazer aquilo além de apenas ler ou olhar”. O que todos os especialistas concordam é que só o fato de ter uma dessas características não torna alguém um serial killer. Existem muitos outros mistérios que ainda circundam casos como o de Bundy, e só mais pesquisas podem trazer luz a casos como o dele. Nasce uma lenda Ao ser levado para a câmara da morte, civis comemoravam nas ruas de Raiford, na Flórida, onde ficava a prisão. Testemunhas contam que o prisioneiro havia passado as últimas horas de sua vida chorando e rezando, além de ter deixado sua última refeição no corredor da morte intocada. Suas últimas palavras foram: "Jim e Fred, eu gostaria que vocês dessem meu amor à minha família e amigos". Jim Coleman era um de seus advogados e Fred Lawrence era o ministro metodista que rezara com Bundy durante a noite. Desde sua execução, Ted Bundy se tornou uma espécie de lenda. Hoje diversos filmes, séries e livros são produzidos para relatar sua história e tentar entender sua mente macabra. O último deles estreou em julho de 2019: A irresistível face do m*l, estrelado por Zac Efron. Mas não é só pela cultura que o serial killer continua fazendo parte do imaginário social. Hoje diversos blogs e sites são dedicados a defender Bundy — ou declarar amor ao “bonitão”. Segundo a escritora Ann Rule, que biografou a história do criminoso, ele tinha fãs mesmo à época de sua execução. Ela conta que seu incômodo foi grande quando percebeu que numerosas "jovens mulheres sensíveis, inteligentes e gentis" escreviam e ligavam para o assassino: “Cada uma acreditava ser única”, relatou. "Mesmo na morte, Ted danificou as mulheres".
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