Era uma noite de outono profundo, e o carro estava quente como a primavera. Helena sentiu o aroma fresco de tabaco que vinha do homem ao seu lado — o cheiro do cigarro que ele fumava era o mesmo que o de Marcos. Por um instante, ela se confundiu. Mesmo atordoada, instintivamente acreditou que o homem ao seu lado era Marcos... De olhos semicerrados, ela apertou levemente a palma da mão dele e murmurou: — Marcos... Meio desperta, meio sonhando, Helena foi arrastada de volta às lembranças do passado — de tudo o que vivera com Marcos... Gustavo não puxou a mão, nem respondeu. Apenas virou o rosto para o escuro da noite diante do carro. A escuridão era densa, como seda molhada sob a chuva noturna — macia, úmida... e estranhamente parecida com o estado de seu coração naquele momento. Gus

