LOUISE SANTORO
Tem dias que a Helena está na Itália e, se a vi umas duas vezes, foi muito. Eu estou superpreocupada com ela; essa não é a Helena que eu conheço e isso está me assustando. Convidei-a para fazer compras comigo e com a Beatrice e, mesmo ela sorrindo e conversando com a gente, eu sei que tem algo errado. Conheço a Helena desde sempre e afirmo: ela está escondendo algo.
BEATRICE: — É sério isso? Só pode ser castigo! O Enzo é maluco, não sei onde meu pai estava com a cabeça de me prometer em casamento a ele. Eu achava que meu pai me amava, agora estou em dúvida sobre esse sentimento.
— Bea, você também não ajuda! Sabe muito bem como são os homens do nosso mundo; eles podem não querer, mas também não querem que ninguém tenha. Sei que é uma regra ridícula, mas, infelizmente, é a lei e nada podemos fazer para mudá-la. O melhor a se fazer é tentar conviver da melhor forma possível.
HELENA: — E, com todo respeito, Bea, o Enzo é o maior gostoso. Tire proveito disso, pense pelo lado positivo: seu pai te entregou a um homem gostoso e rico, e que, se está surtando com suas roupas superprovocativas, é porque ele se importa, mesmo que diga que não.
Por um instante, vejo o brilho e o humor da Helena ali, mas logo somem. Nos despedimos, deixo a Helena em casa e o motorista leva a Bea. Chego em casa e está tudo em silêncio; subo e me sento na cama, perdida em pensamentos. Estou vivendo no automático. Hoje foi a primeira vez que vi um resquício da antiga Helena, mas durou tão pouco...
Caio sai do banheiro e eu estou tão desligada que nem percebi que tinha mais alguém no quarto.
Acordo com meu celular tocando e saio para atender. Quando vejo o nome da Helena brilhar na tela, sinto um aperto no coração.
LIGAÇÃO ON
HELENA: — Te acordei, gata?
A voz dela está animada e eu me sinto aliviada.
— Sim, mas não tem problema. O que houve, amiga?
HELENA: — Vamos malhar hoje pela manhã e depois vamos ao shopping comigo. Preciso de roupas para esse inverno. Chamei a Beatrice também. Não demora, me busca aqui às nove. Beijo!
Ela desliga e eu fico paralisada, olhando para o aparelho, sem entender essa mudança repentina de humor. Sou tirada do meu transe pela Dona Marina.
MARINA: — Menina, está tudo bem?
— Ah, oi Dona Marina, sim, está tudo bem.
MARINA: — Minha filha, vou precisar correr em casa para resolver um problema pessoal. Deixarei a mesa de café pronta para vocês, mas não poderei servir se não me atrasarei.
— Ah, não se preocupe, Marina, pode ir resolver. Eu faço o meu café e o do Caio, sem problemas.
Dou um beijo em sua cabeça e ela se retira. Volto para o quarto, pego uma roupa de academia e tomo banho em outro quarto para não acordar o Caio. Quando o café está quase pronto, ele entra na cozinha. Comunico que sairei com a Helena e, depois de tomarmos café, saímos juntos para a garagem. Nos despedimos e vou buscá-la.
HELENA: — Bom dia, gata! A gente foge do frio, mas ele vem atrás da gente, não tem jeito, né?
— Nas próximas férias vamos escolher um país tropical.
Damos risada e partimos para a academia. Chegamos já fazendo um treino de superiores e noto que a Helena perdeu bastante peso.
BEATRICE: — Louise, preciso que você e a Helena venham comigo na loja de vestidos, até porque vocês precisam fazer a última prova dos vestidos de vocês. Falta só duas semanas para o d***o me laçar de vez.
— Ah, para, Beatrice, lá no fundo sei que você está doida para ser laçada.
Caímos na gargalhada. Saímos da academia já era meio-dia, então fomos almoçar. Quando você treina com amigas, o treino rende mais do que imagina. Almoçamos e fomos para a prova. A Beatrice está tão linda que acabo me emocionando vendo-a vestida de noiva.
— Não me lembro de ele ser apertado assim no b***o. Tem como ajustar?
VENDEDORA: — É, realmente ele está mais apertado. Por acaso, o dia da sua "lua" está chegando?
Fico em silêncio, pois só agora me dou conta de que não lembro a última vez que menstruei.
VENDEDORA: — Senhora Santoro?
— Ah, me desculpa. Deve ser isso, mas mesmo assim acho melhor ajustar.
VENDEDORA: — Como a senhora quiser.
Helena e Bea me olham com um olhar de pura travessura que chega a me dar um arrepio na espinha.
HELENA: — Bea, seu vestido é lindo, ótima escolha de ateliê. As pessoas aqui são super simpáticas.
BEA: — Sim, esse ateliê atende minha família há gerações, elas são maravilhosas.
HELENA: — Que foi, Lou? Está calada. Será que o fato de que sua menstruação está atrasada te deixou muda?
— Ah, para, Helena! Está atrasada só dois dias.
BEATRICE: — Aí, cunhadinha, vamos descobrir o que esse atraso significa.
Vim caminhando em um transe que nem percebi quando paramos em frente a uma farmácia.
HELENA: — Olá, boa tarde. Vou querer três testes de gravidez, por favor.
— O que, Helena? Está maluca? Eu não estou grávida, tá? Se estivesse, saberia.
HELENA: — Tem certeza? Não, você não tem. E se tem tanta certeza de que não está grávida, não tem por que estar com medo de fazer os testes, né?
Saímos da galeria e fomos direto para a casa da Beatrice. Chegamos e fomos para o quarto. Entro no banheiro com as mãos trêmulas. Faço os três testes de uma vez e espero. Depois de cinco minutos, tomo coragem. Beatrice e Helena entram no banheiro e nós três olhamos juntas o resultado...
BEATRICE: — Você tem certeza de que fez certo?
— Sim, eu tenho.